sábado, 22 de setembro de 2018

O AMOR COMO ATO PEDAGÓGICO


O AMOR COMO ATO PEDAGÓGICO

RESUMO
O presente artigo constitui num trabalho de conclusão de curso, realizado pela autora com a finalidade de fazer algumas indagações e considerações de questões que emergiram durante a realização do Curso Normal, com habilitação em séries iniciais e tem por finalidade discutir a importância do amor na práxis pedagógica, além de reconhecer relações interpessoais que ocorrem na classe (professor x alunos) e o papel da família no processo ensino-aprendizagem de seus filhos.

A metodologia utilizada para realização deste artigo baseou-se numa revisão de literatura feita através de teóricos que tratam do tema como Campos, Chalita, Kramer, La Taille, dentre outros. Discute-se ainda acerca da importância do afeto e como este pode contribuir significativamente para a aprendizagem do aluno. Os reflexos de uma práxis baseada no amor para a escola. Trata ainda da relevância da relação entre escola e família para melhoria do processo de ensino-aprendizagem e, conseqüentemente, do desenvolvimento na sua totalidade do aluno: ator principal desse cenário.

PALAVRAS-CHAVE: Afeto. Ato pedagógico. Ensino-aprendizagem.

INTRODUÇÃO
As relações afetivas são essenciais no desenvolvimento do ser humano, e estas devem ser cultivadas, especialmente, nas instituições que trabalham com educação infantil, haja vista que a escola que cultiva tal relação tem fortalecida a sua autonomia. Neste contexto, o educador exerce o papel de mediador e incentivador, além de propiciar uma recepção afetiva dessas crianças, ao mesmo tempo em desenvolve atividades diferenciadas que promovam a aprendizagem do aluno.
O desenvolvimento destas e de demais aptidões, dar-se-ão com a eficiência da aplicação da prática. Certamente uma prática pedagógica fundamentada na afetividade possui maiores condições de atender aos objetivos educacionais, que cabe a instituição de educação infantil, que uma prática que ignora tal critério. Para tanto, o que questiono é: Em que medida o sentimento de perda altera o comportamento de crianças de 0 a 6 anos?
Portanto, ao se responder à questão: “em que medida o sentimento de perda altera o comportamento de crianças de 0 a 6 anos?”, com isso fica clara a importância da afetividade no desenvolvimento do indivíduo e demonstrar como incluí-lo na prática pedagógica de maneira eficiente.
Apesar de toda literatura que aborda a questão, através desta pesquisa tenho a intenção de criar contribuições, não só para os educadores da área, mas às instituições de educação infantil, assim como os docentes que procuram a formação da área da Pedagogia. Ressalte-se ainda, que é extremamente importante levar a conhecimento dos pais a importância da afetividade na formação da criança, fazendo com que os mesmos contribuam para tal formação.
Diante do exposto, este projeto pretende ainda analisar as seguintes questões: de que maneira a afetividade interfere na aprendizagem? Em que medida a escola sofre o reflexo da afetividade? E que medida as relações interpessoais que ocorrem na classe (professor x alunos e alunos x alunos) podem contribuir para processo ensino-aprendizagem?
Este artigo tem por objetivo discutir a importância do amor na práxis pedagógica, além de reconhecer relações interpessoais que ocorrem na classe (professor x alunos) e o papel da família no processo ensino-aprendizagem de seus filhos.

