sábado, 30 de abril de 2011

Universalizar


"Universalizar   a   educação não  é   apenas   ter   100%  das   crianças  matriculadas,   é   também  tê-las
frequentando,  assistindo,  permanecendo e  aprendendo  até o  final  do Ensino Médio,  e  aptas   a
continuar aprendendo até o fim de suas vidas"
Cristovam Buarque

Tempos de Ação.


Escrevi este  texto em 29 Setembro 2007 quando ocupava um cargo de gestão.

Pretendo reescrevê-lo agora  com o olhar do chão da sala de aula, mas  lhes  digo, infelizmente muitas  coisas  permanecem iguais e outras ao meu olhar, até pioraram.

 

Fotógrafo/artista: laurie & charles
É relevante fazer uma análise sobre a realidade educacional deste país. Quem de nós ja não ouviu calorosos discursos políticos afirmando que o foco dos investimentos será em Educação. Quem de nós ja não ouviu as máximas, de que só a Educação pode mudar este país, que várias potências em tempos de crise , se reconstituiram pelo viés educacional.

São gestores e gestores , planos e planos, metas e metas. Agora inclusive a mídia tem sido aliada do atual Ministério, e nem considero isto ruim. Observo o contexto e percebo o turbilhão de mudanças e a necessidade premente de um repensar os caminhos. Há de se perceber que em muito menos de duas décadas o conceito de conhecimento foi profundamente alterado. Universitários com seus diplomas estavam prontos até a aposentadoria, alguns deles ainda estão em salas. Insisto em pensar que o número frenético de informações tem deixado nossos profissionais perplexos sem saber extamente o que construir. Não seriam estes tempos de estarmos sim na era de aprender a aprender, de filtrar de perceber o que nos torna mais gente. Dominar as quatro operações matemáticas e produzir um bom texto já não tem mais o mesmo valor que tinha na época do antigo primário, e acabou que na busca da totalidade pode se estar perdendo o detalhe.


Que existem propostas de formação continuada, projetos, programas, vontade de transformar, é inevitável dizer , que sim. nem tudo está largado. Tem gente buscando, puxando, fazendo e não entendendo porque os resultados não estão sendo atingidos. Tambem sei que quando imaginamos ja ter feito tudo, ainda existe uns 30 a 40 % de possibiilidades que não foram experimentadas.


Mas quem seria então, o grande vilão do processo, será que existe apenas um? O que está acontecendo. São 25 % dos recusros públicos investidos por força de lei, onde tem fiscalização pelo menos, teoricamente uma fatia reservada para. Será a forma como os adolescentes e crianças , estes seres que muitos não compreendem, que vem vindo sem limites, sem muitos valores, pode até não ser via de regra,mas não estão valorizando o que os professores oferecem? Não , eu prefiro acreditar que é compromisso da geração adulta , encaminhar e interceder em favor destes meninos ,seja ela sociedade, professores, família.


E ainda que seja apredejada em praça pública vou arriscar em dizer que vejo diante dos olhos as famílias por "n" motivos se desresponsabilizando de sua função, a escola, tentando fazer o que a família não o fez, deixando também a sua missão comprometida. E o PROFESSOR, na minha concepção principal ator do processo, também reclamando de toda a problemática e não buscando subsídios e parcerias para fazer a diferença.


Não sei bem, se adiantam , programas, projetos, recursos, acesso, se os profissionais da área, alguns pelo menos , por DEUS existem abençoadas excessões, ja perderam o tesão, ja cumprem horário e não função. A dita " vocação" que caiu de moda, e tem pessoas se apropriando da mais nobre profissão do mundo, simplesmente como um bico. É o salário? Sim talvez, tem muitos profissionais que ganham pouco, mas com certeza alguns recebem demais pelo que fazem.


Não gostaria de colocar a culpa do mundo nos ombros destes profissionais, mas , simplesmente todas as profissões que dependem de formação acadêmica perpassam por "Nós". E isso é seríssimo!
Está passado o tempo de unir forças, de encontrar resultados reais , de tornar o mundo melhor, através da constução de pessoas com maiores oportunidades,mais completas e mais felizes. Que saibam aprender, viver e conviver.

Cátia Regina Marangoni Geremias

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Governadores são derrotados no STF

Fonte CNTE -http://www.cnte.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=7030&Itemid=52PDFImprimirE-mail
27-04-2011
Renato AlvesNa tarde desta quarta-feira (27), o plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento da ADI 4.167, no tocante ao parágrafo 4º do art. 2º da Lei 11.738, que versa sobre a destinação de, no mínimo, 1/3 (um terço) da jornada de trabalho do/a professor/a para a hora aula-atividade, rejeitando, assim, a tese da inconstitucionalidade proposta pelos cinco governadores considerados “Inimigos da Educação, Traidores da Escola Pública”.
  
No início do mês, o STF já havia julgado constitucional a parte da Lei 11.738 que vincula o piso nacional aos vencimentos iniciais das carreiras de magistério de estados e municípios.

Mesmo considerando a hora aula-atividade constitucional, é possível que gestores descompromissados com a educação de qualidade não apliquem efetivamente o preceito da norma federal, em razão de a votação no STF não ter alcançado o quorum qualificado de seis votos. Nestes casos, os Sindicatos deverão ingressar com ação judicial nos tribunais estaduais, podendo eventuais recursos retornarem ao STF.

Diante da improcedência integral do pedido de inconstitucionalidade da Lei 11.738, e à luz dos efeitos jurídicos perpetrados no julgamento sobre a hora aula-atividade, a CNTE orienta seus sindicatos filiados a exigirem dos gestores públicos a aplicação de todos os preceitos da lei do piso do magistério, devendo, nos casos de descumprimento do parágrafo 4ª do art. 2º da Lei 11.738, os mesmos ingressarem com ação judicial para forçar, no curto prazo, o pronunciamento do judiciário local e, posteriormente, a decisão sobre o efeito vinculante na Suprema Corte.
Renato AlvesLembramos, ainda, que a aplicação dos preceitos da Lei 11.738 – questionados na ADI 4.167 – não necessita aguardar o acórdão do relator. O cumprimento da decisão deve ser 

imediato.

