segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

As Bem-Aventuranças do Educador


                                                                                  José Ivan Pimenta Teófilo

A. Felizes os Educadores
   que tomam consciência do conflito social em que estão metidos
   e nele tomam partido pelo projeto social dos empobrecidos
   porque assim contribuirão para a transformação da sociedade.

B. Infelizes os Educadores
   que imaginam que a ação educativa é politicamente neutra
   porque acabam transformando a educação num instrumento de ocultação
   das contradições da realidade social
   e de reprodução da ideologia e das relações sociais vigentes.

A. Felizes os Educadores
   que sabem articular o saber chamado científico com o saber popular
   porque ajudarão as classes populares a afirmar sua identidade cultural.

B. Infelizes os Educadores
   que transmitem mecanicamente um saber elitista
   porque contribuem para reforçar a marginalização
   e a dominação cultural do povo.

A. Felizes os Educadores
   que aprendem a dialogar com os educandos
   porque resgatam a comunicação pedagógica criadora no processo educativo.

B. Infelizes os Educadores
   que impedem os educandos de dizerem sua palavra,
   porque estão reproduzindo a educação do colonizador.

A. Felizes os Educadores
   que se tornam competentes em suas "disciplinas"
   ensinando a "desopacizar" ideologicamente seus conteúdos
   porque ajudarão os educandos a se apropriarem do saber
   como ferramenta de luta na defesa e afirmação de sua dignidade.

B. Infelizes os Educadores
   que não se esforçam para ser criticamente competentes
   porque enfraquecerão mais ainda o poder cultural das classes oprimidas
   reforçando o autoritarismo cultural das classes dominantes.

A. Felizes os Educadores
   que procuram se organizar para conquistar
   melhores salários e melhores condições de ensino
   porque estão ajudando a conquistar a educação a que o povo tem direito.

B. Infelizes os Educadores
   que atuam isoladamente, buscando apenas seus próprios interesses
   porque deixarão de contribuir para a conquista de uma escola digna.

A. Felizes os Educadores
   que iluminam sua prática com o sonho de um futuro novo
   em que as pessoas aprendam, através de novas relações sociais,
   as lições da justiça e da solidariedade.

B. Infelizes os Educadores
   que não sonham
   porque não terão a coragem de se comprometer na luta criadora
   de uma nova sociedade a partir de sua prática educativa.

   Felizes os Educadores
   que aprendem a fazer da ação de cada dia
   a semente da nova sociedade.

   Infelizes os Educadores
   que pensam que as coisas novas só aparecerão no futuro
   porque não perceberão, nem farão perceber
   que o "novo" já está no meio de nós,
   brotando de nossas práticas transformadoras,
   solidárias com as lutas dos espoliados da terra.

O Professor Coordenador

Revisto e Ampliado - dez./2011

 Pedagógico como Mediador do Processo de Construção do Quadro de Saberes Necessários
                                                                             Prof. Celso dos S. Vasconcellos

O Professor Coordenador Pedagógico (PCP) é o intelectual orgânico do grupo, qual seja, aquele que está atento à realidade, que é competente para localizar os temas geradores (questões, contradições, necessidades, desejos) do grupo, organizá-los e devolvê-los como um desafio para o coletivo, ajudando na tomada de consciência e na busca conjunta de formas de enfrentamento. O intelectual orgânico é aquele que tem um projeto assumido conscientemente e, pautado nele, é capaz de despertar, de mobilizar as pessoas para a mudança e fazer junto o percurso. Em grandes linhas cabe ao coordenador fazer com sua “classe” (os seus professores) a mesma linha de mediação que os professores devem fazer em sala: Acolher, Provocar, Subsidiar e Interagir.
Cabe ao coordenador desenvolver a sensibilidade para com o outro, buscar, investigar a realidade em que se encontra, conhecer e respeitar a cultura do grupo, suas histórias, seus valores e crenças. Esta prática se aproxima do conceito psicanalítico de maternagem: engendramento do outro, acolher, metaforicamente, dar colo, ser o útero protetor. Por outro lado, ao PCP cabe também o desafiar, o provocar, o subsidiar, o trazer ideias e visões novas, questionar o estabelecido, desinstalar, estranhar as práticas incorporadas (para isto, exige-se sua capacitação: estudo, pesquisa, reflexão crítica sobre a prática). Esta postura se aproxima do conceito psicanalítico de paternagem: ser firme, porto seguro, mobilizar certa dose de agressividade, lutar por suas ideias, trazer a tradição, a norma, a cultura. O coordenador, como todo educador, vive esta eterna tensão entre a necessidade de dirigir, orientar, decidir, limitar, e a necessidade de abrir, possibilitar, deixar correr, ouvir, acatar, modificar-se. Todavia, o dirigir, o orientar, mais do que o sentido restritivo, tem o objetivo de provocar, despertar para a caminhada, para a travessia, para abandonar o aconchego do já sabido, do já vivido.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