O AMOR NA PRAXIS PEDAGÓGICA
“O professor deverá cumprir com o seu papel de facilitador da aquisição de informações como mediador do processo ensino-aprendizagem e conduzir à aquisição de ideologias e conteúdos libertadores” (BEATRIZ SCOZ, 1996, p. 71).
Desde as mais remotas civilizações, a convivência social foi um grande desafio. Mulheres e homens, crianças e velhos, cada um à sua maneira tentaram ao longo dos tempos percorrer os caminhos da sabedoria para encontrar a tão sonhada felicidade, através desse sentimento (CHALITA, 2003).
Acrescenta o autor acima citado que o ser humano é social, não vive sem o outro e, sem o outro, não consegue ser feliz. Nesse instigante espectro, podemos reconhecer a grandeza divina – somos mais de cinco bilhões de pessoas, e somos únicos. Não há duas pessoas iguais. Sonhos, medos, alegrias, desesperanças… Vida. Nesse mosaico fascinante é que se percebe a importância e a grandeza da arte de educar.
De acordo com o supracitado autor, uma criança quanto mais sente que é amada, mais disciplinada estará para receber a ministração das aulas. Onde não há reciprocidade, isto é, o amor do aluno para com o professor e do professor para com seu aluno, não há assimilação ativa, não há a razão de ser da educação escolar: o desenvolvimento do educando como pessoa humana.
A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a Lei 9.394, promulgada em 1996, em seus artigos, traz a tona os princípios da educação em cada um de seus níveis e os objetivos reais do legislador brasileiro quanto ao aluno.
Esta Lei postula acerca de dois dos mais importantes princípios de uma prática pedagógica pautada no amor: o respeito à liberdade e o apreço à tolerância, que são inspirados nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana. Ambos têm por fim último o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania ativa e sua qualificação para as novas ocupações no mundo do trabalho.
Diante do exposto, na educação infantil, uma relação de amor torna possível o cumprimento do desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, na medida em que o processo didático complementa a ação da família e da comunidade.
A esse respeito tem-se que:
O professor tem de ser amigo do aluno, é um imperativo, e disso não se pode abrir mão nem fazer concessões. O professor só conseguirá atingir seus objetivos se for amigo dos alunos. (…) e a amizade com os alunos é essencial. Sem afeto, como já dissemos, não há educação (CHALITA, 2001, P. 151).
O aluno como todo ser humano necessita de afeto para se sentir valorizado e ter mantida sua auto-estima. As instabilidades emocionais dos alunos não devem ser motivos de surpresa, porém não se pode admitir tal postura da parte dos professores, uma vez que estes para seus alunos representam  um modelo a ser seguido e, por isso,  o pouco de afetividade demonstrada pelo professor representa muito para seu aluno.
Para Chalita (2001) educar é um ato de cumplicidade, de troca, de amor. Educar é ato de vida, o caminho e o encontro da felicidade. Educar é arquitetar e construir o futuro, é o abnegado ofício de plantar e colher. O grande desafio da sociedade contemporânea está aí: educar! Garantir, pelo conhecimento, a liberdade e o desenvolvimento dos povos. O problema econômico mundial passa pela educação. Povo educado tem mais higiene, conseqüentemente mais saúde. Povo educado trabalha melhor, portanto tem mais produtividade. Ou seja, com bons níveis educacionais se gasta menos, se ganha mais.
Fala ainda da importância de se tecer elogios no momento certo, pontuando que,
[…] são os pequenos gestos de atenção que quebram as barreiras e fertilizam o terreno da amizade entre ambos. È o famoso afeto de que falamos, nada tão complicado que exija sacrifícios. Basta um pouco de boa vontade e muito de vocação para o magistério. Em qualquer aspecto da vida cotidiana, não apenas na escola, a desatenção gera agressividade (CHALITA, 2001, P. 155).
Diante disso, pode-se afirmar que a educação é um ato de coragem e afeto. Coragem, porque não será a máquina ou o computador que substituirão o maestro da orquestra, o regente do processo de saber, a essência da educação: o professor (Chalita, 2003).
Nesse contexto, a educação torna-se ainda mais importante. Afeto, porque educar é um ato de amor ao próximo e a si mesmo. Quem educa não apenas ensina como, permanentemente, aprende. Crescem ambos os que estão envolvidos nesse diálogo, professor e aluno. Porque se confundem na mesma pessoa, na troca de conhecimento. Na evolução pelo saber. No equilíbrio do amar e ser amado, do dar e receber (CHALITA, 2003).
Com o advento das novas tecnologias da informação e do conhecimento do progresso científico, dos avanços da engenharia genética e outras invenções originadas da mente humana, a vida tornou-se uma forma fantástica de se viver. Pode-se creditar tudo isso à evolução da máquina, a qual evoluiu de forma extraordinariamente impressionante, porém o mesmo não aconteceu em relação ao ser humano. Este pode realizar viagens a vários países, de maneira rápida e segura, todavia não pode fazê-lo dentro do seu próprio interior (CHALITA, 2003).
A exemplo do exposto acima, ainda se assiste em pleno Século XXI cenas de discriminação, preconceito, isolamento racial, social, econômico. Na vivência da era digital, ficção literária e cinematográfica, a violência não cedeu espaços à paz, a tão desejada paz entre mulheres e homens (CHALITA, 2003).
Diante da competitividade vivida na contemporaneidade:
[…] coube à escola também acumular a tarefa da educação como forma de preparar para a vida, como um todo. Construir homens e mulheres capazes de não apenas viver, mas, principalmente, entender a vida e participar dela de forma intensa. Gente que, pelo saber, exerça a liberdade com responsabilidade e saiba defender os seus direitos; verdadeiros cidadãos (CHALITA, 2003, p. 01).
Com base nas palavras do autor acima, e refletindo acerca do papel deste no contexto escolar, vê-se que cada vez mais o professor torna-se uma figura extremamente importante, uma vez que o ato de ensinar requer do professor uma iteração com o sujeito que aprende, ou seja, o aluno, e isso requer do professor maior atenção e compromisso com o seu trabalho e, conseqüentemente, com o aluno, que é o principal no processo de ensino-aprendizagem, haja vista que este é o responsável pela construção do conhecimento.
Nada disso, é viável sem uma formação apropriada da parte do professor, e sem que este acredite no seu potencial de crescimento e mudança enquanto profissional, além de está propício a mudanças, para isso é preciso que o professor avalie e reavalie a sua práxis, com a finalidade de alcançar os objetivos pretendidos. Saliente-se ainda, que tudo isso somente será possível se o professor for capaz de estabelecer em sala um ambiente agradável e prazeroso.
A escola deve ser um espaço sagrado, no qual a convivência seja prazerosa. É o sonho e a realidade que se misturam na nobre missão de construir uma sociedade iluminada. A revolução da Educação é a revolução da humanidade. Colheita de uma semeadura corajosa e competente. Luz que poderá fazer germinar uma geração sem preconceitos e discriminações; com menos violência e apatia. A revelação do melhor, a essência do bem, o encontro da felicidade (CHALITA, 2003, p. 01).
Para cumprir com o papel com maestria no processo de ensino-aprendizagem, apresentando o elenco de informações de forma adequada ao grau de compreensão que seu aluno é capaz, estruturalmente, de ter, o professor precisa agir, “fazendo uso da Pedagogia do Amor” (CHALITA, 2003, p. 167).

