domingo, 22 de maio de 2011

professores e PROFESSORES

É chegada  a hora e  hoje eu preciso escrever.
Tem dias  que as idéias não cabem na gente e como a gente não quer gritar, ou não "pode"ou não deveria, é pertinente escrever.
A tempos  prometi um texto embasado, agora no chão da sala de aula,que  como diz  Rubem Alves, cada um fala de onde põe  o pé. (Ainda não é este) 
Meus pés  já  adentraram várias  salas de aula, de muitas turmas, faixas etárias, enfim, atualmente eles tem dentre outros espaços, a grandeza de estar no mais encantado de  todos o  da Educação Infantil. Se me perguntassem, sem pestanejar eu diria, é este o mais sagrado de todos os que eu já pisei.
Hoje quando eu os observava dormindo e ali refletia  sobre a complexidade e a seriedade de minha missão o desejo de escrever este texto nasceu. Quando a gente está concatenado o universo conspira e também hoje me apareceu a professora do Rio Grande  do Norte, aquela do post anterior.

O termos, as  concepções, a  forma de  educar, foram sendo transformadas  ao longo do tempo. Não trago comigo o desejo de fazer uma  contextualização   histórica, mas  como tudo está intrinsecamente ligado a ela ou como tudo a vai construindo é necessário citar.
Se os professores já foram mais ou menos valorizados, se houveram épocas como as de início de carreira de minha mãe nos anos 70, em que professor  era um semi Deus, em que rezava na missa, dava doutrina, fazia horta, dava aulas até.  Em outras  épocas qualquer um poderia ser  professor, qualquer um poderia substuí-los , eles ja não conheciam a comunidade, ja não sabiam mais onde os alunos viviam , ja não tinham tempo de se envolverem por que corriam de um emprego a outro, por que houve "nucleação" por que faltou habilitação, tato, tempo, dedicação... Enfim, tudo isso  seria base de uma tese certamente, mas não é o cerne deste texto. Otimista que sou e que morrerei sendo acredito que não estamos nem ao mar , nem a terra, há um quase meio termo no envergar da vara, retomamos alguns pontos  e posturas indispensáveis que se perderam quando se abandonou o "tradicional"  que já ganhamos em relação ao caos generalizado que me parece não estar estabelecido.  Sim, existem Professores e professores.
Se as  políticas públicas  forem observadas  no detalhe, evidente que haveriam muitas sugestões e inclusive  comparações possíveis de serem grifadas. Eu falo de um contexto local, meu, que acaba refletindo o dia-a-dia daqui e dali e até  do Rio Grande  do Norte.
No Sul maravilha, que pra quem vê bem de  perto também não é aquela maravilha inteira  que é veículada, onde os problemas podem não estar centrados na  estrutura  física, as carteiras estão na maioria das salas,o material mesmo que díficil de chegar está por ali, também não é este  comparativo que pretendo abordar.

Embalada  pela  propaganda do "Todos pela Educação" do governo Federal, sim , aquele vídeo bem elaborado inclusive, que  começa assim..."A base de  toda  conquista um bom professor...tudo que se cria tem um bom professor...O que se aprende  ... o que se ensina...tem um bom professor... e por  aí vai, deixando registrado que  todos dependem de um bom professor.
Chegamos ao ponto de debate. Um bom Professor! Também não vou lhes dizer que a minha caminhada educacional ja  não me deu suporte suficiente pra saber que nem todos são bons, que nós dependemos de condições físicas, estruturais pedagógicas, de formação assessoramento  gestão e todo o mais que trata o aparato necessário para que não nos sintamos  exatamente como Amanda Gurgel, com o peso de sermos "salvadores  do Brasil", apenas  com giz  e quadro.                
Quero de fato lhes  dizer da minha indignação de como a legislação tem sido cruel  também no cenário educacional. Simplóriamente exemplificando,Se precisa pedagogia pra estar atuando nas séries  iniciais e educação infantil, isso tem que ser cumprido e acredito que deva ser assim, programas emergenciais, projetos, e tudo o mais para adequação da lei, até que o nobre Presidente, sim, o último que se apresentou, resolve sanar o problema da formação, abolindo da LDB a obrigatoriedade  da formação, podendo ser professor  em caráter emergencial, que se faça educação sem formação.  Se fica determinado através de lei que a criança entrará na aula aos seis, no ano seguinte é necessário que com ou sem adequação de currículo, com ou sem debate,  a LEI seja cumprida, ainda que tortamente. Se a criança a partir de completar quatro anos  tem direito a educação Infantil, assim o será  e eu inclusive  considero isso muito bom. A verdadeira indignação é em relação a lei do piso salarial, que é fruto de uma luta histórica, aprovado em 2009 com uma boa redação, possível de ser  entendida, agora precisa de greve  e lutas, estas  incompreendidas pela  comunidade até, por que esta lei pode esperar, tem medida administrativa, tem Estado, inclusive o de Santa Catarina que entrou na justiça, tem que o piso é pra inicial de carreira e quem tem graduação ou é especialista nào tem o direito ...
É  concebível isso para vocês?