César Callegari será o novo secretário de Educação Básica do MEC

IG Educação, 26/01/2012

Pelo Twitter, secretária Maria do Pilar Lacerda confirma que está deixando o ministério 
Agência Brasil
A secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda, informou nesta quinta-feira, dia 26, por meio do seu perfil no Twitter que está deixando a pasta. Em seu lugar, segundo ela, assume César Callegari, atual membro do Conselho Nacional de Educação (CNE). Em sua mensagem, Pilar deseja “sorte, energia e bom humor” ao novo secretário. Sociólogo, César Callegari foi secretário municipal de educação de Taboão da Serra (SP) e duas vezes presidente da Câmara de Educação Básica do CNE. Atualmente, ele é diretor de operações do Serviço Social da Indústria (Sesi) em São Paulo e membro do conselho de governança do Movimento Todos pela Educação. A secretaria que ele irá assumir no MEC cuida dos programas ligados à educação básica – da creche até o ensino médio. Pilar exerceu a função de secretária de educação básica desde 2007 e participou dos principais projetos da gestão do ex-ministro Fernando Haddad. Foi presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e secretária municipal de Belo Horizonte (MG). A troca de Pilar por Callegari é a primeira a ocorrer após o ministro Aloizio Mercadante tomar posse, em substituição a Fernando Haddad, que vai concorrer à 
prefeitura de São Paulo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TEMPOS DE AÇÃO


É relevante fazer uma análise sobre a realidade educacional deste país. Quem de nós já não ouviu calorosos discursos políticos afirmando que o foco dos investimentos será em  Educação. Quem de nós já não ouviu as máximas, de que só a Educação pode mudar este país, que várias potências em tempos de crise  , se reconstituíram pelo viés educacional.

São gestores e gestores , planos e planos, metas e metas. Agora inclusive a mídia tem sido aliada do atual Ministério, e nem considero isto ruim. Observo o contexto e percebo o turbilhão de mudanças e a necessidade premente de um repensar os caminhos. Há de se perceber que em muito menos de duas décadas o conceito de conhecimento foi profundamente alterado. Universitários com seus diplomas estavam prontos até a aposentadoria, alguns deles ainda estão em salas. Insisto em pensar que o número frenético de informações tem deixado nossos profissionais perplexos sem saber exatamente o que construir. Não seriam estes tempos de estarmos sim na era de aprender a aprender, de filtrar de perceber o que nos torna mais gente. Dominar as quatro operações matemáticas e produzir um bom texto já não tem mais o mesmo valor que tinha na época do antigo primário, e acabou que na busca da totalidade pode se estar perdendo o detalhe.

Que existem propostas de formação continuada, projetos, programas, vontade de transformar, é inquestionável dizer, que sim. Nem tudo está largado. Tem gente buscando, puxando, fazendo e não entendendo porque os resultados não estão sendo atingidos. Também sei que quando imaginamos ja ter feito tudo, ainda existe uns 30 a 40 % de possibilidades que não foram experimentadas.

Mas quem seria então, o grande vilão do processo, será que existe apenas um? O que está acontecendo. São no mínimo 25 % dos recursos públicos investidos por força de lei, onde tem fiscalização pelo menos, teoricamente uma fatia reservada para. 


Será a forma como os adolescentes e crianças, estes seres que muitos não compreendem, que vem vindo sem limites, sem muitos valores, pode até não ser via de regra,mas não estão valorizando o que os professores oferecem? Não, eu prefiro acreditar que é compromisso da geração adulta , encaminhar e interceder em favor destes meninos, seja ela sociedade, professores, família. (mas isso já é outro debate)
   
E ainda que seja apredejada em praça pública vou arriscar  dizer que vejo diante dos olhos as famílias por "n" motivos se desresponsabilizando de sua função, a escola, tentando fazer o que a família não  fez, deixando também a sua missão comprometida. E o PROFESSOR, na minha concepção principal ator do processo, também reclamando de toda a problemática e não encontrando eficientes subsídios e parcerias para fazer de fato a diferença.

Não sei bem, se adiantam  programas, projetos, recursos, acesso, se os profissionais da área, alguns pelo menos , por DEUS existem abençoadas exceções, já perderam o tesão, já cumprem horário e não função. A dita "vocação" que  quase caiu de moda, e tem pessoas se apropriando da mais nobre profissão do mundo, simplesmente como um bico. 


É o salário? Sim talvez, tem muitos profissionais que ganham pouco e bem pouco, mas com certeza alguns recebem demais pelo que fazem.

Não gostaria de atribuir  culpa, culpados, famílias, alunos, profissionais, sistema, agências formadoras, enfim,um pouco de cada e muito de todos, o fato é que  preciso simplesmente ser redundante e lembrar que todas as profissões que dependem de formação acadêmica perpassam por "Nós". E isso é seriíssimo!
E absolutamente sem desrespeitar excelentes práticas e profissionais maravilhosos, eu afirmo, está passado o tempo de unir forças, de encontrar resultados reais, de tornar o mundo melhor, através da construção de pessoas com maiores oportunidades,mais completas e mais felizes. Que saibam aprender, viver e conviver.
P.s Conforme  combinado, os textos começarão a tomar forma, por favor se animem, me encaminhem e eu postarei com muito prazer.