O PROFESSOR E SUA RELAÇÃO COM O ALUNO
Na interação com o aluno, o professor poderá observar se há alguma alteração visual, auditiva, motora que modificariam a forma de perceber as coisas. Através de uma relação respaldada no diálogo, é possível entender como se estrutura o pensamento do sujeito que está aprendendo ou não, bem como quais as suas habilidades, interesses, valores e vínculos; que medos, conflitos, defesas, ansiedade está vivenciando; como se relaciona com o saber anterior e o novo e qual o seu modelo de aprendizagem, seu método. O significado, a razão de aprender para ele e para sua família, como cada um valoriza a escola e que expectativas têm em relação ao trabalho desenvolvido na instituição, também são dados que o professor poderia obter para organizar  seu trabalho visando a favorecer  a aprendizagem.
Entretanto, na medida em que se desenvolvem as relações entre o professor e os alunos, sua liderança pode tornar-se sempre menos institucional e sempre mais natural, pessoal. Na medida em que suas relações com os alunos ultrapassarem os estreitos limites da sala de aula, na medida em que estabelecer com eles um relacionamento amistoso, na medida em que for aceito como pessoa e não como simples autoridade, liderança pessoal.
É na sala de aula que ocorre o momento crucial da educação escolar, e encontro de duas vidas, ambas buscando crescer e alcançar a plenitude, a comunhão aluno-professor. Um componente importante para o desenvolvimento do trabalho pedagógico é a interação professor-aluno. O relacionamento entre estes dois elementos constitui a chave do processo ensino aprendizagem. O contato entre mestres e alunos, a demonstração de afetividade, de atenção e interesse e desempenho de suas tarefas.
O aluno e o professor assumem, na sala de aula, posições distintas de cuja interação resultam a aprendizagem e a educação.
A diferente forma de relacionamento que o professor adota com o aluno pode ser considerada como mediações históricas. Elas estão diretamente relacionadas com a concepção de homem, de sociedade, de aprendizagem, de conhecimento, etc.
De acordo com a fundamentação teórica que o professor adota em sua prática educativa ele revela um tipo de relacionamento com o aluno ou se tornando o centro do processo educativo ou dando ao aluno em se constituir em sujeito desde processo ou ainda, se ambos constituindo em agentes educativos.
A abordagem tradicional tem relação professor-aluno como vertical sendo que o professor detém o poder decisório sobre a ação do aluno, sua forma de agir diante das situações. As relações que se exercem na sala de aula são feitas longitudinalmente em função do mestre e do seu comando. Predomina a autoridade do professor que exige atitude receptiva dos alunos e impedem qualquer comunicação entre eles no decorrer da aula. O professor transmite o conteúdo na forma de verdade a ser absorvida; em conseqüência, a disciplina é imposta e o meio mais eficaz para assegurar a tenção é o silêncio.
Na abordagem comportamentalista as relações são estruturadas e objetivas com papéis bem definidos. O professor é considerado um planejador e um analista das contingências de reforço de modo a possibilitar ou aumentar a probabilidade de ocorrência de uma resposta a ser aprendida. O aluno recebe e fixa as informações. O professor é apenas um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno, cabendo-lhe empregar o sistema institucional previsto. O aluno não participa da elaboração do programa educacional. Ambos são espectadores frente à verdade objetiva. A comunicação professor-aluno tem uns sentidos exclusivamente técnicos, que é o de garantir a eficácia de transmissão de conhecimento. Debates, discussões, questionamentos são desnecessários, assim como não são considerados.
Na abordagem humanista o professor assume a função de orientados e facilitador do processo ensino-aprendizagem, devendo, portanto propiciar um clima favorável para a aprendizagem, para que esta ocorra através de vivências de experiências significativas que lhe permitam desenvolver características inerentes a sua natureza. O professor é um especialista em relação humana, ao garantir clima de relacionamento pessoal autêntico. A relação professor-aluno deve basear-se na autenticidade, na essência na compreensão da conduta e na confiança em relação ao educando. O aluno deve ser compreendido como um ser que se autodesenvolve e cujo processo de aprendizagem deve ser-lhe facilitado. É uma relação “aberta” que deve favorecer ao aluno a possibilidade de “ser”.
Na abordagem cognitiva não há lugar privilegiado para professor, antes seu papel é auxiliar o desenvolvimento livre e espontâneo da criança, se intervém é para dar forma ao raciocínio dela. Cabe a ela criar situações proporcionando condições onde possam se estabelecer reciprocidade intelectual e cooperação ao mesmo tempo moral e racional, entre alunos. Devem evitar rotina, fixação de respostas, hábitos. Deve orientar o aluno a conceder-lhe ampla margem de auto controle e autonomia: assumir o papel de investigador, pesquisador, orientador, coordenador, levando o aluno a trabalhar o mais independente possível.
O professor deve conviver com os alunos, observando seus comportamentos, conversando com eles perguntando, sendo interrogado por eles e realizar também com eles, suas experiências, para que possa auxiliar sua aprendizagem e desenvolvimento. É ainda, da responsabilidade do professor oferece orientações adequadas para que os objetivos sejam manipulados pelos alunos e para que encontrem, por si, as soluções dos problemas.
A abordagem sócio-cultural que evidência as finalidades sócio-políticas da educação e da aprendizagem apresenta a relação professor-aluno de forma horizontal e não imposta. Educador e educando se constituem em sujeito do ato de conhecer. A aprendizagem, o conhecimento resulta de trocas que se estabelecem na interação com o meio e o sujeito, tendo o professor como mediador, então a relação pedagógica consiste no proveniente das condições em que professores e alunos possam colaborar para fazer progredir essas trocas. Assim, um professor que esteja engajado numa prática transformadora procura desmistificar e questionar com aluno, a cultura dominante, valorizando a linguagem e a cultura deste, criando condições para que cada um deles analise o seu contexto e produza cultura.
Cabe ao professor proporcionar ao aluno momentos de reflexão que conduzam ao aprofundamento da consciência da situação problemática apresentada em vista a sua superação. A relação dialógica professor-aluno pressupõe envolvimento dos participantes e requer uma atitude aberta de compreensão do homem, de análise e crítica constante. O professor tem uma ação dinamizadora impulsionando a ação do aluno-indivíduo e coletivamente. Seu relacionamento com o aluno o leva a desenvolver modelos de intervenção mútua onde são despertados, por exemplo, o respeito dos outros, os esforços coletivos, a autonomia nas decisões, a responsabilidade compartilhada e a solução e comum dos problemas.
Reconhecer que os alunos hoje possuem um outro padrão de aprendizado é um caminho para o professor. De acordo com  Pierre Bertaux, em seu livro A Educação do Futuro, o aluno contemporâneo apresenta um aumento visível da sensibilidade visual e audiovisual, no entanto há uma considerável regressão da sensibilidade auditiva pura; é mais rápido na aprendizagem e na  manipulação e interpretação de  sinais e símbolos, entretanto possui  importante dificuldade de concentrar-se por mais de dois ou três minutos seguidos sobre o mesmo tema, bem como de decorar e reter textos de certa extensão.
Procura-se atualmente resgatar a dimensão humana do trabalho pedagógico evidenciando o relacionamento do professor com aluno, mas ao lado do papel técnico de ensinar, ou seja, o “como se relacionar com o aluno” está incluindo o papel político desse relacionamento e de mobilizar, de acionar a participação efetiva no processo de mudança da realidade.
Leituras e debates entre professores e profissionais da área da saúde poderão ser oportunidades importantes para que o professor conheça mais como acontece e como poderá contribuir para o desenvolvimento cognitivo de seus alunos. Atualmente muito se discute sobre o funcionamento cerebral e as formas múltiplas de aquisição, memorização, consolidação e evocação de uma informação que poderá ser transformada em saber levando em consideração que “o  cérebro  não é um sistema de funções fixas e imutáveis, mas um sistema aberto, de grande plasticidade” (VYGOTSKY apud OLIVEIRA, 1993, p. 4).
Ao promover situações em que se reflita sobre as regras e contra-regras, ordens e contra-ordens, conflitos, oposições, valores a escola estará preparando o aluno para lidar com  a diversidade, para aceitar o outro e sua opinião, experienciando o erro, o fracasso, as perdas, desenvolvendo a sua maturidade emocional, contribuindo, pois, para a formação da sua identidade.
Ao realizar seus planejamentos, o professor que atua com uma postura de educador, antes de organizá-los considera as vivências, os conhecimentos e as informações que o aluno carrega e a sua forma de ver e de viver no mundo moderno, para optar por uma forma metodológica que auxilie a transpor os conteúdos sistematizados, científicos e promover uma aprendizagem significativa.
Ademais, segundo Chalita (2001, p. 177):
O professor que se busca construir é aquele que consiga de verdade ser um educador, que conheça o universo do educando, que tenha bom senso, que permita e proporcione o desenvolvimento da autonomia de seus alunos. Que tenha entusiasmo paixão; que vibre com as conquistas de cada um de seus alunos (…).
E isso não acontece por acaso. A educação, também, se faz na escola, onde muitas outras acontecem. Há reuniões de professores. Há o Plano Diretor para se levar em conta. Há o contato com pais.
A grande responsabilidade para a construção de uma educação cidadã está nas mãos do professor. Por mais competentes e interessados que sejam diretores e coordenadores, nenhum projeto terá sucesso se não for abraçado pelos professores, porque é com eles que os alunos têm maior contato (CHALITA, 2001).
Para executar a contento todas essa atividades, os professores devem possuir características muito especiais. Num perfil profissional, essas características são definidas numa certa ordem, permitindo que se construa uma imagem coerente da profissão.
Mas o ensino não pára de mudar, e, com ele, muda a imagem do professor.
Partindo-se do pressuposto de que, para um ensino de qualidade, é necessário constantemente tentar assumir a perspectiva do aluno.
Um ponto de referência do professor poderá ser a experiência do próprio espaço e das diferenças em relação ao aluno; dos espaços mais conhecidos de cada um e que servem de referências individuais. Essa deve ser a concepção fundamental de espaço, porque a mais natural, feita sem ajuda de instrumentos e no contexto da qual o ser humano evoluiu sua inteligência, inicialmente espaços limitados pela capacidade de mobilidade humana. A partir do seu espaço o aluno poderá imaginar e aprender sobre outros espaços, também conhecidos dele ou dela através de deslocamentos habituais, que fazem o cotidiano de cada um.
A esse respeito postula chalita (2001,p.179):
O professor só conseguirá fazer com que o aluno aprenda se ele próprio continuar a aprender. A aprendizagem do aluno é, indiscutivelmente, diretamente proporcional à capacidade de aprendizado dos professores. Essa mudança de paradigma faz com que o professor não seja o repassador de conhecimento, mas orientador, aquele que zela pelo desenvolvimento das habilidades de seus alunos.
Nesse contexto, não há mais espaço para professores mal formados, ou que parem de estudar. Ademais, é necessário que o professor esteja por dentro do que se passa na sociedade e se mantenha atualizado em relação aos avanços nos campos da sociedade e da cultura, da ciência e da técnica, da saúde e do meio ambiente, da política e da filosofia de vida. Deve saber definir a sua posição quanto a cada um destes avanços, consciente de que é um modelo importante para os seus alunos.
Segundo Veldhüyzen e Vreugdenhil (2004), espera-se do professor que:
  • Mantenha em um bom nível os seus conhecimentos sobre os avanços aqui mencionados, através de diferentes meios, inclusive por sua participação na vida social;
  • Aguce a compreensão sobre a tensão e a conexão entre características valiosas e relativamente estáveis da sociedade e novas modas e tendências;
  • Reflita sobre suas próprias experiências como participante na vida social, dentro e fora das fronteiras de seu país, transformando-as em dados que sejam úteis ao exercício de sua profissão;
  • Traduza suas afinidades ou o seu envolvimento com fenômenos sociais específicos, em desenvolvimento contínuo das suas próprias preferências e do seu interesse pela profissão.