Por que pra fazer cumprir resoluções, normativas, pra fazer educação, pra mudar melhor este país, nós professores  somos o que há de mais importante  e quando pleiteamos o mínimo, piso salarial da categoria aplicado ao plano de carreira, não é atendido e ainda ficamos  a  mercê  de "n" interpretações. 
Tem uma forma, buscar na justiça, por que que tem que ser assim?


Como gestora  que fui, eu sei que são necessárias adequações, cortes, reorganização, que este tema dá trabalho , incômodos, stress,  mas  gente, ja fazem 2 anos, e nós continuamos aguardando, até quando será? Ponderem, eu também sei que não será este piso a salvação da qualidade da educação,muitas outras  ações, acompanhamento e avaliações,mas  ele representa o mínimo em se tratando de respeito a uma classe  profissional. E se nada mais servir, imaginem que muitos de vocês  certamente voltarão para as salas  de aula um dia destes!


Cátia Regina Marangoni Geremias

Um comentário:

  1. Minha cara Professora Cátia. Sei e conheço esta realidade que você escreve. Sou da Bahia. Moro numa cidade de 66 mil habitantes. As politica públicas direcionadas a educação aqui não são diferentes das dai. É tanto, professora, que toda a rede estadual do nível superior está em greve.

    É lindo, maravilhoso, e glorioso ler que alguém, e existem quantas pessoas que pensam assim como você? Continue pensando que "este o mais sagrado de todos" você está de fato num lugar especial. E por isto, digo, confiaria meus filhos a você para receber instruções e educação.

    Ai vem o governador explicar que os ditos professores ganham mais de 7 mil reais. A reação dos professores veio com a exposição dos contra-cheques e a lista dos professores que ganham tal valor, onde estão e o que fazem.

    Professor para ganhar um pouco melhor tem que ser graduado, pós-graduado, ter doutorado, mestrado, e estar trabalhando em algum projeto da área, e mais, muitos outros meios de aumentar a renda.

    As propagandas governamentais, como você aborda, é um meio de confundir a opinião pública, ao ponto, e penso, com a intenção de levar a população a pensar que todos nós professores somos valorizados, ganhamos bem, e pouco trabalhamos. O que não é verdade.

    Quanto aos nossos professores, existem os que conseguem ensinar com o minimo de recurso possível. São pessoas extraordinárias. E há
    outros professores que mesmo tendo em mãos: internet, biblioteca, louzas especiais, alunos inteligentes, salas confortáveis... eles
    não conseguem auxiliar as mentes, iluminar os caminhos. Ai, é como você diz: professores e professores.

    Parabéns por este texto maravilhoso e que nos ajuda a compreender que tanto aqui no Nordeste, como ai no Sul, a educação estadual e nacional, recebe dos mais diversos governos, ou talvez do MESMO GOVERNO a mesma atenção.

    Eu gostei de sua opinião!

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Eu aguardo as sementes que você possa vir a lançar. Depois selecioná-las e plantar.