sábado, 11 de abril de 2020


E se?

"E se as crianças perderem o ano escolar
E se em vez de aprender matemática aprenderem a cozinhar?
Costurar suas roupas? Limpar?
A cultivar uma horta no quintal?
Se aprenderem a cantar músicas para seus avós ou seus irmãos mais meninos?
Se aprenderem a cuidar dos seus animais de estimação e a tomar banho?
Se desenvolverem sua imaginação e pintarem um quadro?
Se aprenderem a ser mais responsáveis e conectados com toda a família em casa?
Se nós os pais os ensinamos a ser boas pessoas?
Se aprenderem e souberem que estando juntos e saudáveis é muito melhor do que ter o último celular de moda?
Talvez isso nos falta, e se eles aprenderem, talvez não perdemos um ano, talvez ganhemos um tremendo futuro."

Fb. Casa da árvore

sábado, 4 de abril de 2020

Um baita texto

A revolução na Educação Infantil está batendo na nossa cara. Vai encarar?

Foi preciso uma pandemia para a sociedade começar a pensar o lugar da escola de Educação Infantil. E que lugar é esse? Com certeza não é o lugar da escola do século passado, onde os adultos de hoje estudaram e agora exigem as mesmas atividades para suas crianças. A escola não pode mais ser a mesma. O mundo está em transformação. É tempo de refletir muito sobre isso.
Sobre as atividades online na educação infantil
O cenário é esse: diante do inesperado, o Estado e toda a rede privada, que não tinham e nem viviam uma cultura digital, de repente se veem pressionados pelo sistema e lançam mão de oferecer “qualquer coisa online” como atividade escolar para as crianças, afinal, essa é a demanda do momento. O incrível é que em grande parte das creches e escolas públicas e particulares, esse universo digital ainda é algo bem distante da realidade em que se encontram. E para agravar o cenário, surge uma grande histeria pedagógica na Educação Infantil em torno desse movimento digital e da necessidade de se fazer atividade on-line.
No meu trabalho com a Formação docente tenho recebido pedidos de professores desesperados porque a escola exige atividades digitais para as crianças de 0 a 6 anos e eles não sabem o que fazer. Por outro lado, as famílias, em sua grande maioria as mães, não estão entendendo a demanda de fazer atividades para e com os pequenos. Não da forma descontextualizada que está sendo proposta.
Qual o sentido de tudo isso?
Se antes não fazia o menor sentido pensar na educação infantil como etapa preparatória do ensino fundamental, agora, muito menos. É hora de entender de vez o lugar da Educação Infantil na Educação Básica desse país.
Temos no Brasil importantes marcos legais que preservam os Direitos das Crianças, temos as Diretrizes, DCNEI e também a BNCC, uma proposta de currículo para a Educação Infantil que preserva os Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento de bebês e crianças até 6 anos por meio de Campos de Experiências. A Rede Nacional Primeira Infância, por meio de um documento enviado ao Conselho Nacional de Educação reafirma o lugar da Educação Infantil e a garantia dos direitos das crianças descartando práticas de educação à distancia. Portanto, não há lógica que justifique escolas enviando “para casa online” e pais fazendo as atividades (daquele tipo que conhecemos bem dos livros didáticos) dos filhos.  Não é essa a função da Educação Infantil.
Como as crianças aprendem na Educação Infantil?
Na Educação Infantil as crianças aprendem em interação com outras crianças, estão descobrindo e pesquisando sobre o mundo, precisam de relações desafiadoras, precisam de ter tempo, espaço e materiais para suas descobertas, de se envolver e resolver os próprios conflitos em interações com os outros. Essa é verdadeira função da escola de educação infantil, promover aprendizagens relacionais, reais e significativas. Aprendizagens que dificilmente uma atividade “ligue, risque e copie no papel ou on-line” podem promover. A educação infantil é por excelência, o campo das relações. É tempo de repensar e reconstruir essas novas relações! 
É o momento de refletir com sensibilidade e profundidade sobre a cultura da infância, sobre o acompanhamento e parceria das famílias, o papel do trabalho estruturador dos professores e da escola de educação infantil, sobre a utilização de tecnologias e sobre o momento atual, em que uma parcela das pessoas e instituições ainda permanece inerte frente as mudanças no planeta. Não há como continuar a ser do mesmo jeito.  Não dá para ficar parado.