VETADA AULA A DISTÂNCIA NO NÍVEL MÉDIO

MEC não aprovou 20% da carga horária nesse modelo para turma noturna

Fonte: O Globo (RJ)


Demétrio Weber - demetrio@bsb.oglobo.com.br

BRASÍLIA. O Ministério da Educação (MEC) vetou trecho de uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) que recomendava a oferta de ensino à distância em até 20% da carga horária do ensino médio regular noturno. A decisão foi um dos últimos atos do então ministro Fernando Haddad, que deixou o cargo anteontem.

A possibilidade de incluir atividades não presenciais no currículo de ensino médio noturno constava da versão original das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, aprovada em maio pelo conselho. Mas, sob pressão de sindicatos de professores, Haddad pediu ao CNE que o texto fosse alterado, com a retirada do trecho relativo ao ensino à distância. O conselho acatou a solicitação. Só então Haddad homologou o texto.

Relator das diretrizes na Câmara de Educação Básica do CNE, o conselheiro José Fernandes de Lima diz que a oferta de ensino à distância poderia abranger tanto disciplinas específicas quanto parte do conteúdo de uma ou mais matérias.

A justificativa é que as turmas noturnas têm dificuldade para cumprir a carga horária mínima, pois os alunos trabalham de dia e as aulas costumam terminar antes da hora. Nenhuma escola é obrigada a seguir as diretrizes, que servem apenas para orientar a organização dos sistemas de ensino.

Caio Fernando Abreu

Informação

Extraordinárias aulas de graça


Folha.com, 26/01/2012 

Gilberto Dimenstein
Alunos, pais e professores brasileiros já podem acessar gratuitamente aulas de matemática e ciências que são um sucesso nos Estados Unidos e se espalham pelo planeta. O idealizador desse projeto foi um dos personagens mais interessantes que conheci em minha passagem por Harvard. Chama-se Salman Khan, um daqueles gênios em ciências que preferiu jogar fora sua carreira bem-sucedida no mercado financeiro para ajudar a educar crianças, tornando atrativas as intricadas (e chatas) aulas de matemática. É de uma simplicidade extraordinária. Apenas uma mão na lousa e a locução do próprio Khan. O método fez sucesso e prosperou por que muita gente começou a acessar os vídeos. Um deles era Bill Gates, que usava o material para ajudar na lição de casa do filho. Daí surgiram os recursos para Salman se dedicar apenas a esse projeto. Estava ali uma possibilidade simples e barata de usar os recursos digitais para amenizar nossas carências educacionais. Considerei uma das minhas tarefas ajudar a popularizá-lo aqui no Brasil. O problema é que o material era apenas em inglês, dificultando o uso por brasileiros. A boa notícia é que esse material já começa a ser traduzido. Os primeiros vídeos, traduzidos pela Fundação Lemann, em parceria com a Intel, já estão ar. Se as escolas, pais e alunos usarem esse material vamos ter um ganho educacional.

Mercadante assume o MEC e sugere 'residência' para professores

O Estado de São Paulo, 25/01/2012 - São Paulo SP 

'Só se forma o professor botando a mão na massa, na sala de aula', afirmou 
Lisandra Paraguassu, da Agência Estado
BRASÍLIA - O novo ministro da Educação, Aluizio Mercadante, quer criar uma residência para estudantes de licenciatura - a exemplo do que ocorre com médicos. Em sua posse, na noite desta terça-feira, Mercadante já começou a vender os programas em que deve investir na sua gestão. A "residência" dos professores deve ser sua peça central. "Só se forma o professor botando a mão na massa, na sala de aula", afirmou. A intenção do novo ministro é que o estudante de licenciatura, antes de ser aprovado para dar aulas em qualquer lugar, passe um período dentro das escolas públicas, como professor-assistente ou mesmo para dar apoio aos alunos. Apesar de ainda incipiente, a ideia encantou secretários estaduais e municipais de educação. O novo ministro também quer ver os melhores professores das redes públicas dando aulas nas regiões e escolas com os piores índices de qualidade. A troca, afirmou, ajudaria a romper um ciclo vicioso em que os melhores professores recebem sempre as melhores escolas e os melhores alunos. 

Essa mudança, no entanto, já não é tão simples. Até hoje nenhum Estado ou município e nem mesmo o governo federal encontrou uma fórmula para avaliar os professores e descobrir quais deles são os melhores. Qualquer forma de avaliação encontra uma ferrenha resistência dos docentes. Mercadante também anunciou, no seu discurso, outras duas propostas que recebeu praticamente prontas de Haddad. Uma delas é o Pronacampo, um conjunto de projetos para tentar melhorar a educação no campo. Outro, chama-se Alfabetização na Idade Certa, uma proposta de alocar os melhores recursos das redes de ensino - os melhores alfabetizadores, as melhores escolas e salas de aula, os melhores turnos - para as crianças até 8 anos, em fase de alfabetização. "Se essa criança não aprende a ler até os oito anos você corre um grande risco de perdê-la depois", afirmou o ministro.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Falta de ética na educação