Filhos

Para refletir sobre a educação

Jornal do Commercio, 27/04/2011 - Recife PE


As mudanças ocorridas na educação nesses últimos anos são significativas 
José Paulino Peixoto Filho
Se considerarmos que a educação formal no Brasil teve início com a chegada dos primeiros Jesuítas, em 1549, e o domínio deles permaneceu até 1759, vamos ter como primeiro movimento em prol de mudanças significativas, por um projeto de educação nacional, o manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, sob a liderança de Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Fernando Azevedo entre outros. Esse movimento denominado de Escola Nova teve por finalidade pressionar o governo a desenvolver um sistema de educação pública e gratuita para a nação brasileira, frente ao processo de industrialização pela qual passava a sociedade, no início dos anos 30.

Outro momento histórico bastante relevante para a educação no Brasil se dá com o advento dos círculos populares de cultura, iniciado em Pernambuco e liderado por Paulo Freire, voltado especificamente para o processo de alfabetização de jovens e adultos. E esse movimento foi interrompido com o golpe de 64, e a educação no Brasil, durante os anos do regime militar, amargou o autoritarismo, a repressão e a falta de compromisso político com um projeto de educação libertadora. Escolas foram fechadas, professores foram perseguidos, acordos com organismos norte-americanos foram feitos para conduzir o processo educacional brasileiro. 

É somente com a abertura política dos anos 80, que as maiores conquistas vão ocorrer na educação nacional. Vale destacar a Constituição Federal de 1988, onde a educação passa a ser assegurada como direito de todos, de responsabilidade da sociedade, da família e dos governos, legitimada pela Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). Esses dois instrumentos legais vão assegurar, entre outras coisas, a exigência por uma formação inicial e continuada dos profissionais da educação para todos os níveis e modalidades de ensino, além de provocar um debate nacional sobre a importância da educação para o processo de civilização e desenvolvimento social. Considerando essas questões, podemos dizer que as mudanças ocorridas na educação nesses últimos anos são significativas: universalizamos o acesso a educação básica, melhoramos significativamente a formação inicial e continuada dos profissionais da educação, passamos a ingressar na carreira docente via concurso público, passamos a refletir no interior da escola sobre o tipo de educação que desejamos e a escola que queremos construir, articulada a um projeto de formação cidadã - que prepara o indivíduo para o mundo do trabalho, mas também para a vida e para a cidadania. 

Apesar dos avanços, falta ainda muito para que a educação seja aquilo que dela esperamos. Falta valorização profissional e salarial do professor, considerando a relevância e o papel que o conhecimento adquire na sociedade. Não se pode admitir que um professor, para manter suas necessidades básicas, tenha que trabalhar três expedientes e assim fique sem tempo para o estudo. Falta também por partes dos estudantes um envolvimento maior para com a escola. Falta, por parte da família, um compromisso maior com a educação dos filhos. Falta, por parte dos governantes, assegurar condições básicas para que a escola cumpra seu papel social de educar as gerações para serem protagonistas de seu projeto de vida. Como dizia o grande Educador Paulo Freire “A educação sozinha não transforma a sociedade, mas sem ela tão pouco a sociedade muda”.

Prefeituras deixam de prestar contas de gastos com educação e 70% podem ficar sem recursos federais

Agência Brasil, 27/04/2011

Amanda Cieglinski Repórter da Agência Brasil
Brasília – Cerca de 70% das prefeituras de todo o país podem parar de receber transferências voluntárias do governo federal porque não prestaram contas do dinheiro investido em educação em 2010. O prazo termina neste sábado e, até as 15h30 de hoje (27), apenas 1.646 dos mais de 5 mil municípios tinham enviado a prestação de contas. Os governos municipais devem acessar o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), disponível no site do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para inserir as informações. Pela lei, o município ou estado é obrigado a investir, no mínimo, 25% da sua arrecadação em educação. O Siope calcula se esse patamar foi atingido a partir dos investimentos declarados pela prefeitura. Para as secretarias estaduais, o prazo se encerra somente em 31 de maio. 

Se o governo estadual ou municipal não tiver aplicado o mínimo de 25% na área em 2010, o FNDE envia automaticamente um comunicado aos tribunais de contas estaduais e ao Ministério Público, informando o não cumprimento da lei. A prefeitura também fica impedida de receber recursos de convênios já firmados com a União ou de firmar novos convênios. O mesmo impedimento ocorre com aqueles que não prestarem as informações. A única exceção são os recursos destinados a ações na área de educação, saúde e assistência social. Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso são os únicos estados onde mais de 40% dos municípios já enviaram as informações para o Siope até a tarde de hoje. Em Roraima, nenhuma prefeitura prestou contas. Pernambuco e o Amazonas também estão com baixo percentual de participação: menos de 10% dos governos municipais enviaram os dados até o momento. Edição: Lana Cristina

Municípios precisarão de mais 180 mil docentes para cumprir jornada obrigatória, diz CNM

Portal UOL Educação, 27/04/2011 

Da Redação em São Paulo
Com a aprovação da jornada de trabalho prevista na lei do piso nacional da educação - que prevê que docentes da rede pública devam utilizar 1/3 da carga horária para atividades extraclasse, tais como preparo de aulas e formação - os municípios brasileiros irão precisar contratar mais 180 mil professores. O dado foi levantado em estudo da CNM (Confederação Nacional de Municípios). O custo com as horas-atividades iria gerar custo de R$ 3,1 bilhões. Ao todo, a nova lei do piso impactaria em R$ 5,4 bilhões para os municípios, segundo a entidade. De acordo com o presidente da confederação, Paulo Ziulkoski, a Bahia seria o estado com maior custo adicional:R$ 754 milhões. Os cálculos foram estimados a partir da atualização do piso em 2011, com base nos valores efetivos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). O valor do Fundeb de 2010, divulgado em 7 de abril no Diário Oficial, serviu como base para estimar o valor do piso, que será de R$ 1.187,14 para a jornada de 40 horas semanais. 

