domingo, 13 de maio de 2018

Bons argumentos!



Emilia Ferreiro

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Jean Piaget

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A IMPORTÂNCIA DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA LIDERANÇA

A liderança é um tema importante devido ao papel fundamental que os líderes representam na eficácia do grupo e da organização. Os líderes são responsáveis pelo sucesso ou fracasso da organização. Liderar não é uma tarefa simples,porque exige paciência pois é um ser vivo, dotado de colaboradores dos mais diferentes tipos. Liderar de uma forma bem simples pode ser entendida como eficaz e eficiente das pessoas de uma equipe ,para que se atinja os objetivos propostos pela organização.É o processo de conduzir um grupo de pessoas, transformando-o numa equipe que gera resultados. É a habilidade de motivar e influenciar as pessoas, de forma ética e positiva, para que contribuam voluntariamente e com entusiasmo alcançando os objetivos da equipe.




Podemos então dizer que o líder diferencia-se do chefe, que é aquela pessoa encarregada por uma tarefa ou atividade de uma organização e que, para tal,comanda um grupo de pessoas, tendo autoridade de mandar e exigir obediência Para os gestores atuais, são necessárias não só as competências do chefe, mas principalmente as do líder, com isso ,entre os desafios apresentados pelo mutável, as organizações estão valorizando cada vez mais os gerentes que possuem habilidades de liderança e não de chefia


Qualquer pessoa que aspire a ser um gerente eficaz deve também se conscientizar de praticar e desenvolver suas habilidades de liderança.  Se desejamos ser o melhor líder possível, não podemos permitir que a insegurança, a mesquinhez ou o ciume nos impeça de ajudar as pessoas.




2. O QUE É

(GOLEMAN, 1998, P. 338).

MAXWELL, John C. O livro de ouro da liderança1º ed. Ed Thomas Nelson Brasil. Rio de Janeiro.2008
Conforme diz Goleman:
comportamento e nosso raciocínio de maneira a obter melhores resultados.
A IE pode ser nutrida, desenvolvida e ampliada – não se trata de uma característica impossível de adquirir. (WEISINGER, 1997)

Segundo Goleman (1998), IE refere-se à capacidade de identificar nossos próprios sentimentos e os dos outros, de motivar a nós mesmos e de gerenciar bem as emoções dentro de nós e em nossos relacionamentos.

Muitas pessoas que têm a inteligência dos livros, mas carecem de IE acabam trabalhando para pessoas que possuem um Quoeficiente de Inteligência – QI inferior ao delas, mas que se destacam nas habilidades da IE.

Goleman (2002) apresenta resultados de pesquisas que indicam que a IE é responsável por cerca de 80 % das competências que distinguem os líderes espetaculares dos medianos. “Emoções em equilíbrio abrem portas”, garante o psicólogo norte-americano Goleman.

Podemos dizer que a IE é o uso inteligente das emoções, ou seja, fazer intencionalmente com que as emoções trabalhem ao nosso favor, usando-as como uma ajuda para ditar seu comportamento e seu raciocínio de maneira a aperfeiçoar seus resultados.

2.1. O USO DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NO TRABALHO

Uma das maneiras de compreender a importância da IE na liderança é analisando as competências emocionais e sociais básicas. Para Goleman (2002) estas competências estão enumeradas em 7 itens conforme abaixo:

1) Autoconsciência emocional – líderes emocionalmente autoconscientes podem ser francos e autênticos, capazes de falar  abertamente sobre suas emoções ou com convicção das metas a que visam;

2) Autocontrole – os líderes dotados de autocontrole permanecem calmos e continuam com a cabeça no lugar mesmo sob grande pressão ou durante uma crise;

3) Adaptabilidade – podem ser flexíveis na adaptação aos novos desafios, ágeis na adequação à mudança contínua e maleáveis em suas idéias de novas informações ou realidades;

4) Otimismo – vê os demais sob um prisma positivo, esperando deles o melhor; 


5) Empatia – esses líderes escutam com atenção e são capazes de colocar-se no lugar do outro;

6) Gerenciamento de conflitos – os líderes que melhor gerenciam conflitos são os que sabem fazer com que todas as partes se manifestem e compreendem as diferentes perspectivas, para então encontrar um ideal comum que conte com o endosso geral.