Estado de Minas, 25/01/2012 - Belo Horizonte MG 

É negativa a aliança entre o aluno que quer se formar logo e o docente despreparado 
Hildelano Delanusse Theodoro - Professor, sociólogo e coordenador do Núcleo de Inovação Santo Arnaldo da Faculdade Arnaldo
Apesar de ser muito discutida e pretensamente entendida, a palavra ética tem um contorno muito vinculado com a formação do caráter humano, principalmente quando considerada sob a ótica clássica de sua definição aristotélica. E mesmo com inúmeras outras possíveis definições, a aqui colocada serve como mote para uma discussão urgente dentro das instituições de ensino superior (IES): o aumento assustador da falta de ética profissional docente. O tema aqui se refere não somente ao baixo nível das discussões que ocorrem em salas de aula, com o favorecimento explícito ao aluno-cliente, frente ao posicionamento autônomo dos professores, como, principalmente, ao fato de que uma grande parte dos docentes, hoje em dia, sequer é formada nas áreas em que lecionam, ou terem qualquer tipo de experiência comprovada e qualificada para tanto. E se levarmos em conta as orientações contidas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), instituída por portaria ministerial em outubro de 2002, o tamanho da desfeita se torna ainda maior. Atualmente, o número de professores sem graduação/pós/experiência em determinadas áreas, principalmente de humanas, para lecionar disciplinas vinculadas à ética profissional ou movimentos sociais, por exemplo, é assustador e se torna cada vez mais comum dentro das IES. 

Afinal, a pergunta a fazer não deveria ser tanto o que é necessário para uma postura ética, e sim, quais as qualificações para o exercício de atividades de ensino superior vinculadas ao tema. De outra forma, continuaremos a produzir o que se vê diariamente nas salas de aulas: um conjunto de alianças entre o aluno que quer apenas se formar o quanto antes e de qualquer forma (mesmo que para tanto tenha de se utilizar de mecanismos escusos) e o pseudo-docente, que, mesmo sem ter a formação adequada, deseja mesmo é receber pela carga horária referida e, ao mesmo tempo, indevida (uma vez que poderia, teoricamente, aprender a repetir sobre os conceitos éticos em qualquer livro). Mas o verdadeiro problema, talvez, não se esconda simplesmente nessa relação utilitarista e distante da formação do caráter do princípio ético, tão necessário nesse país, que favorece o jogo das aparências sociais e onde os currículos muitas vezes não são comprovados nem demonstrados na prática cotidiana das instituições. 

O fato é, assim, como elas podem melhorar a si mesmas, a partir de um posicionamento mais claro e crítico de seus interesses e objetivos de atuação, dentro de um mercado educacional que se encontra em processo de crise: por um lado tem de buscar novos alunos, e por outro, deve tentar buscar excelência. O único porém que se pode identificar claramente é que ética, assim como a excelência, estão intrinsecamente vinculadas ao estado de ser bom e correto no mais alto nível, no ensinamento pelo exemplo. O que se percebe, ao mesmo tempo, é que isso talvez seja tudo o que nos falta, pois só pode nos ensinar sobre ética (assim como sobre qualquer disciplina) aquele que sobre tal pensou, estudou e agiu, sendo isso o reconhecimento do mérito. Normalizar sobre o desvio no ensino superior pode nos levar a caminhos ainda mais tortuosos e, possivelmente, sem volta.

Mercadante anuncia programa de alfabetização de crianças de até oito anos de idade

UOL Educação, 24/01/2012

Camila Campanerut do UOL, em Brasília
Em seu primeiro discurso após assumir o Ministério da Educação nesta terça-feira (24), o ministro Aloizio Mercadante anunciou um programa de alfabetização de crianças de até oito anos de idade -o "Alfabetização na Idade Certa". “Temos de ter consciência que se uma criança não aprende a ler e a escrever até no máximo oito anos de idade, todo o processo de aprendizado no futuro fica comprometido. O custo, depois, de você recuperar pedagogicamente é muito alto e o risco é muito grande. Nós perdemos essa criança e ela simplesmente abandonará a escola. Então nós vamos dar uma ênfase especial na alfabetização: as melhores salas de aula”, afirmou.

Mercadante também anunciou um programa de ensino para a área rural, que ele chamou de "Pronacampo", com materiais educativos ligados à realidade da população que vive no campo. “Você não pode levar, com material didático, para uma criança ou jovem que mora no campo, por exemplo, o ambiente cultural da cidade. Você tem de respeitar os valores, a especificidade. Você tem que dialogar, valorizar essa cultura”, afirmou. De acordo com interlocutores do ministério, as duas iniciativas foram formuladas durante a gestão do antecessor de Mercadante, Fernando Haddad, que saiu do cargo para disputar a Prefeitura de São Paulo. "Residência" de professores. Outra proposta do novo ministro é incentivar uma espécie de “residência” aos professores que estão em fase final da formação na licenciatura. Assim como os médicos, Mercadante irá propor que os professores atuem mais em salas de aula. “Estes jovens da licenciatura precisam fazer uma residência na escola. Tem que formar o professor e só se forma colocando a mão na massa na sala de aula”, destacou. Mesmo sem detalhar um porcentual, Mercadante destacou que defenderá um diálogo no Congresso Nacional para que parte dos lucros dos royalties do petróleo produzida nos campos do pré-sal deverá ser destinada à educação.