Jornada de trabalho - Nesta quarta-feira (27), o STF (Supremo Tribunal Federal) considerou improcedente a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 4167, que ia contra a lei do piso do professor (lei 11.738, de 2008). No entanto, não foi dado "efeito vinculante" ao trecho relativo à jornada de trabalho docente - que determina que dois terços dela sejam destinados ao trabalho com os estudantes. No dia 6 de abril, por 8 votos a 1, o pleno reconheceu a constitucionalidade da lei. A votação da jornada, porém, foi adiada por falta de quórum. Hoje, na retomada do julgamento, houve empate de 5 a 5 na votação. Com a decisão "sem efeito vinculante" quanto à jornada, o ponto permanece válido, da mesma forma que está na lei, mas pode ser questionado novamente. Com informações da CNM

Professor tem de ficar 1/3 da jornada fora de sala, diz STF

O Estado de São Paulo, 27/04/2011 - São Paulo SP 
 
Segundo estimativas, as prefeituras terão de contratar mais 180 mil docentes 
Mariângela GallucciEstados e municípios sofreram nesta quarta-feira uma nova derrota no Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte manteve uma regra que garante aos professores da educação básica o direito de ficar fora de sala de aula durante um terço da jornada de trabalho. Os educadores devem usar esse período para desenvolver atividades de planejamento de aulas e aperfeiçoamento profissional. Conforme estimativas recentes da Confederação Nacional de Municípios (CNM), com a confirmação do direito dos professores de gastarem parte da carga horária com atividades externas, as prefeituras terão de contratar mais 180 mil professores para assegurar aos alunos quatro horas diárias em sala de aula. Isso representará um impacto de R$ 3,1 bilhões nas contas dos municípios. Só em São Paulo, a rede estadual, que já tem 243 mil docentes, terá de contratar outros 80 mil. No início do mês, o STF já havia imposto uma derrota às administrações estaduais e municipais ao julgar a ação movida pelos governos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará. Na ocasião, os ministros tinham confirmado a validade da lei que fixou um piso salarial nacional para os professores. O piso atual é de R$ 1.187,97, valor que pode ser elevado com o pagamento de acréscimos e benefícios. De acordo com estimativas da CNM, será de R$ 5,4 bilhões o impacto do piso nacional acrescido da necessidade de contratar mais 180 mil professores por causa da redução do período em sala de aula. No início do mês, na sessão em que validou o piso nacional, o STF não tinha chegado a uma conclusão sobre a divisão da carga horária dos professores porque o presidente da Corte estava na Itália, participando de compromissos oficiais. O julgamento foi concluído hoje, quando a votação terminou empatada em 5 a 5. Nesses casos de empate, há um entendimento do STF segundo o qual a ação deve ser julgada improcedente. O ministro José Antonio Dias Toffoli, que poderia desempatar o julgamento, não pode votar porque no passado atuou no processo como advogado-geral da União. Toffoli foi advogado-geral no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar da decisão de hoje, o Judiciário poderá analisar novamente as regras que fixaram a divisão da jornada de trabalho dos professores. Isso porque não foi formada uma maioria na votação. Dessa forma, o resultado do julgamento não teve um efeito vinculante e o assunto poderá ser debatido de novo no futuro durante o julgamento de ações movidas por outros Estados ou municípios.


O modelo de professor ideal

A Notícia, 28/04/2011 - Joinville SC

Hoje, no Dia da Educação, campanha reforça a importância de um bom educador. Diante da lousa, com a autoridade de quem detém o saber, o professor discursa. Quase em silêncio, os alunos escutam. Não há brecha para questionamentos nem discussões. Corriqueira algumas décadas atrás, a cena descrita já não existe mais. Ou, se existe, está com os dias contados – assim como a figura daquele velho educador. Com o século 21, não por acaso batizado de “século do conhecimento”, nasce um novo mestre. Com o objetivo de valorizá-los, o movimento Todos pela Educação acaba de lançar uma campanha de mobilização, que a partir de hoje – Dia da Educação – ganha destaque na mídia nacional. Com o slogan “Um bom professor, um bom começo”, a intenção é reforçar a importância desses homens e mulheres e pressionar por melhorias.

“O professor tem uma posição estratégica no século 21. Só que ele também precisa ser valorizado, e isso inclui salários iniciais atraentes, plano de carreira e melhores condições de trabalho. Sem isso, não basta ter brilho nos olhos e, como a gente diz aqui no Nordeste, fogo nas ventas”, diz Mozart Neves Ramos, professor da Universidade Federal de Pernambuco e conselheiro do Todos pela Educação. Mais do que simples transmissor de conteúdo, esse novo profissional atua como um guia. Em meio à avalanche de informações despejada a cada segundo sobre crianças e adolescentes, é ele quem indica o caminho. Trata-se de um tutor, que dialoga e provoca. Tem paixão pelo que faz, continua estudando, preocupa-se em falar a mesma língua dos pupilos e nem de longe é um analfabeto digital. Nesta reportagem, especialistas apontam as principais qualidades de um bom educador.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Perseverância...

Roteiro de Trabalho

25/04/2011 09:29

Comissão do Plano Nacional de Educação define roteiro de trabalho

A deputada Fátima Bezerra, presidente da Comissão de Educação e Cultura, ressalta a importância de uma Comissão Especial para se discutir o tema em entrevista àRádio Câmara.
comissão especial criada para analisar o Plano Nacional de Educação (PL 8035/10, do Executivo) se reúne nesta terça-feira (26) para definir seu roteiro de trabalho. Instalada no último dia 13, a comissão analisa a proposta de política educacional do governo para o decênio 2011-2020.
O projeto prevê que 7% do Produto Interno Bruto (PIB) deverá ser investido em educação ao longo desse período. Esse mesmo percentual já estava previsto no PNE anterior (2001-2010), mas entidades que atuam na área afirmam que a meta não foi cumprida. Pelos cálculos do Ministério da Educação, a implantação do novo plano custará R$ 80 bilhões. A edição de um novo Plano Nacional de Educação a cada década está prevista na Constituição.
A reunião da comissão, presidida pelo deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) e cujo relator é o deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), se reúne às 14h30, no plenário 10.

Íntegra da proposta:

Da Redação/PCS

Josh Billings

Revista Gestão Universitária, Edição 269


A função da escola no desenvolvimento e reconhecimento das competências profissionais 
Jurandir dos Santos

Entre inúmeros conceitos, o desenvolvimento de competências pode ser interpretado como a faculdade de mobilizar e colocar em ação diferentes recursos para solucionar com eficiência e eficácia uma série de situações. Faz-se necessário que o sujeito conheça e saiba fazer bem a sua atividade, em determinada categoria profissional, além da possibilidade de mudar a sua atitude e os seus valores, bem como interferir positivamente no seu contexto social. A competência não está estabelecida e também não é algo estático; é construída cotidianamente, ajustando-se ao comportamento dos indivíduos a partir de um ideal a ser alcançado. Dessa forma, vamos nos tornando competentes. Pode ser desenvolvida por meio da experiência adquirida no trabalho ou por meio de um processo sistematizado e vinculado à educação, cuja característica principal consiste na elaboração curricular baseada no referencial de competências. Exige, ainda, atitudes e posturas mentais, curiosidades, paixão pelo que se está aprendendo, busca designificados coerentes, organização de laços e relações com outras esferas do saber, relação com o tempo, união entre intuição e razão, cautela, audácia, que nascem tanto da formação como da experiência vivida. 