7) Trabalho em equipe e colaboração – os líderes que trabalham bem em grupo produzem uma atmosfera de solidariedade amistosa e constituem, eles mesmos, modelos de respeito, prestimosidade e cooperação.

Ainda segundo Goleman (2002), o líder possui o poder máximo de controlar as emoções de todos. Se estas foram impelidas para o lado do entusiasmo, o desempenho pode disparar; se as pessoas forem incitadas ao rancor e à ansiedade, perderão o rumo.


LIDERANÇA

3.1. O que é liderança

Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum. Um líder é alguém que identifica e satisfaz as necessidades legítimas de seus liderados e remove todas as barreiras para que possam servir ao cliente (HUNTER, 2004). Para ser bem sucedido, o líder deve saber lidar com alguns aspectos da motivação, trabalho em equipe, dinâmica de grupo e principalmente relações interpessoais.

A liderança visa à consecução de um ou de diversos objetivos específicos. O líder surge como um meio para o alcance dos objetivos desejados pelo grupo. O comportamento de liderança deve ajudar o grupo a atingir seus objetivos ou a satisfazer suas necessidades. Assim, a pessoa que possa dar maior assistência e orientação ao grupo – escolhendo as soluções ou ajudando o grupo a encontrar as melhores soluções para seus problemas – para que atinja um estado satisfatório, tem maiores possibilidades de ser considerado seu líder.

A liderança tem a ver com tomar decisões, mas não quaisquer decisões, e sim as corretas. as resoluções dos lideres as empresas globais afetam milhares ou ate milhões de pessoas, e as dos lideres políticos atingem dezenas de milhões. Por isso, fazer as escolhas certas é de extrema importância, do mesmo modo que a decisão incompetente pode nenhuma pessoa pode ser um líder, a menos que consiga que as pessoas façam aquilo que ela pretende que façam, nem será bem-sucedida a menos que seus seguidores a percebam como um meio de satisfazer suas próprias aspirações pessoais ou atingir seus objetivos. Pois, como afirma (CHIAVENATO, 1997) O líder deve ser capaz; os seguidores devem ter vontade.

Todo líder é projetista professor e regente. Projetista para construir o alicerce da empresa, referido aos seus propósitos e valores essenciais, para definir políticas e estratégias que os realizem, bem como para criar processos de aprendizagem efetivos. Professor para fazer aflorar os modelos mentais das pessoas e ajudá-las a reestruturar suas visões da realidade e, assim, serem capazes de enxergar as causas subjacentes dos problemas, aquilo que não está explícito, que não está escancarado. Regente para catalisar os esforços das pessoas na realização da missão da empresa. (SENGE, 1990)

Segundo Chiavenato (1997), o líder deve ter uma acentuada habilidade de lidar com pessoas, de conviver com pessoas, de fazer as coisas com e por meio das pessoas. Deve possuir um enorme instinto de comunicação. Deve saber ouvir e deve saber falar. Saber receber e saber transmitir mensagens e idéias. Saber entrevistar e comunicar. Ter uma forte dose de calor humano. Ter empatia e simpatia. Apesar de toda essa facilidade no relacionamento com as pessoas, o líder usa a sua autoridade de maneira discreta, mas firme e absoluta. Transfere e delega responsabilidades, mas mantém o controle das coisas, assegura a ação e domina o caminho em direção aos objetivos a serem alcançados. Apesar disso, sua liderança é muito mais educadora do que controladora. Impulsiona as pessoas para frente e não freia ou inibe o seu comportamento. Suporta pressão e amortece seu impacto sobre os subordinados, resiste à frustração e sabe sempre fazer um esforço adicional para ir à frente e conduzir consigo a sua equipe. Consegue automotivar-se pela auto-realização e consegue motivar as outras pessoas pelos desafios e pelas recompensas.

