quarta-feira, 8 de abril de 2015

Professor: educador ou opressor?


É preciso algumas vezes dizer verdades. Verdades que estão na nossa frente e a gente se nega a enxergar ou questionar porque é mais fácil aceitar. Estou falando das relações entre professores e alunos. Fora a questão de ensino-aprendizagem, existe a questão do RESPEITO. Respeito pelo professor e pelo aluno. Sim, estou aqui hoje defendendo os alunos. Defendendo é a palavra certa. Os alunos, muitas vezes, são desrespeitados pelos professores escancaradamente e todos se calam.
Professores que gritam com os alunos ou os fazem passar vergonha na frente de toda classe, por favor, continuem lendo se quiserem mudar (espero que queiram!).
Existe uma listinha bonita que fala sobre o que aprendemos no jardim de infância (encontrei a lista aqui) e eu gostaria de destacar dois itens que todos os professores deveriam levar muito a sério: respeite o outropeça desculpas quando machucar alguém. Nós todos sabemos que os professores sempre "ensinam" essas regrinhas de convivência aos nossos filhos, mas será que são colocadas em prática pelo próprio profissional? As crianças têm uma sensibilidade enorme para perceber que a professora faz exatamente o contrário do que diz e, sendo assim, esses valiosos ensinamentos que estão apenas sendo ditos e não vividos, perdem muito de sua força.
É muito mais fácil para o professor manter o controle da classe na base do grito, da opressão e do autoritarismo. Percebam que autoritarismo não é o mesmo que autoridade. O professor deve, sim, exercer sua autoridade (é preciso, inclusive), mas é essencial que ele tenha em mente que é imoral silenciar a voz do aluno. É difícil, mas essencial, exercer a tolerância.
Assim como a liberdade do aluno precisa de limites para que não se perca na libertinagem, a voz do professor também necessita de limites éticos para que suas palavras não se tornem agressivas e machuquem os alunos. É preciso respeitar o negro, o deficiente físico, o homossexual e é preciso e urgente respeitar o ser humano em todas as esferas.
Imagine na cabeça de uma criança: "eu não posso gritar com meu amigo, mas minha tia (a professora) pode gritar comigo e com qualquer amigo meu". Isso é repugnante. E acreditem: as tias, sim, aquelas tias boazinhas que te chamam de mãezinha quando você vai pegar seu filho na escola gritam em sala de aula. Sim, elas colocam aqueles pequenos serzinhos (não interessa se são bagunceiros ou não) contra a parede e dizem coisas horríveis aos berros. E esse terrorismo é considerado uma forma de educar. Para mim, não passa de uma forma de adestrar e amedrontar.
O problema é que os professores, apesar de serem da área de Humanas, não conseguem exercer sua função de forma humanizada. É difícil lidar com um aluno malcriado? É, sim. Mas é preciso ter controle emocional para lidar com essas situações. Não estou falando que professor é obrigado a engolir sapo, mas ele tem obrigação de gerenciar suas emoções e educar, não oprimir.
Portanto, se um professor acha que é impossível educar através da cordialidade, é melhor trocar de profissão. Nossas crianças precisam de alguém que vá muito além das fórmulas de Matemática ou da decoreba de gramática. Elas precisam de exemplos.

E é assim que acontece:
Quanta incoerência!


Dica: Assistam ao filme Escritores da Liberdade.
É ótimo para refletir sobre a prática em sala de aula.

fonte: http://blog.quartinhodadany.com.br/2010/08/professor-educador-ou-opressor.html

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