A RELAÇÃO ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA
Nessa relação, cabe ao professor ter consciência da importância da família para a promoção efetiva do processo de ensino e aprendizagem, uma vez que é extremamente relevante que estes dois segmentos estejam em sintonia em função do sucesso da criança.
Diante disso, espera-se do professor que:
  • Conheça os mais importantes movimentos na história da educação e na atualidade do ensino, bem como o modo pelo qual a educação e o ensino estão ligados entre si no contexto destas correntes;
  • Compreenda como o seu trabalho cotidiano está ligado aos acontecimentos na sociedade, no que diz respeito a perspectivas culturais e filosóficas;
  • Possua um conceito de trabalho indicando como concretizar de modo coerente a educação e o ensino em suas ações cotidianas.
De acordo com chalita (2005, p. 23), “as pessoas tem que perceber que a escola pertence à comunidade”. Acrescenta que os atos de agressão praticados contra a escola são uma agressão a si mesmos. Para isso, é preciso que os pais estejam pertos de seus filhos.
A educação de um aluno acontece no dia-a-dia, na relação que ele tem com “o pai, a mãe, a igreja a que ele vai, os amigos… Quanto mais os pais estiverem em sintonia com a direção da escola e com os educadores, mais fácil vai ser o processo educativo dessas crianças” (CHALITA, 2005, p.23).
O atual paradigma de competência repousa em uma ação humana criativa, contextualizada, adequada à realidade, respaldada no conhecimento científico e realizada com muita maturidade emocional.
Aprender a  lidar com o desconhecido, com o conflito, com o inusitado, com o erro, com a dificuldade,  transformar informação em conhecimento, ser seletivo e buscar na pesquisa as alternativas para resolverem os problemas que surgem são tarefas que farão parte do cotidiano das pessoas.
A escola, no cumprimento da sua função social, deverá desenvolver nas crianças e jovens que nela confiam a sua formação, competências e habilidades para prepará-los para agir conforme as exigências da contemporaneidade.
Como não há como se distanciar desta realidade, todos os profissionais da educação sentem a necessidade de refletir sobre suas ações pedagógicas, no que diz respeito a conhecer e reconhecer a importância do  sujeito da aprendizagem, a entender  o  que pode facilitar a aprendizagem.
Segundo o autor acima citado a aproximação do professor com o aluno melhora a relação humana e melhora também a aprendizagem.  É imprescindível que o professor colabore nas atividades de articulação da escola, com as famílias e a comunidade. Nesse contexto, para que o processo de aprendizagem seja eficiente, os atores sociais precisam participar e essa articulação é importante.
A parceria escola/família, escola/comunidade é importante para o sucesso do educando. Do contrário fica difícil a compreensão do mundo por parte do aluno. Estes segmentos caminhando juntos pode representar um avanço efetivo nesse novo conceito educacional: a formação do cidadão (CHALITA, 2001).
A família, primeiro núcleo do qual a criança faz parte, e a escola, extensão dessa família, constituem os espaços onde o aluno vive a maior parte do seu tempo. As pessoas com as quais os alunos convivem são aquelas que melhor os conhecem. Portanto, a opinião dessas pessoas é fundamental para se compreender esse aluno.