É urgente lançar um olhar profundo sobre os processos que se dão nas escolas, especialmente na educação infantil, que é meu lugar de fala, tendo como ponto de partida os documentos legais, as Diretrizes e a BNCC bem como os teóricos da infância, a fim de compreender a escola, sua organização, a relação com as famílias e o trabalho docente diante desse novo contexto. A visão da escola, dos professores e das famílias sobre as crianças precisa mudar. É urgente!
Enquanto isso, a sugestão é provocar o debate pedagógico na sociedade. 
Nas escolas
As escolas estão muito incomodadas, entendendo que se aproximar das concepções de um currículo mais aberto com princípios das pedagogias ativas e considerar nas práticas a cultura digital pode ser o caminho. Tanto na rede pública, quanto na rede privada, novas políticas para promover a participação das famílias, os investimentos na Formação de Professores e na materialidade serão fundamentais nesse processo e devem ser efetivas na diminuição das desigualdades. Para quem já possui as condições necessárias, telefonar ou fazer Hangouts com as famílias , convocar a conversa, exercitar a escuta de todos e se posicionar é premissa nesse momento. Escolas vão ter que se reiventar e será incrível essa transformação!
Nas famílias
Às famílias devem estar mais presentes, apoiando as escolas, entendendo mais sobre os currículos e propostas, participando da vida ativa e ajudando na construção de uma comunidade escolar. Só para lembrar: na educação infantil não há obrigatoriedade de atividades do estilo tradicional Para Casa. E no ensino Fundamental, a atividade é para criança fazer com autonomia, não é para os pais.
Com as crianças!
Crianças estão construindo saberes e buscando entendimento de todas as coisas. É sempre importante falar a verdade, explicar e responder as perguntas de forma simples e direta. Cada criança possui uma realidade que é única e é a partir dela que compreende as relações e as formas de ser e estar no mundo portanto, esse é um momento excelente para a família atuar de forma mais compartilhada. Se na escola a organização dos tempos e espaços traz segurança e conforto, essa rotina também é aconselhável em casa. Ter tempo de brincar livre e na medida da autonomia de cada criança, ter um tempo de ajudar na vida doméstica, de cuidar da sua higiene e alimentação, de interagir com colegas no universo digital, de ficar com os adultos, de ver tv, de ficar a toa. Cuidada e protegida como toda criança tem direito, independente de pandemia. Rotina é sempre fundamental para os bebês e crianças. E para os adultos também, não é mesmo?
E as(os) professoras(es) da infância?
Aos colegas professores da infância digo que não são poucos nossos desafios. A valorização docente, as condições de trabalho e todas essas mudanças provocam desânimo. Procure estudar e crescer com esse momento, há muito conteúdo gratuito de qualidade sendo ofertado. Assuma seu lugar de protagonista sua transformação!
Sobre o trabalho que foi interrompido, pense que é hora de descentralizar a ação docente, buscar entender verdadeiramente seu trabalho e principalmente, a criança. Quais os interesses e pesquisas que seu grupo estava fazendo? Como apoiar esses processos de modo virtual nesse momento de pandemia? Como estavam começando a construir as relações de afeto? Quais músicas podem relembrar e cantar juntos? Quais histórias preferidas, as que criaram as memórias afetivas com a meninada?
Reflita, fortaleça os vínculos e busque a conectividade com os pequenos e com as famílias. Está tudo bem não saber o que fazer nesse momento de caos. O lado bom é que há experiências interessantes acontecendo. Vamos descobrir juntos nosso caminho, buscar ajuda, apoiar as famílias, os colegas, as escolas e atuar nessa grande rede de relações.
É hora de acompanhar o movimento do mundo, construindo o respeito e a confiança nas crianças. A revolução da educação infantil está batendo na nossa cara. Vai ficar parado ou vai encarar?
#vemqueeuteajudo

https://fernandaclimaco.com.br/884-2/

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Eu descobri cedo a minha missão

A educação formal faz parte da minha vida desde antes de eu nascer.  Minha mãe Cecilia Marangoni trabalhou 30 anos, se aposentou como professora e fez história.
Marcou com ensinamentos e amor a vida de muitas pessoas.