A definição de competência se expressa como experiência profissional de quem conhece tão bem seu meio e a produção do seu trabalho que pode antecipar suas reações, ou seja, que dificilmente pode ser dominado e automatizado. As competências, de um modo geral, definem conhecimentos, habilidades, valores e qualidades contextualizadas, de forma que os saberes são mobilizados a fazer frente a um novo problema e a uma nova situação. Dessa forma, sempre encontraremos as competências associadas às capacidades do sujeito de defender satisfatoriamente suas habilidades, despertando, sempre que necessário, os recursos intelectuais, cognitivos e socioafetivos. A noção de competência se refere às situações que exigem a tomada de decisão ea resolução de problemas, de modo que possuir conhecimentos ou capacidades não é sinônimo de possuir competências, uma vez que só podemos conhecer regras de gestão contábil e não saber aplicá-las no momento oportuno. 

Essa concepção sustenta a ideia de que o sucesso na escola não pode ser um fim em si mesmo. Apesar das etapas propostas para o aprendizado formal, tem ainda a função de preparar os alunos para as demais fases subsequentes, fazendo que eles sejam capazes de mobilizar suas aquisições além dos limites que a escola pode oferecer. Ser competente é se sentir desafiado para aprender a aprender, ter atitude empreendedora, senso de responsabilidade, espírito crítico, autoconfiança, crescente autonomia, honestidade e comportamento ético. Tudo isso, aliado aos conhecimentos e habilidades, compõe o perfil esperado no desenvolvimento dos alunos. Eis o nosso desafio!


"Não se pode ensinar tudo"

Portal IG Educação, 23/04/2011

diz especialista português

Para Antonio Nóvoa, aprovação de muitos novos conteúdos atrapalha escola no ensino do que é fundamental

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo


Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, na Suíça, e em História por Sorbonne, na França, o atual reitor da Universidade de Lisboa, o português Antonio Nóvoa, é considerado uma referência em

ensino e aprendizado. Em suas palestras pelo mundo – e pelo Brasil - tem defendido que os conteúdos excessivos atrapalham o processo por não permitir reflexão e aprofundamento nem das novas disciplinas e nem das que já eram

tradicionais. No caso dos novos temas impostos às escolas brasileiras, ele aprova a inclusão de música que julga “estruturante”. No mais, acha que o professor precisa ter formação e liberdade de escolha. Leia entrevista:




iG: Nos últimos anos, o Brasil incluiu mais conteúdos no currículo da escola básica. O que o sr. acha disso?

Antonio Nóvoa: Tudo depende do tipo de conteúdos. Não se pode ensinar tudo. O fundamental é ensinar o que é estruturante na formação de um jovem, o que lhe permite ler e analisar o mundo, o que lhe permite continuar a aprender, o que lhe dá as bases para uma educação pela vida afora.




iG: Entre os que entraram estão cultura africana e educação financeira e, em agosto, música passa a ser obrigatório.

Nóvoa: O conhecimento das culturas do mundo e, sobretudo, a capacidade de estimular o diálogo entre elas é absolutamente fundamental. Uma das grandes missões da escola é ensinar as crianças a se comunicarem umas com as outras. Mas não creio que a cultura africana, ou qualquer outra, devam ser automatizadas. O mesmo se poderá dizer da educação financeira. Situação totalmente distinta é a música. Aqui, sim, estamos perante um conteúdo que é estruturante da educação das crianças e dos jovens. A música é um elemento central da cultura e da formação das novas gerações.




iG: Como Portugal, Europa e o mundo de forma geral lidam com essa equação de ver cada vez mais conteúdos a ensinar?

Nóvoa: Ninguém lida bem com isso. Todos nos queixamos de que os programas e os currículos são excessivamente extensos. Mas todos nos dedicamos a acrescentar dia após dia mais matérias, mais conteúdos, mais disciplinas. É uma insensatez.




iG: O Brasil ampliou o tempo de educação obrigatória, que ia dos 6 aos 14 anos e agora vai dos 4 aos 17 anos. Isso significa criar condições para que todos os conteúdos sejam dados de forma adequada?

Nóvoa: Não. Esse alargamento é muito importante e acompanha as evoluções mundiais. Mas, por si só, não resolve os problemas da organização do currículo, das disciplinas e dos conteúdos a ensinar.




iG: Professores e gestores que recebem a imposição da lei podem agir de que forma para promover a melhor educação possível?

Nóvoa: Não devemos ter quaisquer ilusões. As reformas, os programas, os conteúdos, a pesquisa e a gestão escolar são muito importante. Mas nada substitui um bom professor. É por isso que os professores devem ter uma excelente formação, que lhes permita agir com autonomia e independência, e bom senso, na escolha dos meios pedagógicos e dos conteúdos de ensino. Sem liberdade dos professores não há qualquer possibilidade de melhorar a educação nas nossas escolas





Música é um de sete novos conteúdos obrigatórios nas escolas

Portal IG Educação, 23/04/2011 


Conselheiros Nacionais de Educação dizem que só transversalidade das disciplinas permitirá introduzi-los 
Cinthia Rodrigues, iG São Paulo