Pela visão moderna de líder nos é mostrado que liderar de forma eficaz consiste em: formar e manter uma equipe bem selecionada; treinar e desenvolver continuamente seus subordinados, mantendo um elevado grau de habilidades e conhecimentos; conseguir o comprometimento sincero das pessoas com relação a objetivos e metas individuais, grupais e organizacionais; e acima de tudo, motivar as pessoas, elevando a sua auto-estima e o seu sentimento de realização. 


3.2. AS SEIS PERFEIÇÕES

Segundo Dalai Lama em seu livro Liderança para um mundo melhor, as seis perfeições são de grande valor para os seres humanos e o líder que possui essas características tem grande capacidade de afetar de modo profundo as outras pessoas.


As seis perfeições são:

comportamento exibido pelo líder.
Dentre os vários tipos de liderança, será descrito os seguintes: democrático, autocrático e liberal, por serem os que mais se aproximam da realidade das empresas.


O líder autocrático é também chamado de liderança autoritária ou diretiva, é aquele centralizador, que toma decisões sem consultar seus liderados, inclusive no que se refere à determinação das tarefas e seu modo de realização. Na Liderança o líder é focado apenas nas tarefas. Este tipo de liderança também é chamado de liderança autoritária ou diretiva. O líder toma decisões individuais, desconsiderando a opinião dos liderados. O líder determina as providências e as técnicas para a execução das tarefas, de modo imprevisível para o grupo. Além da tarefa que cada um deve executar, o líder determina ainda qual o seu companheiro de trabalho. O líder é dominador e pessoal nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada membro.
O líder democrático ou também conhecido como liderança participativa ou consultiva, é o tipo de liderança voltado para as pessoas e há participação dos liderados no decisório.

Envolve seu grupo nas decisões, incentiva a participação, busca delegar autoridade e fornece orientações que visam o desenvolvimento do grupo. Aqui as diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo, estimulado e assistido pelo líder. O próprio grupo esboça as providências para atingir o alvo solicitando aconselhamento técnico ao líder quando necessário, passando este a sugerir duas ou mais alternativas para o grupo escolher. As tarefas ganham novas perspectivas com o debate. A divisão das tarefas fica ao critério do próprio grupo e cada membro pode escolher os 
seus próprios companheiros de trabalho. O líder procura ser um membro normal do grupo. Ele é objetivo e limita-se aos fatos nas suas críticas e elogios, usa o feedback como uma forma de treinamento de seus colaboradores.

Laissez-faire é a contração da em laissez faire, laissez aller, laissez passer, que significa literalmente “deixai fazer, deixai ir, deixai passar”. Neste tipo de liderança as pessoas tem mais liberdade na execução dos seus projetos, indicando possivelmente uma equipe madura, auto dirigida e que não necessita de supervisão constante. Por outro lado, a Liderança liberal também pode ser indício de uma liderança negligente e fraca, onde o líder deixa passar falhas e erros sem corrigi-los.

Temos também a liderança paternalista que é considerado uma atrofia da Liderança, onde o e sua equipe tem relações interpessoais similares às de pai e filho. A pode ser confortável para os liderados e evitar conflitos, mas não é o modelo adequado num relacionamento profissional, pois numa relação paternal, o mais importante para o pai é o filho, incondicionalmente. Já em uma relação profissional, o equilíbrio deve preponderar e os resultados a serem alcançados pela equipe são mais importantes do que um indivíduo.

Mas diante dos vários estilos e liderança, qual é o mais adequado? Segundo Krause (1981, p.74)
“Em determinadas situações, a liderança autocrática é a mais adequada; sob certas situações, a liderança democrática é a melhor; sob determinadas condições, a liderança liberal.


Aparentemente difícil esta adaptação, no entanto o profissional para exercer a função de líder não precisa mudar de personalidade, basta mudar o modo de agir,de acordo com cada situação.

Segundo VÉRGARA, temos ainda dois estilos básicos 
de liderança que são orientada para a tarefa e a orientada para pessoas.

MAXIMIANO denomina o primeiro como sendo o que focaliza o trabalho do funcionário e enfatiza o cumprimento de prazos, padrões de qualidade e economia de custos, tem necessidade de cumprir metas, superar a concorrência e o desempenho passado e esclarece as responsabilidades individuais e distribui as tarefas ás pessoas.