Foi com ela que aprendi a ler e escrever as letras,  isso aos 4 anos de idade. Também foi Ela responsável por muitas das minhas leituras de mundo e do amor que dedico ao que faço.
Esta  missão nasceu comigo  eu me realizo fazendo educação.
Tenho um ORGULHO tremendo de dizer, sou PROFESSORA.

Ainda criança "dava" aulas para ursos e bonecas.
Fiz magistério,  pedagogia e quatro especializações,  que aliás,  precisam ser refeitas diariamente através de pesquisa e leitura.  Reflexão e ação.

Dos trinta  anos de trabalho,  quinze foram na gestão e quinze no chão da sala.  Tive o prazer e a oportunidade de trabalhar com muita GENTE boa, com a educação infantil,  o ensino fundamental (AMO, alfabetizar,  para o letramento e para o mundo), fiz palestras,  ministrei cursos,  formação de professores,  fui tutora da pedagogia projeto da UDESC,   algumas disciplinas em cursos de pós graduação, preparatórios para concurso,  enfim... transitei em muitos espaços educacionais.  De todos eles eu trago comigo amigos,  experiências e aprendizado. 
Eu sempre  aprendi mais do que ensinei.

Amo fazer  gestão! Ela exige da gente  firmeza,  esperança e encantamento.
Nem sempre somos bem entendidos.
Precisa equilíbrio emocional para lidar com isso.  Precisa motivar as pessoas e dizer a elas todos os dias que é possível, que elas são capazes,  que elas podem fazer mais e melhor.  Que tem  direitos e deveres.  Que tem jeito,  que para algumas crianças, elas são a única saída.  Que  depende  mais do professor do que de qualquer outra força. (Eu sei o quanto isso é forte!) Que elas fazem muito!

Na gestão me ouriça a falta de recurso, a falta de cumprimento da legislação,  que por ventura no Brasil é extremamente bem escrita,  a falta de participação efetiva de alguns  atores do processo.
Eu sei bem,  onde aperta muitos dos "calos".

A gestão precisa de gente que estude muito,  tenha paciência de ensinar e queira aprender de forma democrática,  no real sentido da palavra.
Precisa de coragem!

No chão da sala,  do pátio,  do parquinho e de todos os arredores, é  o lugar onde mais  me identifico com a minha missão.
A educação infantil é a menina dos meus olhos.
Onde meu coração dispara de alegria,  onde tudo é muito autêntico e verdadeiro.
Onde podemos começar em terreno fértil.

É possível!!!! É isso que eu quero dizer.
 Assim como eu dizia todos os dias!
Eu venho afirmar é desafiador,  existem muitas forças contrárias, precisa persistência,  formação e AMOR mas é POSSÍVEL fazer educação com encantamento e alegria.

Fazer educação com leveza,  com planejamentos e avaliação adequados a este momento histórico,  com interações eficientes e não com atividades estéreis ou cumprindo modelos ultrapassados.
É possível ser um professor que faz diferença positiva no mundo. Eu conheço tantos,  que fazem!

Acredito e luto todo santo dia para espalhar esta minha crença à  todas as pessoas com as quais eu tiver o prazer de conviver.

Vamos refletir,  vamos agir e fazer ainda melhor depois desta pandemia.
Nós fazemos parte do grupo de pessoas que podem melhorar o mundo.



Quando as aulas voltarem

Quando as aulas voltarem eu não quero que tenha “aula”

Que as escolas mandem na agenda o seguinte bilhete: venham com roupa que possa ser rasgada, para que elas possam ralar os joelhos e cotovelos de tanto rolar na terra; que comam tatu-bolinha; que tomem banho de mangueira e muito, muito sol; que façam penteados malucos; que dancem muito e joguem bola até caírem exaustas no chão.


https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/volta-as-aulas-pos-coronavirus/

Novo Piso Salarial 2024

  A luta está em torná-lo  real no holerite dos profissionais