Enem 2011 - O ministro não quis comentar a decisão do Tribunal Regional do Recife de suspender a liminar que permitia que todos os candidatos vissem as redações do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011 corrigidas. Ele, no entanto, defende o exame como um “instrumento de acesso democrático e republicano” ao ensino superior. “Sobre os desdobramentos imediatos do MEC só depois que eu conversar com todas as áreas e ter uma visão bem clara. Agora, é muito importante que a gente abra um diálogo bem claro, para aperfeiçoar, para que a gente possa ter política cada vez mais cuidadosa e ver melhores formas de aplicação da prova”, afirmou.

Futuro político - Durante o discurso, o ministro disse que não vai usar o cargo como "trampolim político". "A minha gestão a frente deste ministério não será um trampolim para projetos pessoais ou partidários. Será sim uma alavanca suprapartidária para a melhoria da educação brasileira, assim como aconteceu no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.” Mercadante disse também que sua equipe será escolhida por “critérios competentes e comprometidos com o interesse público”. “A quem vier não perguntarei por partidos ou ideologias, mas eu demandarei com rigor competência técnica e espírito público e comprometimento com o país”, afirmou. O agora ministro da Educação deixou hoje a pasta da Ciência, Tecnologia e Inovação, que foi ocupada por Marco Antônio Raupp, ex-presidente da Agência Espacial Brasileira.

Mercadante assume sob pressão interna


Correio Braziliense, 24/01/2012 - Basília DF 

Novo ministro terá de resolver insatisfações na disputa pela sucessão nos cargos do segundo escalão da pasta. Servidores do Inep entregaram carta aberta 
Paula Filizola
Aloizio Mercadante toma posse hoje como ministro da Educação com a cabeça voltada para o quebra-cabeça de montagem da estrutura da pasta. Sob pressão de servidores, o sucessor de Fernando Haddad trocará pelo menos quatro ocupantes de cargos de confiança do ministério. Tiveram as saídas confirmadas a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Malvina Tuttman, e os secretários Eliezer Pacheco, Carlos Abicalil e Maria Pilar Lacerda. Considerada uma área sensível da pasta, o Inep é a situação que pode trazer mais dores de cabeça ao ministro – o órgão é responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As mudanças ainda não foram anunciadas oficialmente, mas são confirmadas por fontes do ministério. A especulação em torno da saída de Malvina começou na semana passada e se confirmou ontem. A decisão, contudo, não foi digerida pelos funcionários do Inep. A Associação dos Servidores do órgão (Assinep) entregou uma carta aberta endereçada a Mercadante pressionando pela permanência da atual presidente. Eles se dizem descontentes com as possíveis mudanças no alto escalão do órgão — a quarta desde 2009. “Nos últimos três anos, o órgão sofreu sucessivas e abruptas substituições de presidentes, dificultando o aprimoramento contínuo de suas ações”, diz trecho da nota. 

O grupo acredita que, por Malvina não manter vínculos políticos, a permanência dela não foi defendida internamente. Os servidores do Inep afirmam ainda que a educadora conta com o apoio de alguns atuais secretários do MEC, de dirigentes estaduais e municipais de educação, além de profissionais da comunidade acadêmica e de movimentos estudantis. Malvina foi reitora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) por duas vezes e assumiu a Presidência do Inep há cerca de um ano. Ela veio com o desafio de tentar recuperar o Enem depois das sucessivas falhas nas edições de 2009 e de 2010, que derrubaram do comando da autarquia Joaquim José Soares Neto e Reynaldo Fernandes. Oficialmente, Haddad pretendia pedir a Mercadante que mantivesse Malvina na organização da edição do primeiro semestre do Enem neste ano. Segundo os servidores do Inep, no entanto, as negociações das últimas semanas demonstraram que ele não estava empenhado em garantir a permanência de Malvina na Presidência do Inep. Os esforços do agora ex-ministro foram direcionados para pessoas de sua confiança como José Carlos Wanderley Dias de Freitas, que permanecerá no comando do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). 

Outra que se despede do ministério é Maria Pilar Lacerda, que deixará a função depois de quatro anos comandando os projetos da Secretaria de Educação Básica (SEB). Os secretários Eliezer Pacheco e Carlos Abicalil, de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e Articulação dos Sistemas de Ensino, respectivamente, também deixarão o MEC na nova gestão. Apesar da disponibilidade dos cargos, ainda não se sabe quem assumirá o comando dessas secretarias. Cinco servidores de confiança de Haddad serão mantidos na pasta pelo novo titular — pelo menos durante o período de transição do comando. Além de Freitas, no FNDE, permanecem nos postos o secretário executivo do MEC, José Henrique Paim Fernandes; e os secretários Luís Fernando Massonetto, de Regulação e Supervisão da Educação Superior, e Claudia Pereira Dutra, de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). Já Luiz Cláudio Costa, atualmente secretário da Educação Superior (Sesu), ficará no ministério, mas deve trocar de cargo.




P.s  Lamento a saída de Maria Pilar Lacerda.

Piso salarial do magistério Público- alguns recortes...