Já no segundo caso, o líder orientado para as pessoas, os principais comportamentos são que focaliza o próprio funcionário ou grupo e enfatiza as relações humanas e o desenvolvimento da capacidade de trabalhar em equipe, ouve e presta atenção e apóia os funcionários.
A combinação dos dois estilos em seu comportamento ou enfatizá-los levou Blake e Mouton (1964) a planejar um programa de treinamento e desenvolvimento gerencial conhecido pelo nome de Grid Gerencial ou Managerial Grid que é representado conforme abaixo :

“Estudos recentes indicam que a IE – mais que o QI, os conhecimentos técnicos ou qualquer outro fator – é o melhor previsor de quem irá surgir como líder.”

Embora as emoções exerçam poderosa influência em nosso comportamento, há muitos anos elas têm sido consideradas inconvenientes numa situação de trabalho e irrelevantes para os negócios; atualmente, porém, existe uma enorme quantidade de pesquisas mostrando que não apenas as emoções fazem parte da experiência de trabalho, mas também, em grande escala, traçam o curso que a empresa adotará. A IE tem demonstrado estar positivamente relacionada, em todos os níveis, com o desempenho no trabalho.

Para que fique mais claro a importância da inteligência emocional no desempenho do trabalho será apresentado as definições e teorias sobre Liderança Ressonante e Liderança Dissonante.


3.4. LIDERANÇA RESSONANTE

Os grandes líderes são fontes de inspiração e quando tentamos explicar a causa concluímos que eles atuam em um nível mais fundamental: os grandes líderes agem por meio das emoções.

Consideremos o exemplo de Goleman (2002): um momento crucial vivido em uma divisão de notícias da BBC, a gigante da mídia britânica. Tal divisão fora instituída em caráter experimental e, embora seus aproximadamente duzentos jornalistas e editores acreditassem que haviam dado o melhor de si, a gerência decidira encerrar suas atividades. De nada adiantou que o executivo enviado para comunicar a decisão à equipe reunida começasse com um relato brilhante de como as operações rivais estavam indo bem, nem que ele tivesse acabado de chegar de uma viagem maravilhosa a Cannes. A notícia em si já era ruim o bastante, mas o jeito brusco e até agressivo do executivo provocou algo além da já esperada frustração. As pessoas ficaram enfurecidas – não só com a decisão da gerência, mas também com o próprio portador da novidade. Na verdade, o clima ficou tão ameaçador que parecia que o executivo teria de chamar a segurança para escoltá-lo para fora da sala. No dia seguinte, outro executivo visitou o mesmo grupo. Sua abordagem foi muito diversa. Fez um discurso sincero sobre a importância vital do jornalismo para a vibração da sociedade e sobre o chamado que os trouxera a todos para aquele campo, em primeiro lugar. Lembrou-os de que ninguém escolhe uma carreira de jornalista para enriquecer – como profissão, suas finanças sempre haviam sido modestas, e a segurança no emprego flutuavam conforme o sobe-e-desce das marés econômicas mais amplas. Invocou, também, a paixão e até a dedicação dos profissionais ao serviço que prestavam. Por fim, desejou a todos boa sorte na retomada de suas carreiras. Quando terminou de falar, foi aplaudido.


Qual a diferença desses dois líderes citados no exemplo acima? A diferença esta na forma e no tom de voz com que cada um expressou a mensagem: o primeiro provocou no grupo antagonismo e hostilidade, enquanto o segundo aplicou doses de otimismo e mostrou inspiração diante das adversidades. Os dois momentos apontam para uma dimensão oculta, mas crucial, da liderança – o impacto emocional do que o líder diz e faz.
Para Goleman (2002), o segundo executivo, aplaudido pelos funcionários demitidos, ilustra a liderança ressonante. O segundo líder estava em sintonia com os sentimentos das pessoas e conduziu-as em uma direção emocional positiva. Falando com franqueza, expondo seus próprios valores e mantendo-se em contato com as emoções daqueles que o rodeavam, ele elevou o moral das pessoas e mostrou a quão eram importantes mesmo diante daquela situação.