Nos últimos quatro anos foram a crescentados ao currículo da educação básica mais sete conteúdos obrigatórios. Em 2007, uma lei introduziu direitos das crianças e dos adolescentes. Em seguida, em 2008, entrou história e cultura afro-brasileira e indígena. Logo depois, vieram filosofia e sociologia – estas como disciplinas para o ensino médio – e, ainda naquele ano, música. Em 2010, uma emenda somou artes regionais e um decreto estabeleceu educação financeira. Para cada novo componente foi dado um prazo de adaptação válido para escolas públicas e privadas. A obrigatoriedade do ensino de música começa no próximo mês de agosto, mas o Ministério da Educação (MEC) criou apenas este mês um Grupo de Trabalho para estabelecer a metodologia de implantação do conteúdo. Enquanto isso, algumas redes contrataram profissionais, outras investiram em projetos fora do horário de aula e a maioria ainda não se adaptou. Pela lei, não é necessária uma disciplina para música, mas apenas a introdução de conteúdos. Dessa forma, diferentes professores poderiam introduzi-la dentro ou fora do horário de aula. Liane Hentschke, professora de educação musical da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – instituição que é referência na área no País – defende que o mínimo seja um educador com formação específicae equipamentos musicais. “Dá para começar com o laboratório de informática e trabalhar softwares musicais com os quais as crianças já estão habituadas fora da escola, mas é importante ter um professor com consciência dos objetivos e que saiba introduzir outras músicas” afirma, acrescentando que depois de alguns meses também será necessário apresentar instrumentos. “É preciso ter pelo menos aparelho de som, DVD, televisão, instrumentos de percussão, de corda, tambores e chocalhos. Para usar a voz, é preciso um profissional que entenda de canto, não é só cantar”, explica. Ainda assim, ela defende que a música não ocuparia o tempo das disciplinas já existentes, pelo contrário, ajudaria a melhorar a compreensão delas. “Contribui para as capacidades de leitura, comunicação, sociabilidade, ouvir o outro, lógica, interpretação e ainda pode ser uma forma de incluir deficientes diversos”, argumenta. 

Solução é integrar - A integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), Clélia Brandão, lamenta que o estabelecimento de obrigatoriedade seja traduzido como um imposição de um componente sem conexão com os demais. “A música é fundamental desde a Grécia antiga e queríamos garantir que ela fizesse parte da formação dos jovens, ela agrega e serve para tornar a escola atraente. Agora vemos redes pensando no que dar de forma isolada, por série ou fora do contexto das outras áreas, isso é um modelo falido”, diz. Para ela, a música deveria integrar turmas diferentes e fazer parte de projetos com conteúdos de várias áreas. “A gente tem sido tradicionalista, tratando o aprendizado como uma série de pedacinhos, isso torna difícil acrescentar algo novo, a sonoridade deveria ajudar a unir e não entrar como outro conteúdo separado”. Ela espera que a equipe formada este ano possa esclarecer este “mal entendido”. “A escola tem que ousar ou estamos perdendo tempo.” 

Outro conselheiro, José Fernandes Lima, critica a criação de muitos conteúdos novos. Relator de uma proposta de mudança no ensino médio que daria autonomia às escolas para montar suas grades curriculares, ele diz que os conteúdos devem ser dados de forma integrada e que o próximo passo seria tornar mais difícil a imposição de componentes. “Precisa estabelecer que direitos humanos são conteúdo? E educação a favor da diversidade? São coisas que a escola precisa ensinar pelo exemplo e o tempo todo, casos assim não devem ser colocados como componentes sob o risco de serem tratados apenas na aula específica do assunto.” 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Como usar tecnologia para promover mais estudo entre os alunos


Já virou lugar-comum afirmar que os jovens de hoje são hiperconectados, que vivem online e que estão sempre com seus amigos na rede. Os professores, muitas vezes, sentem-se acuados, acreditando que vivem em um mundo à parte dos alunos, no qual não conseguem entrar. Ou, por outro lado, tentam se relacionar com seus alunos nas redes sociais (como Orkut e Facebook) ou por comunicadores instantâneos (MSN e Skype, entre outros), para se aproximarem mais dos alunos. 
     Na verdade, professores, assim como qualquer pessoa, têm todo o direito de decidir legitimamente se querem entrar em redes sociais ou não, e se querem falar com tal pessoa em determinado momento por meio do comunicador instantâneo, ou não. Não precisam sentir-se intimidados por não estarem nas redes sociais, nem obrigados a se comunicar com seus alunos nas horas vagas por esse meio. Por outro lado, se gostarem, podem se encontrar com os alunos ali, lembrando que tudo o que registrarem na internet para seus alunos não será lido como postagem de qualquer pessoa, mas de um professor. Portanto, cuidado com o que se diz aos alunos na web!
     Mais do que discutirmos longamente se devemos ou não nos comunicar com os alunos no espaço virtual ao qual estão acostumados, seria relevante levantar bons motivos para um professor fazer isso. Ou seja: devemos observar se esse contato com os alunos promove mais estudo e aprendizagem, que é o que um professor deve promover quando interage com seus alunos.
     Existem muitas maneiras de promover mais estudo por meio da internet, que os jovens adoram e que, consequentemente, é o espaço em que podemos encontrá-los com muita facilidade fora do horário da aula. Professores podem abrir canais online, no mínimo, para sugerir materiais de consulta. Para tanto, podem criar um site, um blog ou usar as famosas redes sociais e comunicadores instantâneos. Cada professor pode fazer o que preferir.
     Fazendo isso, o professor pode exercer sua função docente, com muito conforto, competindo legitimamente pelo tempo dos alunos na rede. Quais seriam as vantagens disso? Tomando a si a tarefa de recomendar conteúdos aos seus alunos, o professor consegue direcioná-los a materiais de melhor qualidade, e ainda acrescentar seus próprios comentários sobre os links recomendados.
     Por incrível que pareça, alunos tendem a gostar das recomendações de professores quando se tratam de materiais da rede. Os pais dos alunos também confiam nos professores quando o assunto é internet e se sentem seguros quando sabem que seus filhos estão acessando material indicado pelos seus mestres. Além de direcionar os alunos a materiais de qualidade, essa prática também tem a vantagem de incentivar que eles leiam mais, que se dediquem a tarefas mais relevantes do que puramente ao lazer e relacionamento social na rede. Como não há limite de tempo e de espaço na internet, o professor também pode indicar conteúdos indiretamente relacionados com a sua disciplina ou, simplesmente, interessantes.
     Com essa prática, o professor mostra aos alunos que está atualizado, que está na rede, e que sabe o que se passa ali. Ele também encontra os alunos exatamente onde eles passam a maior parte dos seus dias. Vale a pena. Afinal, uma das maiores vantagens da internet para a aprendizagem é que ela amplia o tempo de estudo de muita gente. Vamos aproveitar essa vantagem!