CONCLUSÃO
É de fundamental importância que todos os integrantes da educação interessados numa convivência sadia proporcionem, através da vivência de uma afetividade (oferecendo amor, porém impondo limites para os impulsos que contrariam as necessidades do grupo), a oportunidade de o sujeito aprender a cuidar de si e do meio em que vive.
Em ultima análise, é preciso compreender que tanto no âmbito familiar quanto no escolar, deve haver uma relação de afeto, pois é isso que ajudará a construir um ser humano psicologicamente saudável. O ato de cuidar é maravilhoso – é o sentimento que vai tornar o outro importante. O pai e o professor, educadores que são, devem entender que têm uma missão: construir um ser humano. Isso somente acontecerá pela obra do amor, amor esse que cobra, que é duro, que traz sofrimento e preocupação, mas, por outro lado, traz muito prazer e a realização do ato humano mais criador – fazer nascer um ser de verdade.
Em última análise, pode-se afirmar que uma práxis pedagógica que respeite o ritmo de aprendizagem do aluno e que promova um ambiente agradável, no qual se perceba o amor como sentimento cultivado por todos os envolvidos no processo, além de um ambiente de inter-relações saudável, contribui consideravelmente para o bom desempenho escolar do aluno e o seu crescimento enquanto pessoa.

REFERÊNCIAS
CAMPOS, D. M. de Souza. Psicologia da aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1987.
CHALITA, G. B. I. Educação: a solução está no afeto. São Paulo: Editora Gente, 2001.
_______ . Educar é um ato de coragem e afeto. Jornal A Tribuna (Santos), 27/05/2003. Disponível em <http::/www.google.com.br>  Acessado em  23 de mar. De 2005.
_______. Lugar de família é na escola. In: Revista Aprende Brasil. Ano 2, nº 3 fev. de 2005.
DEMO, Pedro. Sociologia da educação. Brasília: Plano, 2004.
GADOTTI, Moacir. Antroposmoderno – Pedagogia da terra: Ecopedagogia e educação sustentável. Disponível em  <www.uol.com.br/aprendizrevistaedu/abril99/artigo.html> Acessado em abr. 2003.
GOODE, W. J. & HATT, P. K. – Métodos em Pesquisa Social. 3ªed., São Paulo: Cia Editora Nacional, 1969.
KRAMER, Sonia in Leite Maria Isabel. Infância: fios e desafios da pesquisa. Campinas, S.P: Papirus, 1996.
LA TAILLE, Yves et all. PIAGET, VYGOTSKY e WALLON: Teorias psicogenéticas em discussão. SP: Summus, 1992.
LUCK Heloísa in DOROTHY G. Carneiro. Desenvolvimento afetivo na escola: Promoção, medida e avaliação. RJ: Vozes, 1983.
MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma-reformar o pensamento. Cidade: SP, Bertrand Brasil, 2001.
OLIVEIRA, M.K. Vygotsky – aprendizado e desenvolvimento – um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1993.
VELDHÜYZEN, Loek van e VREUGDENHIL, K. O meu professor ideal. Disponível em <http::/www.google.com.br>  Acessado em  23 de mar. De 2005.
Autor: Mirian Oliveira Machado

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Não há!

Não há  tecnologia educacional  que dê certo sem o professor.

Não há proposta pedagógica, nem Plano Curricular, nem Metas do Plano de Desenvolvimento da Educação que funcionem sem a efetiva participação do Professor.

Não há educação que se sustente sem que se invista no aprimoramento e valorização do Professor.

Mas também não merece a reverencia deste título aquele que, tendo consciência da sua importância na transformação do mundo, não a inicia por si próprio.

É preciso que a escola invista mais no professor.

É preciso que o professor invista mais em si próprio.
Investir no professor é disponibilizar meios para a sua capacitação e atualização profissional. Quanto maiores são os conhecimentos dos recursos próprios e a democratização da informação, maior a sua flexibilidade e possibilidade de sucesso.

Ninguém deixa de fazer o melhor simplesmente por que quer.

Só deixa de fazer por que não sabe.

Ninguém deixa de alcançar suas metas na vida por que quer, ainda que boa parte lance mão de justificativas, ninguém quer ser o autor de  ações fracassadas. Só acontece quando se desconhecem alternativas. Encontrar alternativas, muitas vezes, requer criatividade.

Criatividade exige inovação, inovação exige conhecimento.