Achei interessante: http://www.cnte.org.br/images/stories/noticias/valor_piso_2012_cnte.pdf


Para a CNTE o Valor do Piso é R$ 1.937,26PDFImprimirE-mail
  • A CNTE orienta as suas entidades filiadas que lutam pela implantação do Piso Salarial Profissional Nacional,  que o processo de negociação com os governos inicie com o valor defendido pela CNTE de R$ 1.937,26 como vencimento inicial na carreira.
  • A CNTE reivindica o cumprimento integral da lei com 1/3 da jornada seja destinada para a hora atividade.
  • O valor do piso deve ser aplicado para as jornadas de trabalho que estão instituídas nos planos de carreira de estados e municípios.


"O aumento do investimento mínimo por aluno será de 16,68% em relação a este ano. Luiz Araújo, consultor educacional e mestre em políticas públicas, diz que o crescimento é significativo. Ele lembra que, entre 2009 e 2010, o gasto por aluno aumentou 21%, porém, os valores estavam muito baixos. “É um valor alto de crescimento”, avalia. Na creche integral e no ensino médio, cada aluno vai custar, pelo menos, R$ 2,4 mil."

Piso dos professores de R$ 1.450,86
Os valores divulgados pelo Tesouro Nacional também têm impacto direto sobre o pagamento do piso salarial dos professores. O Ministério da Educação utiliza a projeção de investimentos por aluno em educação para calcular o salário mínimo que Estados e municípios devem pagar à categoria. Com isso, segundo Luiz Araújo, o piso também sofrerá reajuste, passando dos atuais R$ 1.187 para R$ 1.450,86.

*Colaborou Cinthia Rodrigues, iG São Paulo





terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Neruda

“Penso com alegria que tudo quanto 
escrevi e vivi serviu 
para nos aproximar. 
É o primeiro dever do humanista e 
a fundamental tarefa da inteligência 
assegurar o conhecimento e o entendimento 
entre homens. 
Bem vale haver lutado e cantado, 
bem vale haver vivido se o amor me acompanha”.

Pablo Neruda
    De Para nacer he nacido 
 (Presente de um poeta - pag. 94)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu sou criança

Eu sou criança. E vou crescer assim. Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece. O mundo pra mim é grande, não entendo como moro em um planeta que gira sem parar, nem como funciona o fax. Verdade seja dita: entender, eu entendo. Mas não faz diferença, os dias passam rápido, existe a tal gravidade, papéis entram e saem de máquinas, ninguém sabe ao certo quem descobriu a cor. (Têm coisas que não precisam ser explicadas. Pelo menos para mim). Tenho um coração maior do que eu, nunca sei a minha altura, tenho o tamanho de um sonho. E o sonho escreve a minha vida que às vezes eu risco, rabisco, embolo e jogo debaixo da cama (pra descansar a alma e dormir sossegada). 
Coragem eu tenho um monte. Mas medo eu tenho poucos. Tenho medo de Jornal Nacional, de lagartixa branca, de maionese vencida, tenho medo das pessoas, tenho medo de mim. Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos dormem e acordam, nunca sei a hora certa. Mas uma coisa eu digo: eu não paro. Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara na porta: sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como. E vou. Sempre me pergunto quanto falta, se está perto, com que letra começa, se vai ter fim, se vai dar certo. Sempre questiono se você está feliz, se eu estou bonita, se vou ganhar estrelinha, se posso levar pra casa, se eu posso te levar pra mim. Não gosto de meias-palavras, de gente morna, nem de amar em silêncio. Aprendi que palavra é igual oração: tem que ser inteira senão perde a força. E força não há de faltar porque – aqui dentro – eu carrego o meu mundo. Sou menina levada, sou criança crescida com contas para pagar. E mesmo pequena, não deixo de crescer. Trabalho igual gente grande, fico séria, traço metas. Mas quando chega a hora do recreio, aí vou eu... Escrevo escondido, faço manha, tomo sorvete no pote, choro quando dói, choro quando não dói. E eu amo. Amo igual criança. Amo com os olhos vidrados, amo com todas as letras. A-M-O. Sem restrições. Sem medo. Sem frases cortadas. Quer me entender? Não precisa. Quer me fazer feliz? Me dê um chocolate, um bilhete, um brinde que você ganhou e não gostou, uma mentira bonita pra me fazer sonhar. Não importa. Todo dia é dia de ser criança e criança não liga pra preço, pra laço de fita e cartão com relevo. Criança gosta mesmo é de beijo, abraço e surpresa!


Texto: Fernanda Mello

Refita!

Programa intensivo de ensino consegue modificar cérebro de alunos disléxicos


Áreas desativadas nas crianças foram ligadas com exercícios.
Estudo mostra que cérebro humano pode ser 'reprogramado'.


*Luís Fernando Correia


Cientistas da Universidade Carnegie Melon, de Pittsburgh demonstraram com que em alunos com problemas graves de leitura e compreensão, áreas do cerebro que estavam inativas podem ser ligadas com treinamento.

Os alunos, todos do quinto ano, foram avaliados através de técnicas especiais de ressonância nuclear magnética antes e após o período de recuperação Os exames permitiram aos pesquisadores determinarem através da medição do fluxo sanguíneo para o cérebro, durante as atividades escolares, os padrões de ativação.