     Texto de Betina Von Staa, doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ela também será uma das palestrantes do 18º Educador (Congresso Internacional de Educação), programado para maio, em São Paulo (SP), cujo tema de abordagem será “Analfabetos Digitais Funcionais? A Formação de Professores e o Trabalho com as Tecnologias e Mídias Educacionais”.
E-mail: betinastaa@gmail.com
Colaboração Poliana kalinca will Eger

sábado, 16 de abril de 2011

Educar o educador


(In: Gullar, Ferreira. Indagações de Hoje. Rio de Janeiro, José Olympio, 1989. pp. 152-157)




Não sou um educador, não sou um especialista em educação. Não é, portanto, nessa condição que vos dirijo a palavra na abertura deste congresso. Meu trabalho e minhas indagações se voltam principalmente para o campo da arte e da literatura. Sou às vezes poeta. O convívio com a arte e a poesia situam-me, de certo modo, à margem de uma civilização que se apóia cada vez mais no conhecimento técnico e científico. E esse modo de conhecimento tem ganho terreno também no âmbito das artes, ora influenciando os seus instrumentos de análise ora o próprio processo criador. Acredito que a ciência e a técnica são meios necessários e imprescindíveis para a solução de muitos problemas do mundo atual, inclusive de alguns gerados pelo próprio desenvolvimento desses meios. Mas não os considero absolutos nem exclusivos, pois teimo em acreditar que há zonas da experiência humana em que o conhecimento se gera e elabora independentemente da ciência e da sofisticação tecnológica.
Não há nenhuma novidade em dizer que o modo de conhecimento estético difere do modo de conhecimento científico e mesmo do modo de conhecimento filosófico. A arte, a poesia são na verdade expressões questionadoras de todo o conhecimento estabelecido e até mesmo do próprio conhecimento estético. O artista é um questionador permanente da cultura, muito embora isso não implique uma atitude niilista com respeito à cultura. É uma atitude tacitamente crítica, porque privilegia a experiência existencial, afetiva, em face do mundo conceitualizado. Sem conceituar a realidade, sem descobrir-lhe as leis, as regularidades, o homem não teria construído a civilização. A conceituação é a busca da estabilidade e do equilíbrio. Mas implica um distanciamento com respeito à realidade objetiva e subjetiva, que mudam incessantemente. Por isso os conceitos mudam. A história da cultura é a incessante atualização dos conceitos em face das descobertas e das transformações que a prática humana realiza. Desse modo, o cientista, o filósofo, o sociólogo também questionam a cultura, mas diferentemente do poeta e do artista. Aqueles querem substituir um conceito por outro conceito. O artista não. O artista questiona a própria conceituação da realidade. Ele se nega à generalização que dissolve a experiência vivida no conceito abstrato. O seu modo de conhecer é um incessante recomeçar. Como a vida mesma. A história do homem recomeça em cada novo indivíduo que nasce. Mas a civilização não recomeça com ele. E a cada dia, o novo indivíduo que nasce encontra uma sociedade mais complexa na qual terá que se inserir. A inserção do novo indivíduo na sociedade é tarefa da educação.

Alma de educador



Mariana Branco

Na edição 133 da revista Profissão Mestre, a seção “Destaque e use” apresentou um relato histórico e emocionado de Paulo Freire, que havia sido revelado durante entrevista ao Jornal dos Professores, do Sindicato dos Professores de São Paulo. Lançamos o desafio para que os leitores da Profissão Mestre também contassem as suas histórias de vida como docentes. Os autores das experiências mais marcantes foram premiados com um relógio e um DVD Gerenciamento de Sala de Aula. Essas histórias você confere a seguir. 



Missão de ensinar
Acho que nasci com “alma de educador”. Minha vida sempre foi uma constante aprendizagem. Órfã de pai aos oito anos, não foi fácil alimentar o sonho de crescer e se realizar. Minha mãe, semianalfabeta, foi trabalhar de servente numa escola. Não sei se entrei na escola ou a escola entrou em mim. Só sei que nunca mais me afastei dela. Estudei. Trabalhei. De aluna passei à servente (tal como minha mãe), assistente-administrativa, secretária e quase diretora. Larguei tudo para ser professora. Apaixonei-me. Descobri a importância de acreditar nos sonhos e não sonhar sozinha. Ciências. Biologia. Matemática e até Ensino Religioso. Continuo apaixonada. Já faz quase 25 anos. Hoje, sou professora PDE-2009, com duas pós-graduações, concluindo a terceira. Continuo estudando e apaixonada pela missão de ensinar. Afinal, aprender a aprender nos torna a cada dia um aprendiz do futuro.
Iracilda dos Santos Araújo, professora de Ciências/Biologia do Colégio Estadual Marechal Costa e Silva – E.F.M., de Cidade Gaúcha (PR).

Superando receios
A minha vida como educador começa quando tive que fazer o Magistério, pois, no meu município, não tinha o colegial. Essa opção foi para preencher o tempo e não ficar à toa. Quando iniciei os estudos, não levava muito a sério. Comecei a gostar dessa área quando a professora de Didática começou a me incentivar, e também comecei a fazer o estágio. O Magistério abriu um novo campo de trabalho na minha vida, tanto pessoal como profissional. Sempre tive dificuldade em falar e ler em público. Com a ajuda da educadora que ministrava as aulas de Didática, pude superar um pouco esse medo e colocar os meus conhecimentos em prática. Comecei lecionando na zona rural; trabalhei em uma escola rural durante 8 anos. Depois que a escola fechou, tive que lecionar na cidade. Tenho vários cursos, Normal Superior e duas pós-graduações (de Educação Inclusiva e Gestão Educacional). No momento, estou lecionando com uma turma do 3º ano (2ª série), na parte da tarde. Esse ano, estou fazendo o curso Ler e Escrever e também estou me capacitando para trabalhar com o AEE, no ano que vem.
Além disso, faço um trabalho voluntário na escola onde leciono. Na parte da manhã, fico na biblioteca como auxiliar, das 8h00 às 10h00 e, no horário das 11h30 às 12h50, atendo alunos com dificuldades de aprendizagem e também alunos com necessidades especiais. Esses alunos atendidos por mim são da minha turma que leciono. Para ser um bom educador, é preciso, antes de mais nada, gostar do que faz. Ver o educando como um ser humano, amá-lo, acreditar nas suas potencialidades e aprender com as suas dificuldades.
Marco Aurélio Ferreira Eliziário, professor da Escola Municipal de Ensino Fundamental "Capitão Leovigildo Silvério Gomes dos Reis", de São José do Barreiro (SP).