Os dias de hoje são de grandes  e maravilhosos desafios. Não pense em resolver problemas novos com antigas soluções.  É hora de deixar o “antigamente” no passado. De entender que conhecimento se conquista todos os dias e que o ideal de ontem pode não ser a melhor solução para hoje.

O aluno de hoje quer e precisa de um professor com atitudes de hoje e não de um professor  hoje  com atitudes de ontem.
Para alcançar as metas de qualidade  da  educação  estabelecidas pelo governo é preciso que cada escola, em qualquer canto deste País, faça a sua parte.

É preciso que cada Professor  renove seus sonhos e refaça suas atitudes em sala de aula.
Precisamos mudar coisas simples como melhorar a COMUNICAÇÃO (Padrões, Estratégias, Estilos, Canais); desestimular a INDISCIPLINA  em sala de aula; elevar a CONCENTRAÇÃO; investir na AUTO-ESTIMA e acreditar que é possível realizar SONHOS.


Agora sim, rumo às Metas.
José Carlos Serrano Freire
http://www.serranofreire.com.br/art_18.php

Conheci muitos professores



Cada um com sua identidade, características e sonhos
Conheci Professores exigentes e intransigentes.

Conheci Professores radicais, hoje terminais.

Conheci os tipos simpáticos e camaradas. Conheci os rabujentos, 
cheios de não-me-toques.

Conheci os esnobes, os arrogantes, os prepotentes, os “espertos”, 
em franca extinção.

Conheci os dóceis, meigos, envolventes.

Conheci aqueles que sorriam, querendo mostrar poder, quando os alunos perdiam...

Conheci aqueles que vibravam e se emocionavam, quando os alunos venciam.

E tirei de todos grandes lições. Entretanto, os que mais me marcaram foram

aqueles que me falaram com o coração. Com simplicidade, com paciência, com afeto. Aqueles para os quais podia apontar e dizer: estes são os meus amigos...

Aqueles que me permitiram entender que, não sendo Super – Homens,

são, além de professores, homens e mulheres iluminados e pouco comuns.

São simples e grandiosos. São, na verdade, pessoas muito especiais,

para as quais, também, tenho orgulho de dizer: EU SOU PROFESSOR!

Texto do Livro
Sou Professor
Texto do Livro
Sou Professor

Somos seres encantados.



Há algo de encantador em tudo que vemos, nas emoções que sentimos e provocamos, nos sonhos

 que acalentamos e nos sonhos que fazemos sonhar, nos ideais que perseguimos e nos ideais que 
ajudamos a construir.

E quanto mais nos encantamos com o que fazemos, mais cores e brilhos colocamos no que temos

 a fazer e assim encantamos a vida, as pessoas e tornamos o mundo um pouco melhor.

O médico encantado com a sua profissão sonha com todas as formas de curar seus pacientes. 

O bom médico encanta o seu paciente, conquistando a sua absoluta confiança.

O engenheiro encantado com o seu trabalho vê um terreno vazio e seus olhos brilham com o

 esplendor do prédio que está somente na sua cabeça e seus auxiliares passam a acreditar em 
seu sonho e a trabalhar, para que se concretize.

O gari encantado varre as ruas como se encerasse um palácio de cristal e, ao final do dia, com o

 corpo físico cansado, sente orgulho de tanto bem estar que causou e encanta a todos com o
 respeito que tem pelo que faz.

O artista encantado nos faz rir e chorar com a sua arte e absoluta dedicação e empenho.

 Independente do tamanho da sua plateia,cria emoção e a emoção nos faz sentir encantados.

O professor encantado vê em cada aluno um novo construtor do mundo; alguém que veio

 para dar continuidade ao eterno encantamento do ser humano. Precisa ser trabalhado, burilado, 
amado, respeitado, encantado.

O professor encantador se esforça mais que qualquer outro.

Não culpa seus alunos, ao contrário, seduz, conquista, cria amigos e seguidores.

Vibra com as suas vitórias, comemora suas conquistas. O professor encantador se encanta 

com o sucesso dos seus alunos.

Entretanto, precisamos estar atentos aos nossos desafios; muitos nos fazem perder o 

encantamento pelo que somos, pelo que fazemos. E quando deixamos de estar encantados, 
as coisas perdem o sentido, o brilho, a razão.

Quando o professor perde o encantamento pelo que escolheu fazer da sua vida, irrita-se com 

 mais facilidade – afinal, não está decepcionado com os seus alunos nem com a escola; está 
decepcionado com o que não está conseguindo fazer dele próprio; perde a paciência com 
frequência e tem uma vontade incontrolável de convidar o aluno para sair da sala.

Nessa hora, meu amigo, o melhor é dar uma parada, buscar na reflexão os propósitos da 

sua vida e recomeçar...

Recomeçar como se fosse o primeiro dia de um professor encantador. Nós sempre podemos

 recomeçar, onde quer que tenhamos chegado, não tenha constrangimento de mudar, de recomeçar, 
afinal, como seres em permanente mudança, o que não podemos perder é a capacidade de nos encantar.

Não esmoreça, levante, sacuda o desânimo, permita-se encantar com o que está ao seu redor e

 volte a ser um grande encantador de alunos.



Do livro Seja o Professor Que Você Gostaria de Ter.
Serrano Freire

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Registro





Registro de impressões e constatações do Fórum FENEX- Sétimo Fórum nacional Extraordinário da UNDIME.