Segundo Goleman (2002, p.20):

Pelo contrário, são honestas consigo mesmas a seu próprio respeito. E são honestas sobre si mesmas com os outros, chegando ao ponto de conseguirem rir de suas próprias fraquezas.

b) autogestão, da autoconsciência que é a compreensão de nossas próprias emoções e a clareza com relação aos nossos objetivos – decorre a autogestão, o impulso concentrado de que todos os líderes precisam para atingir seus objetivos.

c) competência social que depois da autoconsciência e da autogestão emocional, a liderança ressonante exige consciência social – ou em outras palavras, empatia. Para Portner (2001), sucesso profissional é produto de empatia. Conhecimento é importante, mas vem depois. Para o autor, empatia significa menos quantidade ou qualidade de informação e mais harmonia interativa. É uma ferramenta de quilate. Ter ou não tê-la vai fazer muita diferença para a sua carreira.

Na concepção de Goleman (2002), a empatia – que implica ouvir e colocar-se no lugar dos outros – permite que os líderes sintonizem-se com os canais emocionais que criam ressonância entre as pessoas.

A manutenção da sintonia permite-lhes elaborar melhor sua mensagem, de modo a manter o fluxo de comunicação. O Autor diz que, a empatia é apenas um dos ingredientes necessários à liderança inteligente em termos emocionais. Outro é a capacidade do líder de transmitir sua mensagem de maneira a mover os demais.

O líder que exprime seus sentimentos com convicção produz ressonância porque essas emoções são claramente autênticas, arraigadas em valores profundos. Os líderes emocionalmente inteligentes difundem emoções no registro positivo:instigam as pessoas por meio da articulação de um sonho seu que inspire entusiasmo, compaixão ou um sentido de ligação – aspirações que apontem para um  futuro cheio de esperanças.

Em suma, empatia significa levar os sentimentos dos funcionários em respeitosa consideração para poder tomar decisões inteligentes, capazes de converter tais sentimentos em uma resposta. Acima de tudo, ela possibilita a ressonância; em sua ausência, o que os atos dos líderes provocam é dissonância.

Pessoas empáticas reconhecem e conseguem satisfazer as necessidades dos clientes ou subordinados, inspiram proximidade, interessam em ouvir o que as pessoas têm a dizer, escutam atentamente, identificando aquilo que, de fato, preocupa a cada um, e suas respostas acertam na mosca. Do mesmo modo, a empatia é fundamental para reter talentos. Os líderes sempre precisaram dela para desenvolver e manter bons funcionários 

d) administração de relacionamentos que são os elementos do trio autoconsciência, autogestão e empatia e que ligam todos na última habilidade da IE: a administração de relacionamentos. Nela encontramos as ferramentas mais visíveis da liderança – dentre as quais a persuasão, o gerenciamento de conflitos e a colaboração. A administração habilidosa de relacionamentos resume-se em lidar com as emoções alheias – o que, por sua vez, exige que os líderes tenham consciência de suas próprias emoções e permaneçam em sintonia empática com seus liderados.

No entanto, para Goleman (2002), lidar com relacionamentos não é tão simples quanto parece. Não se trata de uma mera questão de cordialidade, muito embora as pessoas com habilidades sociais desenvolvidas raramente sejam mal humorados. Ao contrário, a cordialidade, no âmbito da administração de relacionamentos, possui um propósito: mover as pessoas na direção certa seja a concordância quanto a uma estratégia de marketing ou o entusiasmo com relação a um novo projeto. Os líderes bem dotados em termos sociais tendem a ter ressonância com um círculo mais amplo – e tenham um dom para encontrar coisas em comum e estabelecer um vínculo positivo com os demais. Entretanto isso não significa que eles estejam sempre se socializando, mas sim que baseiam seu trabalho na premissa de que, sozinho, não se consegue nada importante. Esses líderes têm um network estruturado quando é preciso agir. À medida que as tarefas crescem em complexidade e tornam-se mais colaborativas, as competências de relacionamento tornam-se cada vez mais vitais.