Paixão e propósito
Agradeço a Deus pela oportunidade de ser professor voluntário de Informática e Recursos Humanos. Fazer bem ao próximo é muito gratificante. Venci a barreira da má dicção por ser portador da síndrome de Wilson, com exercícios de natação e fonoaudilogia. Aprendi que a fala não depende só da respiração, mas da harmonia de todo o corpo. Posto isto, encarei esse obstáculo. No início foi difícil, mas venci sempre com um sorriso. Numa competição de natação, 10 nadadores. O prêmio é só para os três primeiros, mas os perdedores sabem que o importante é completar a prova. “Quando você estiver lutando por algo, vá até o fim.” Sofri muita rejeição e preconceito, mas isso me levou à busca do aprimoramento nos estudos para ser alguém na sociedade. Atualmente, trabalho no STJ (concursado), sou pós-graduado, pratico natação e ainda sou professor voluntario, dentre outros. Com a leitura frequente da revista Profissão Mestre, aprimoro meu conhecimento, pois temos que desempenhar uma tarefa que valorize o professor e o aluno. Destarte, é um desafio para ampliar e desenvolver habilidades. Porém, de nada adianta ler e não possuir comprometimento e paixão pelo que se faz. É preciso ter propósito. 
Renato Falcão Martins Pimentel, professor voluntário de Informática e Recursos Humanos, de Brasília (DF).

Sonho de menina
Olá, sou Sonia Regina, professora, e trabalho com ensino médio e fundamental. Já nasci professora e realizei este meu sonho aos 36 anos de idade, quando entrei para uma faculdade. Desde o colegial, eu ficava distraída na sala de aula, observando minhas professoras e me imaginando no lugar delas. Era no tempo da reguada, do castigo na sala escura e da cara virada para parede. Mesmo assim, eu amava minhas professoras, amava ir para a escola e amava estudar. Aos 18 anos, tentei a faculdade de Letras e, como eu havia descoberto que estava grávida, nem fui ver o resultado. Minha vida tomou outro rumo, mas o sonho de ser professora não foi deletado, apenas adiado. Aos 35 anos, depois de uma longa e dolorosa jornada de vida, resolvi tomar posse do meu sonho e ingressei na faculdade. Fiz licenciatura e, dois anos depois, fui para a minha primeira experiência em sala de aula. Foi o dia mais importante de minha vida. Quando me chamavam: professoraaaaa, eu ficava olhando em volta até me dar conta de que estavam falando comigo mesma. Quanta satisfação, foi o primeiro dia de minha vida em que me senti realmente realizada. Até me dar conta que eu consegui ser "professora", foi uma longa caminhada. Daí em diante, comecei a estudar e fazer cursos de Didática de Ensino e Práticas Pedagógicas, a fim de me tornar a melhor possível em sala de aula. Minha maior preocupação era ser entendida e entender meus alunos. Passei a me preocupar em conhecer cada um deles para analisar onde estavam suas dificuldades e como eu poderia ajudá-los. Hoje, a escola é minha vida, meus alunos são como se fossem membros de minha família. Considero-me uma professora de talento.
Sonia Regina Peixoto, professora de Juventude, Educação e Trabalho (JET) e de Geografia, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Major Alfredo Pedro Rabaioli, de Vitória (ES).


Vencendo as dificuldades
Nasci de uma família muito simples. Fui criada muito isolada e tímida; morria de vergonha de me expor e sofria muitos preconceitos por ser pobre. Mas, desde pequena, tinha na alma a vontade de ser professora. Para meus pais, era um sonho impossível, pois morávamos em um sítio distante de cidade. Sofri preconceitos e discriminações, mas lutei contra tudo e contra todos. Consegui me formar em 1993 e, em 1994, já estava na sala de aula. Vivo cada dia como único, buscando contribuir na formação dos meus alunos. Jamais desisti do meu sonho e, hoje, o realizo como um troféu, enfrentando cada obstáculo como um grande crescimento a minha vida profissional. 
Solidéia Falquete Mendes, professora.

Inspiração em forma de poema
Já a educadora Janette Kuczkowski Safanelli, professora do 4º ano do ensino fundamental I, da Escola Básica Municipal Ministro Pedro Aleixo, de Massaranduba (SC), expressou seu sentimento sobre ser educadora em forma de poema. Confira: 

Alma de educador 

Com um ano de vida,
Engatinhando
Ao meu redor
Estavam muitos objetos,
Eu não sabia qual pegar.
Uma brincadeira ou superstição,
O objeto que eu pegaria
Faria a revelação
Da minha futura profissão.
A caneta por mim foi escolhida,
Disseram que professora eu iria ser.
O tempo correu a passar...
Para o futuro poder dizer.
Na escola gostava de ir
Porque amava os meus mestres
Estimava os coleguinhas,
Ficava preocupada
Com aqueles que não aprendiam.
Cresci e decidi
Professora queria ser!
Foi dentro da escola
Que o desejo nasceu e amadureceu.
O silêncio
A sensibilidade
Calaram-me sempre.
Mas fizeram-me refletir
Que escola queria para mim,
Que escola queria para as crianças,
E descobri
Que é preciso observar, sentir e agir.
O mundo só se transforma
Quando as pessoas são felizes.
Para isso é preciso de amor
Aplicado nas matrizes.
Amor na família,
Amor na escola,
Amor na sociedade
Transformarão o mundo
Através dos pequeninos
Que assim tratados
Torná-lo-ão melhor:
Mais justo,
Mais cooperativo,
Solidário e cheio de paz.
Hoje não preciso só de caneta,
Minha jornada não tem ponto final.
Depois de ter engatinhado,
Caminho
Para fazer diferença
Na minha vida,
Na escola que trabalho,
Na minha sala de aula,
Com comprometimento e dedicação.
Piso no terreno da educação
Com vontade!
Não há espaço para amador.
É bom demais agarrar essa causa
Com coração e alma de Educador!


Editora-chefe das revistas Profissão Mestre e Gestão Educacional

Campanha todos pela Educação

vídeo todos pela Escola

O Todos Pela Educação lança nesta terça-feira, dia 12 de abril, sua nova campanha de mobilização sob o slogan “Um bom professor, um bom começo”, produzida pela DM9DDB, do grupo ABC. A campanha tem como objetivo a valorização do bom professor, aquele que tem o foco no aprendizado de seus alunos e que, assim, contribui efetivamente para a melhoria da qualidade da Educação no Brasil. 

“Um bom professor é aquele que sabe o conteúdo a ser ensinado e a maneira de ensiná-lo”, afirma Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação. “E esse profissional precisa ser valorizado, para que continue se desenvolvendo na carreira e que dê bons exemplos para seus colegas de trabalho”, completa Priscila. 