O Fórum Nacional extraordinário da UNDIME aconteceu nos dias 14 a 17 de agosto de 2018. Todas as palestras, mesas redondas   e reflexões   tiveram três alicerces de ponderações, colocaram a importância central da formação de professores como a forma mais eficiente para aprimorarmos as práticas pedagógicas. Como segundo elemento importante a necessidades de condições de trabalho e também a necessidade de buscar resultados eficientes de aprendizado.
O cuidado com a excelência na educação precisa levar em conta uma gestão organizada da Rede de Ensino e da sala de aula, o trabalho que respeite a heterogeneidade de profissionais e alunos e uma avaliação necessária, que oportunize novos planejamentos e práticas diferenciadas que propiciem o aprendizado.
Discursos equivocados que procuram culpados para os insucessos educativos   não cabem mais no panorama do sec. XXI,   é momento de aliar forças, analisar dados, propor currículos eficientes e aproximados da realidade, mas  sobretudo proporcionar motivos para os alunos gostarem da escola e perceberem que nela é possível aprender e conviver. O grande desafio é conquistar os alunos, eles precisam ver sentido na escola, para isto é indispensável potencializar o poder das equipes e de todos juntos (famílias, sociedade e escola) alavancarmos o processo de aprendizado. O sentido de pertencimento favorece e minimiza muitas das nossas angústias e lutas. Empatia com famílias, professores e alunos.
“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, mas se nos unirmos o bicho foge” Dr. Renato Casagrande.
Tivemos palestras   sobre índices e dados de pesquisa que podem nos dar um panorama nacional sobre a educação e seus profissionais.  Santa Catarina se coloca dentre os cinco primeiros Estados do País, em muitas das perspectivas analisadas e isso de forma positiva. Sabemos que talvez isso não represente muito, mas que diante do cenário nacional   nossas potencialidades é destaque em relação ao restante do Brasil. Num evento desta magnitude e na troca de experiências é possível verificar quantas questões nos aproximam e mudam apenas de endereço e tantas outras que a gente nem consegue perceber em nosso contexto como imensas potencialidades que temos. Um país continental como o nosso tem uma diversidade incrível.
Foi possível conhecer um grande número de representantes de Institutos e empresas parceiras que desenvolvem trabalhos e projetos voltados a educação, oferecendo contatos e algumas possibilidades muito interessantes. A sociedade, através de seus órgãos representativos tem se mobilizado para colaborar nas causas educacionais com resultados comprovados.
A Base Nacional Curricular foi amplamente debatida sob vários pontos de vista, mas ainda que necessitando de olhares atentos sobre determinadas questões, foi avaliada por todos os palestrantes como uma importante ferramenta para garantia dos direitos de aprendizagem, ressaltando a importância de serem os mesmos em todo o país. O compromisso e também o desafio é de transpor através de bons currículos e mediações significativas a BNCC para a vida de nossos alunos.
A temática que teve um grau elevado de polêmica e desafio, tratou sobre o financiamento da educação, a revogação da emenda A EC 95, que   significa na prática a redução da presença do Estado na garantia dos direitos sociais e difusos. Não apenas congela os recursos por 20 anos; reduz a participação dos gastos sociais no orçamento público; impede o cumprimento das metas do PNE (10% do PIB para a educação). Ficou bem ressaltado que NÃO EXISTE FUTURO PARA O PAÍS SEM A REVOGAÇÃO DE EC 95/16.
Participar de um fórum nacional proporciona muito aprendizado, oportunizando   construção de conhecimento, troca de   ideias, compartilhamento de  experiências  com muitas regiões do país. Foi possível perceber o quanto estamos alinhados com as políticas nacionais de Educação e perceber a dimensão de quantos desafios temos por conquistar.

Algumas das palestras do Fórum podem ser acessadas neste endereço:

Trombudo Central, 20/08/2018



terça-feira, 21 de agosto de 2018

ROLHA PEDAGÓGICA

Um Supervisor visitou uma escola fundamental. Em seu trajeto observou algo que lhe chamou a atenção:

 Uma professora estava entrincheirada atrás de seu escritório, os
alunos faziam a maior bagunça; o quadro era caótico.
Decidiu, então, se apresentar:

- Com licença, sou o Supervisor... Algum problema? -
Resultado de imagem para pedagógico- Estou completamente perdida senhor, não sei o quê fazer com estas crianças... Não tenho lâminas de apresentações, não tenho livros, o ministério não envia sequer o mínimo material didático, não tenho recursos eletrônicos, não tenho nada novo para lhes mostrar, nem o que lhes dizer! –
O Supervisor, que era um docente de alma, viu uma rolha sobre o
escritório, a tomou, e com serenidade oriental falou com as crianças:

 - Alguém sabe o que é isto? –

 - Uma rolha! - gritaram os alunos surpresos.
- Muito bem. E de onde vem a rolha? -
- Da garrafa. Uma máquina a coloca. De uma árvore. Da cortiça. Da madeira. – respondiam as crianças animadas.
- E o que dá para fazer com madeira? – continuava entusiasta o docente.
- Cadeiras. Uma mesa. Um barco! -
- Muito bem, Então teremos um barco. Quem se anima a desenhá-lo? Quem faz um mapa na lousa e indica o porto mais próximo para o nosso barquinho? Escrevam a qual Estado brasileiro corresponde. E qual é o outro porto mais próximo que não é brasileiro? A qual país corresponde? Alguém lembra que personagens famosos nasceram ali?
Alguém lembra o que produz esse país? Por acaso, alguém conhece alguma canção desse lugar? -

E assim, começou uma aula variadíssima de desenho, geografia,
historia, economia, música, etc.
A professora ficou muito impressionada. Quando a aula terminou,
comovida, disse ao Supervisor:

- Senhor, nunca esquecerei a valiosa lição que hoje me ensinou.
Muitíssimo obrigada!!! -
O tempo passou. O Supervisor voltou à escola e procurou pela
professora. A encontrou novamente encolhida atrás de seu escritório, os alunos, outra vez, em desordem total.

- Mas, professora, o que houve? Lembra de mim? -
- Mas é claro, como poderia esquecê-lo? Que sorte que o senhor voltou!
Não encontro a rolha. Onde a deixou? -

 Quando alguém não tem vocação para o que deve realizar, nunca vai achar a rolha!

