quinta-feira, 16 de junho de 2011

Henri Wallon: um pouco de filosofia da educação

Nós, educadores, estamos sempre aprendendo. Recentemente conheci a pedagogia de Henri Wallon, médico, psicólogo e filósofo francês do século XIX, que mostra que as crianças têm também corpo e emoções e não apenas cérebro. A partir dessa idéia, foi ele quem lançou a tese de que a escola deve proporcionar uma formação integral (intelectual, afetiva e social).
     A teoria pedagógica de Wallon parte do pressuposto de que o desenvolvimento intelectual das crianças vai muito além do cérebro e de sua capacidade cognitiva. Foi inovador, pois foi o primeiro filósofo da educação a contestar a máxima pedagógica da época que dizia ser a memória e a erudição os princípios da construção do conhecimento. Para ele, a construção do conhecimento e a perfeita relação entre o ensino e a aprendizagem dependiam também do afetivo. Não se aprende se o emocional da criança não está bem equacionado. Para o filósofo, “a emoção é uma forma que a criança encontra para exteriorizar os seus desejos e suas vontades”.
     O desenvolvimento intelectual do educando é possível a partir de uma pedagogia mais humanizada que provoque na criança o despertar de uma sintonia com o meio em que vive. Assim, ele passa a fluir melhor o seu pensamento e a compreender o seu desenvolvimento como pessoa.
     A abordagem de Wallon leva-nos a perceber a pessoa como um todo. Ela passa a ser não um cérebro que está acumulando conhecimento, mas uma pessoa que necessita do conhecimento para viver melhor e mais feliz. Leva-nos a sentir a necessidade de ver, nos alunos, seres humanos que expressam suas emoções e necessitam de afetividade. Mais do que isso, ela nos conduz à missão de formar, respeitando a história de cada educando. Isso é maravilhoso, pois faz da educação um aprendizado constante também para o educador. A sensação é que ao nos debruçarmos sobre o desafio de ensinar, acabamos por aprender muito sobre a essência dos seres humanos e as necessidades reais do aprendizado. Este pensamento oportuniza-nos a reflexão do “homem-total”, que necessita aprender para a vida. Falamos então na construção integral do ser, capaz de desenvolver o intelecto sem esquecer o emocional e o social.
     Em uma proposta pedagógica global como a nossa, há lugar para apreciarmos a proposta de Wallon, pois nos comprometemos a formar para a vida, ensinando de verdade. Vemos o aluno como indivíduo, um ser em formação que exige cuidados e carinho. Temos consciência de que a perfeita formação respeita a pessoa como um todo. Em nossas atividades pedagógicas e eventos, envolvemo-nos com afinco na idéia de que as emoções e o pensamento são elementos essenciais para o perfeito desenvolvimento das crianças.
     Entendendo que a escola guarda para si o compromisso de difusora do conhecimento acumulado, sabemos também da necessidade de atender o indivíduo em aspectos afetivos e individuais. (Claro que reservamo-nos a aspectos que no campo psicopedagógico possam ser geridos por educadores de formação exclusivamente pedagógica, isto é, profissionais com formação exclusiva em técnicas pedagógicas). Dessa forma, a criança desfruta do conhecimento ministrado na escola e preserva seus traços originais de cultura, histórico familiar e relações sociais, e, estando ela no convívio escolar, interage com pessoas diferentes, vivendo em uma diversidade que enriquece a personalidade. Aqui temos novamente a idéia de Wallon, que coloca a escola como propiciador de subsídios para a compreensão maior das condutas individuais das crianças, permitindo assim um melhor conhecimento sobre o seu mundo, para que nossa atuação como educadores seja capaz de agi r para uma formação sólida.

     Texto escrito por José Romero Nobre de Carvalho Nascimento, historiador e diretor geral do COC Maceió e diretor das Faculdades Interativas COC. E-mail: jromero@coc.com.br

colaboração Poliana Kalinca Will Eger

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