As peças da campanha seguem o mesmo conceito: em todas as conquistas, sejam elas grandes ou rotineiras, existe um bom professor. “Para traduzir a importância do ensino de uma forma lúdica, criamos anúncios que conversam com todos os públicos, passando por alunos, pais e professores, mostrando como o bom professor é essencial para formar um bom aluno”, comenta André Pedroso, diretor de Criação da DM9DDB.

A campanha contempla peças para todas as mídias: uma animação produzida pela Vetor Zero, em stop motion para TV (veja o vídeo no YouTube no início deste post), anúncios para jornais e revistas, banners para internet e spots de rádio.

“A ideia desta campanha é que as pessoas pensem sobre a importância de um bom professor em suas vidas. Aquele que ajudou, de fato, em seu aprendizado, que possa ter ajudado na opção por esta ou aquela profissão, que tenha ensinado importantes valores. O objetivo é chamar a atenção para a importância da valorização dos bons profissionais do magistério que contribuem efetivamente para a concretização do direito de todas as crianças e jovens de aprender”, afirma Priscila.

Brilhante

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Chaplin

Charles Chaplin

dia 16 de Abril  (1889), data de nascimento deste eterno ser humano: 


 Charlie Chaplin
"Pensamos demasiadamente. Sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade do que de máquinas. Mais de bondade e ternura do que de inteligência. Sem isso, a vida tornar-se-á violenta e tudo se perderá."

Assista o vídeo Discurso de Charlie Chaplin em "O grande ditador"
Também te arrepia? me  conta...

O professor existe, persiste ou apenas assiste?

Revista Gestão Universitária, Edição 268 

Instituto Federal de Mato Grosso do Sul - IFMS “Ninguém é professor sozinho, isolado” (NÓVOA,2003). 
Claudio Zarate Sanavria 
É comum se ouvir em uma roda de professores questionamentos e reclamações acerca da profissão, suas agruras, desafios e condições, principalmente na escola pública. Independente das categorias de ensino – particular ou público – o que se percebe é que o professor passa atualmente por uma crise de identidade. Pode-se dizer que esta não é uma questão atual, porém ainda é contundente e desafiadora. Historicamente a docência sofreu mudanças, juntamente com toda a sociedade. É importante salientar que o professor é fruto dessa sociedade, como afirma Pinto (1984), defendendo que quem educa o educador é a sociedade. A partir dessa afirmação, é fácil deduzir que toda a evolução da sociedade implica em mudanças substanciais no papel do professor. Sua prática, segundo Bello (2000), reflete a cultura e o contexto social do professor e é influenciada pelo modo como ele pensa e age. O professor se vê num momento em que sua profissão passa por profundas alterações, diante de uma escola voltada para o caráter empresarial, cujo objetivo primordial é a formação para o trabalho, numa sociedade hoje denominada sociedade da informação, direcionando o professor a uma certa obsolescência no que tange a exclusividade da palavra como recurso, como aponta Cunha (1999). Entretanto, seria o domínio tecnológico o único meio do professor se profissionalizar? 

Não se pretende aqui transformar a evolução das tecnologias da informação no grande vilão da história. Porém, o tratamento que se deu a mesma, em parte, diminuiu a importância da escola para os olhos da sociedade, que não consegue identificar o caráter de formação para a cidadania dentro do papel da escola e alimenta expectativas sobre o trabalho do professor que o levam a uma situação de extrema tensão. Como mencionado por Fiorentini (2001), do professor é esperada uma postura de animador, pedagogo, psicólogo, com atribuições que vão muito além do ensino. 

A escola não evoluiu no mesmo ritmo que a sociedade. O ensino ainda está muito distante das necessidades reais do indivíduo. O professor se vê numa situação onde é responsabilizado pelo fracasso escolar, porém não tem autonomia para desenvolver o seu trabalho. Sequer pode opinar sobre o conteúdo que ministra. Como Cunha (1999) afirma, existe uma separação entre quem decide e quem executa, o que também é observado por Giroux (1997) ao apontar a existência de uma abordagem tecnocrata para a preparação dos professores, onde os mesmos aprendem apenas metodologias que negam a necessidade de um pensamento crítico. É a chamada proletarização do trabalho docente. Bello (2000) defende que a falta de autonomia sobre o currículo é fruto das implicações sociais e históricas e Fiorentini (2001) chama de controle externo os mecanismos que predeterminam as orientações do trabalho do professor. A estas afirmações soma-se o fato de que, dentro da perspectiva neoliberal, o controle a alienação são prioridades para o Estado. Um dos questionamentos consiste em identificar até que ponto o professor têm consciência do seu papel. E se a tem, como se adaptar ao contexto no qual está inserido. 

Nóvoa (2003) afirma que “ser professor é o mais impossível e o mais necessário de todos os ofícios”. Neste aspecto pode-se dizer que o professor existe. Porém essa existência implica num esforço diário de reflexão e de partilha. O professor, segundo o autor, deve ultrapassar as barreiras do individualismo, também apontado por Cunha (1999) ao dizer que a intensificação do trabalho constitui um fator de isolamento, tirando o docente do convívio coletivo e gerando a falsa ideia de que a autonomia significa um isolamento individual. A chamada tradição escolar muitas vezes tolhe o professor naquilo que possui de inovador em sua prática. Fatores como as diversas tensões apresentadas por Fiorentini (2001) contribuem em muitos casos para uma situação de acomodação, onde o professor assume uma postura de neutralidade no processo de ensino. Neutralidade que, segundo Giroux (1997), não cabe à escola e muito menos à postura do professor. Ao assumir a postura de ser neutro, o professor apenas assiste. 

Fiorentini (2001) destaca que, “mesmo sob tensões permanentes, os professores lutam para o desenvolvimento de um trabalho digno e pela conquista de dignidade profissional”. Neste aspecto, o professor persiste. É a partir daí que se dá o desenvolvimento profissional do docente. No momento em que o professor assume uma postura de intelectual, capaz de não apenas executar planos, mas de opinar e transformar aquilo que ele transmite aos seus alunos. Não é fácil levar o professor a construir sua identidade. A história mostra que muitas vezes o eu trabalho passou por mudanças severas. De uma visão religiosa a uma perspectiva operária, seu prestígio social passou por altos e baixos. O título deste texto busca suscitar a curiosidade sobre a postura atual do professor. Na realidade o professor deve existir, persistir e assistir. Porém este último não no sentido de contemplar o ensino como expectador, mas no de contribuir no processo de desenvolvimento social do meio ao qual está inserido. 

E você? No que acredita?