quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Bernardo Toro defende sistema único de ensino como saída para a educação


19 de outubro de 2011
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Se os filhos de ocupantes de importantes cargos públicos ou de empresários estudassem na mesma escola que os filhos de seus funcionários, como seria a qualidade do ensino oferecida nessa unidade de ensino?
O questionamento foi feito na última sexta-feira, 14 de outubro, pelo filósofo e educador colombiano, Bernardo Toro, durante exposição realizada na tarde de encerramento do I Seminário Internacional de Mobilização Social pela Educação – Interação família-escola-comunidade, evento realizado em Fortaleza, Ceará.
Bernardo Toro, um dos mais importantes pensadores e autores sobre educação e democracia na América Latina falou aos participantes sobre como “Mobilizar é convocar vontades para atuar na busca de um propósito comum, sob interpretação e sentido também compartilhados”.
Bernardo Toro 2 - seminário internacionalO palestrante ainda estimulou os participantes do Seminário a refletirem em relação à educação “não como algo divino”. Por isso, lembrou que para ter qualidade o sistema de ensino deve garantir dois elementos fundamentais: motivação e método.
Bernardo Toro também afirmou aos mobilizadores sociais pela educação participantes do evento que o papel de defender qualidade para a educação não é exclusivo dos educadores, mas de toda a sociedade. Explicou que o saber social é um conjunto de conhecimentos, práticas, destrezas, ritos, mitos, valores e instrumentos que permitem à sociedade, entre outras alternativas, sobreviver, conviver, produzir e dar sentido à vida.
O educador e filósofo lembrou que a combinação de ciência e cultura permite o bom funcionamento e a qualidade do sistema educacional. “Necessitamos de um sistema que tenha um projeto de vida, que nos permita participar de redes sociais e saber como usar a informação em benefício próprio e da coletividade”, refletiu.
Toro ressalta que, na América latina, a maioria dos educadores públicos têm filhos estudando em escolas privadas. A mudança dessa realidade é um dos primeiros desafios apontados por ele para integrar a pauta da mobilização social pela qualidade da educação pública. O palestrante defende que, se os filhos de formadores de opinião e ocupantes de cargos de poder forem estudantes de escolas públicas, seus pais atuarão de maneira mais contundente na defesa de qualidade para a educação oferecida nessas unidades de ensino. “Um país que tenha dois sistemas de ensino (se referindo a um público e um privado) não consegue ter, não é possível ter educação pública de qualidade”, pondera.
Ainda na defesa de um sistema único e de qualidade para todos, Bernardo Toro destacou a frase de autoria do professor e economista brasileiro, Cláudio de Moura e Castro, que também escreve sobre educação: “Se o Brasil dedicasse à educação a mesma atenção que dedica ao futebol, teria a melhor educação do mundo”.
Toro também defendeu a aprovação, no Brasil, do Projeto de Lei n°. 480 que tramita no Senado Federal, de autoria do senador Cristovam Buarque. A lei obrigaria todo político eleito a colocar seus filhos em escolas públicas. A proposta do senador tem como o objetivo fazer com que os políticos enxerguem a questão da educação por outro ângulo: o de dentro de casa. E isso, segundo Cristovam, incentivaria a melhoria da qualidade de ensino no país.
Após divulgar algumas de suas observações sobre a realidade da educação pública na América Latina e no Brasil, Bernardo Toro conduziu a segunda parte do painel preparado para o Seminário orientando a ação dos mobilizadores sociais pela educação. O conteúdo desta etapa da exposição do educador será divulgado noBlog da Mobilização nos próximos dias, complementando a série de publicações sobre o I Seminário Internacional de Mobilização Social pela Educação – Interação família-escola-comunidade.
Fonte: Blog da Mobilização
Crédito foto: Chico Gadelha

2 comentários:

  1. Concordo em absoluto com essa solução!

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  2. A educação é um bem social. Mas, não é a solução para tudo. Pois, há pessoas que tiveram e tem acesso a ela, e agem e vivem como aqueles que não tiveram e não tem.

    Se há uma tendência de ligar certas mazelas sociais a condição da pobreza e da falta de educação, o fato, de existir pessoas educadas e instruídas se comportando de forma identica, aponta ao menos para um erro de informação e afirmações.

    No geral, a educação, é um bem de ascensão social, inclusive tem pesquisas que apontam para a evolução do gênero masculino.

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Eu aguardo as sementes que você possa vir a lançar. Depois selecioná-las e plantar.