(Autor desconhecido)

terça-feira, 31 de julho de 2018

O Poder de transformar


A literatura amplia o repertório cultural e emocional, promovendo o desenvolvimento integral do aluno

Data: 27/07/2018
Comentários: 2
A história começa com o diálogo entre uma agulha e um novelo de linha. Eles discutem sobre qual função tem mais valor no ato de costurar um vestido: a da agulha, que “fura o pano”, ou a da linha, que “prende um pedaço a outro”. Ao longo da narrativa, um duelo de argumentos entre os objetos é travado até que o vestido fica pronto e a realidade se impõe. Enquanto a agulha volta para a caixinha de costura, a linha “vai ao baile no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância”. Melancólico, um alfinete encerra a conversa com a triste lição: “Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico”.
Se, ao ler este resumo do conto “O Apólogo”, de Machado de Assis, você se identificou – mesmo que por um segundo – com a agulha, com o novelo de linha ou com o alfinete; ou ainda depreendeu da história aspectos da realidade e ponderou sobre eles, acaba de experimentar uma das facetas mais poderosas da literatura: a reflexão por meio de situações imaginárias. Uma característica que, sozinha, já tornaria a arte literária, de tecer um texto, essencial à formação integral dos alunos. Mas vai além. “A literatura proporciona também a ampliação do repertório cultural, fomentando um estudo sobre nossa identidade e de outros povos, promove autoconhecimento e até nos transforma em relação a conceitos, sensações e emoções que antes desconhecíamos”, avalia Renata Ribeiro de Moraes, doutora em Literatura Brasileira e assessora pedagógica da área de Treinamento e Desenvolvimento da Somos Educação.
“A literatura proporciona também a ampliação do repertório cultural, fomentando um estudo sobre nossa identidade e de outros povos.”
Renata Ribeiro de Moraes, doutora em Literatura Brasileira e assessora pedagógica da área de Treinamento e Desenvolvimento da Somos Educação
Por esse motivo, a especialista recomenda que o contato com essa forma de arte comece muito antes de os alunos entrarem na escola e siga com atenção especial nos primeiros anos de letramento. Um processo que se inicia em casa e continua na escola. “Não demanda muito esforço aproximar as crianças dos livros, já que elas amam as cores, desenhos e texturas deles. Mas é preciso incentivar o contato, estimular a curiosidade e os sentidos através da visão, tato, olfato e apresentar novas e surpreendentes possibilidades aos educandos”, complementa. Um universo quase ilimitado que depende, em grande medida, do desejo e do olhar atento do professor para ser explorado.

Ponto de partida

Para iniciar essa jornada, o docente deve investigar os interesses de seus alunos, propiciando a oralidade por meio das rodas de conversa, brincadeiras e situações do cotidiano. Os grandes temas do momento podem ser o gatilho necessário para introduzir, de acordo com a faixa etária, obras literárias que apresentem temáticas que envolvam o aluno em um clima de reflexão e observação da realidade. Abordar a biografia de autores é também outra maneira interessante de despertar a curiosidade dos alunos. “Falar sobre o autor da obra, sua biografia e sobre sua importância para a formação da nossa identidade cultural, por exemplo, são elementos extraliterários que interagem com o texto e geram pontos de conexão entre passado e presente”, considera a especialista. E é esse tipo de abordagem que torna a aprendizagem realmente significativa e atraente.
Mas, para tudo isso se concretizar, o professor precisa ser leitor e um apaixonado pela literatura. “Se o docente quer formar um leitor literário, ele precisa ter propriedade para falar sobre o tema e testemunhar sobre o que ele proporciona em sua vida. Nada é mais motivador que o exemplo, especialmente quando ele vem de uma referência tão importante na vida dos alunos como o professor”, garante Renata. Exemplos não faltam para confirmar o que diz a especialista. Afinal, quem nunca se apaixonou por uma disciplina depois de escutar, analisar e participar, encantado, da aula de um professor altamente motivado?
Lançar mão dos recursos que a tecnologia popularizou é outra forma eficaz de trazer a literatura à realidade dos alunos. “Existe uma infinidade de sites, plataformas, bibliotecas, e-books, vídeos, acervos e conteúdos audiovisuais para complementar a vivência em sala de aula. Os pais podem mediar essa experiência também e participar ativamente do processo de formação dos pequenos leitores”, garante.
“Se o docente quer formar um leitor literário, ele precisa ter propriedade para falar sobre o tema e testemunhar sobre o que ele proporciona em sua vida.”
Renata Ribeiro de Moraes, doutora em Literatura Brasileira e assessora pedagógica da área de Treinamento e Desenvolvimento da Somos Educação

Literatura como um direito

Antonio Candido, um dos principais críticos literários brasileiros (falecido em 2017), em um de seus textos mais aclamados, compara o direito à cidadania ao do acesso à literatura. Para o autor, “ela tem sido um instrumento poderoso de instrução e educação, entrando nos currículos, sendo proposta a cada um como equipamento intelectual e afetivo. Os valores que a sociedade preconiza, ou os que considera prejudicais, estão presentes nas diversas manifestações da ficção, da poesia e da ação dramática. A literatura confirma e nega, propõe e denuncia, apoia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas”. Em outras palavras, possibilita ao aluno enxergar sua realidade de modo crítico, tornando-se protagonista de sua própria história. “Por isso mesmo, é um direito emancipador”, conclui Renata.

Literatura na prática

Confira algumas práticas que a especialista elenca para inserir, cada vez mais, a literatura ao cotidiano do aluno
  1. Elabore projetos de leituras na escola
  2. Faça uma sacola para colocar livros que os alunos possam levar para casa e, assim, estimular a leitura de outros membros da família
  3. Convide autores de obras literárias para participar de rodas de conversas com alunos
  4. Desenvolva momentos em que o aluno possa indicar a leitura de um livro para um colega
  5. Promova rodas literárias para indicações entre leitores
  6. Desenvolva trabalhos interdisciplinares analisando, sob diversos pontos de vista, obras literárias
  7. Incentive e realize contação de histórias e leituras mediadas
  8. Chame um dos seus avós, ou alguém da família para contar histórias
  9. Faça um sarau entre professores e alunos
  10. Reúna outros educandos da escola para apresentação de peças teatrais dos próprios alunos baseadas nos livros lidos
  11. Organize uma feira de livros
  12. Apresente a literatura em diversas linguagens: livros, filmes, peças teatrais, musicais, exposições e outros
  13. Trabalhe com o aluno diferentes versões e posicionamentos para uma mesma história, como Monteiro Lobato faz em “A Cigarra e a Formiga”, texto no qual o autor dá o devido valor ao trabalho do artista (cantor) ao se referir à cigarra. Vale a (re)leitura, professor. Literature-se!

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