Nos alunos classificados como disléxicos, determinadas regiões do cérebro eram menos ativadas. A area parietotemporal mostrou padrões bastante diferentes entre os alunos considerados normais e os com dificuldades de leitura.

Como os cientistas acreditavam na plasticidade, ou seja, na capacidade do cérebro humano de se adaptar e ativar regiões que antes não eram muito utilizadas, um programa especial de reforço foi traçado para essas crianças.

Foram 100 horas de treinamento especial em leitura e compreensão. O objetivo era superar a dificuldade de associação entre os sons das letras e suas formas escritas.

Outra descoberta importante do estudo foi a de que somente 10% das crianças apresentavam problemas visuais e dislexia, o que diverge da crença comum.

Os exames de ressonância foram aplicados antes e após o reforço e um ano após. Todas as crianças do quinto ano foram submetidas a mesma bateria de testes para permitir a comparação.

Após o treinamento e no exame de revisão com um ano, as crianças disléxicas que tinham recebido o reforço especial mostravam padrões cerebrais semelhantes aos das crianças ditas normais.

Esse estudo mostra que o cérebro humano é capaz de ser "reprogramado" com estímulos especialmente dirigidos e permitir que todos possam demonstrar suas potencialidades.

O trabalho em questão está publicado na edição de agosto da revista "Neuropsycologia". 



*Luis Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN

Vídeos interessantes


Para incentivar o respeito no cotidiano às pessoas portadoras de deficiência , a TV Câmara produziu um conjunto de animações sobre as práticas para um relacionamento adequado com esses indivíduos. A ideia da série Convivendo com as Diferenças é mostrar que a partir de atitudes simples qualquer um pode se relacionar e também ajudar os deficientes na sua rotina. Em cada episódio, os programas sugerem dicas pouco conhecidas, como nunca fazer carinho em um cão-guia enquanto ele está trabalhando. 
Convivendo com as diferenças - Cadeirantes
veja estes  e outros vídeos:


http://www.andi.org.br/infancia-e-juventude/video/convivendo-com-as-diferencas-cadeirantes

Exame de 2012 será realizado apenas em novembro

Sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 - 20:30

Por solicitação do Ministério da Educação, a empresa Modulo Security, de gestão de risco, concluiu, depois de ouvir todas as entidades que participam da organização do Enem, que a realização de duas edições em 2012 sobrecarregaria as estruturas logísticas do exame.

Em função disso, o Ministério da Educação decidiu que neste ano haverá apenas uma edição da prova, em novembro, nos dias 3 e 4.

Assessoria de Comunicação Social


Palavras-chave: Enem

Ana Jácomo!

Mudas!

"Encontros preciosos não são necessariamente os que nos trazem jardins já floridos. São, um bocado de vezes, aqueles que nos ofertam mudas."
Ana Jácomo


Alunos de escolas públicas serão examinados por equipes de saúde a partir de março

As condições de saúde de 11 milhões de estudantes de escolas públicas brasileiras serão avaliadas por médicos, enfermeiros e dentistas das unidades básicas de Saúde a partir de março. Os profissionais estarão em 50 mil escolas de 2 mil municípios do país.
“Muitas vezes, um problema de saúde, se não for identificado, pode atrapalhar o rendimento escolar”, disse a presidenta Dilma Rousseff no programa de rádio Café com a Presidenta. Ela acrescentou que o governo deverá ainda envolver os pais no combate à obesidade infantil, problema que afeta um quinto das crianças brasileiras. “Reduzindo a obesidade infantil, vamos prevenir outras doenças que podem ocorrer no futuro, como a hipertensão e o diabetes”, explicou.
Dilma Rousseff destacou também as alterações no programa de vacinação infantil, que ocorrem a partir de agosto. A vacina contra a pólio, conhecida como paralisia infantil, será injetável nas duas primeiras doses para bebês e crianças. “Há 22 anos não registramos nenhum caso de paralisia infantil transmitido no país, mas a pólio ainda existe em 24 países. Como as pessoas viajam de lugar para outro e podem trazer o vírus, precisamos manter nossas crianças protegidas”, destacou Dilma.
Entretanto, a dose oral, com a campanha do Zé Gotinha, irá continuar para manter a proteção de crianças até cinco anos de idade.
Outra alteração no calendário de vacinação se refere à vacina pentavalente. Ela é a soma de duas vacinas já existentes: a da hepatite B e a tetravalente. “Com uma só injeção, a vacina pentavalente vai proteger agora a criança contra cinco doenças: o tétano, a difteria, a coqueluche, a hepatite B e um tipo de meningite grave”, disse. “A combinação das vacinas é boa para a criança, que vai precisar tomar uma injeção a menos, mas também é um avanço no processo de vacinação”, completou.
A presidenta lembrou também que a meta do governo é investir R$ 7,6 bilhões para construir 6 mil escolas de educação infantil até 2014.
Autor: Agência Brasil

Hora Atividade!

Como usar bem o horário de trabalho coletivo pedagógico (HTPC)

Está na hora de parar de discutir e decidir como usar um terço da jornada de trabalho dos professores, previsto em lei

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Como usar bem o horário de trabalho coletivo pedagógico. Ilustração: Jean Galvão

Refletir sobre a prática, planejar as aulas e estudar para ensinar melhor são tarefas tão importantes quanto lecionar, certo? Todos os que lutam por uma Educação de qualidade concordam que a capacitação profissional é fundamental - mas não é isso que se vê no Brasil desde que a lei 11.738/2008 foi sancionada. Mais conhecida como Lei do Piso, ela instituiu um valor mínimo nacional para os salários dos profissionais do Magistério público da Educação Básica e definiu um limite máximo (dois terços da carga horária) para as atividades de sala de aula. Ou seja, o outro terço do tempo deve ser pago pelas redes municipais, estaduais e federais para que todo educador aperfeiçoe sua formação.


Ocorre que os governos do Ceará, de Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul entraram, no início do ano, com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando que a lei é inconstitucional. Felizmente, o STF determinou que ela é válida, sim (mas, por uma dessas filigranas jurídicas, chamada efeito vinculante, a decisão só tem efeito nos cinco estados. Se outro resolver questionar o assunto novamente, a mais alta corte do país terá de voltar a deliberar).

A ação judicial foi o ápice de uma série de discussões que tem por objetivo pontuar os "problemas" que a lei acarreta. Estados e municípios alegam não estar preparados para investir na prática docente. Só isso... A julgar pelas reportagens que pipocam semanalmente em jornais, sites e emissoras de rádio e televisão, nossos governantes parecem estar mais preocupados em manter intocáveis os orçamentos e organogramas das Secretarias e das escolas, em vez de traçar planos objetivos e eficientes para reorganizar as contas e o uso do tempo, de forma a fazer valer o horário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC), a hora-atividade, a reunião pedagógica, a atividade extraclasse (ou qualquer que seja o nome dado ao tempo dedicado à formação profissional).

Por todos os lados que se analise a questão, é fácil perceber que as reclamações não têm razão de ser. Do ponto de vista financeiro, a situação pode ser resolvida com um pouco de dedicação das Secretarias. Mal começou a chiadeira, o Ministério da Educação (MEC) publicou em março uma portaria definindo critérios para que estados e municípios solicitem recursos adicionais para cumprir a Lei do Piso. A rede vai precisar contratar educadores para atuar em sala de aula enquanto os colegas estão no HTPC e isso impacta a folha de pagamento? Basta comprovar, entre outras coisas, que 25% das receitas são aplicadas na manutenção e no desenvolvimento do ensino, que a rede tem um plano de carreira para o Magistério com legislação específica e cumpre o regime de gestão plena dos recursos vinculados para manutenção e desenvolvimento do ensino. Fazendo isso, o MEC autoriza o uso de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para efetivar as novas contratações. (A assessoria do MEC, aliás, informa que, até o fechamento desta edição, nenhum município ou estado comprovou a necessidade de complementação de recursos para esse fim.)

No âmbito pedagógico, o que a lei determina deveria ser enxergado como uma conquista para o Magistério e para um país que sonha se destacar no cenário internacional - uma conquista tão grande quanto o desafio que está nas entrelinhas (e este, sim, deveria ser o centro dos debates): o que fazer durante esse tempo e como garantir que ele seja bem aproveitado pelos professores e por toda a equipe escolar em benefício da aprendizagem dos alunos.

NOVA ESCOLA sempre defendeu que o HTPC deve ser realizado dentro do ambiente escolar, levando em conta as necessidades de cada comunidade. No dia a dia, seu papel é permitir o desenvolvimento de atividades como formação continuada, correção de provas, reflexão coletiva sobre o trabalho docente, reuniões com pais e planejamento de aulas. Para que esse tempo de formação em serviço seja útil, é fundamental planejá-lo corretamente para que cada uma das tarefas ocupe um espaço adequado na rotina dos educadores. As questões administrativas e referentes à gestão, por exemplo, têm de ficar num papel secundário. Para os professores, o que realmente importa é poder se dedicar ao aperfeiçoamento da prática, um trabalho que exige a participação permanente (e estratégica) dos coordenadores pedagógicos. É deles a responsabilidade de organizar os momentos de formação, assim como acompanhar de perto o que é realizado individualmente e orientar o diálogo sobre a prática docente, promovendo a troca de experiências dentro da escola.

A princípio, pode parecer muita coisa a fazer - e, é preciso reconhecer, fácil de se perder em meio a papos de corredor e reuniões dominadas por mensagens motivacionais e apresentações de computador cheias de imagens fofinhas. É exatamente por isso que não podemos mais fugir do foco principal, que é seguir a lei e o espírito da lei: criar um tempo para melhorar a qualidade do trabalho docente. Toda e qualquer ação em outro sentido deve ser encarada com uma afirmação clara de que a Educação no Brasil continua em segundo plano.


Trabalho sério

O que vale ou não no HTPC

Sim 
- Reunião de pais.
- Formação continuada.
- Correção de provas e trabalhos feitos pelos alunos.
- Estudo individual e coletivo.
- Encaminhamento de questões administrativas.
- Planejamento de aulas.

Não - Presença facultativa.
- Realização de atividades em casa.
- Palestras para motivar a equipe.
- Reuniões sem pauta definida.
- Conversas descompromissadas sobre o desempenho dos alunos.