Em suma, podemos dizer que a ressonância decorre não só da boa disposição do líder ou de sua capacidade de dizer a coisa certa, mas também de todos os elementos básicos dos modos de liderança citados. E o mais importante, é que esses elementos básicos da IE não são talentos inatos, mas habilidades aprendidas, cada uma das quais com sua contribuição específica para a ressonância – e, portanto, a eficácia – dos líderes.

3.5. Liderança dissonante

Os líderes que não conseguem criar empatia com um grupo ou compreender suas emoções corretamente criam dissonância, enviando mensagens que geram um incômodo desnecessário. A perturbação coletiva resultante torna-se, a preocupação central do grupo, desviando a atenção que seria preciso dar à mensagem do líder. Em qualquer contexto de trabalho, o impacto emocional e profissional de um líder dissonante pode ser facilmente aferido: as pessoas sentem-se fora de prumo e, seu desempenho, por conseguinte, é fraco.
De acordo com Goleman (2002), dissonância, em seu sentido musical original, descreve um som desagradável e áspero; a dissonância refere-se a uma falta de harmonia. A liderança dissonante produz nos grupos em que reina a discrepância emocional, cujos membros têm a sensação de estar o tempo todo fora de tom.

Em suma, a dissonância desencoraja as pessoas, desanima, ou afugenta. Esse é outro de seus custos pessoais: as pessoas que trabalham em ambientes tóxicos levam o veneno para casa. Os hormônios do estresse liberados durante um dia tóxico de trabalho continuam agitando-se no corpo muitas horas depois.

 GERANDO MUDANÇAS EM NÓS

4.1. Por onde começar a mudança?

“Passei a primeira metade da minha vida tentando ser outra pessoa. Na escola, eu queria ser um grande atleta; na universidade, queria ser admirado na sociedade; depois, queria ser apreciado como homem de negócios e, mais tarde, como diretor de alguma grande instituição. Não demorei muito a descobrir que não estava destinado ao sucesso em nenhuma dessas áreas – o que não me impediu de continuar tentando e viver em permanente decepção comigo mesmo.

O problema é que, tentando ser outro, evitei concentrar-me naquele que eu podia ser. A idéia era demasiado assustadora para considerar na época. Eu ficava mais feliz submetendo-me às convenções da época, avaliando o sucesso em termos de dinheiro e posição, subindo as escadas que outros colocavam no meu caminho, acumulando coisas e conhecidos, em vez de dar vazão às minhas próprias crenças e personalidade.” (GOLEMAN, 2002, p.117)


Segundo Goleman (2002), essa confissão esclarecedora foi feita por alguém muito bem-sucedido como executivo, líder da London Business School, presidente do conselho da Royal Society of Arts e autor e professor influente em todo o mundo. Assim como Charles Handy, porém, ao longo de uma
vida frenética muitos acabam seduzidos pela ideia de poder ou fama, ou sucumbem às expectativas de terceiros.

Para começar – ou manter – um verdadeiro desenvolvimento em termos de IE, é preciso primeiro envolver o poder do nosso eu ideal pelo fato de que assim mudamos hábitos que é uma tarefa muito árdua. Sempre que as pessoas tentam mudar seus hábitos de pensamento ou de ação, precisam
reverter décadas de aprendizagem que residem em circuitos nervosos intensamente utilizados e reforçados, estabelecidos ao longo de anos de repetição. É por isso que a realização de mudanças duradouras necessita de um forte comprometimento com uma visão de si mesmo no futuro – sobretudo nos momentos mais estressantes ou diante de responsabilidades crescentes.

É nesse contexto que Goleman (2002), afirma ser muito fácil confundirmos o eu ideal e o que “deveria ser”, acabando por agir sem nenhuma autenticidade. É por isso, que nos processos de desenvolvimento de liderança, a etapa de descobrir o eu ideal é tão importante.


Para identificar e articular nosso eu ideal, o caminho que realmente queremos seguir na vida, é preciso autoconsciência. “Para transformamos o mundo, precisamos começar por nós mesmos; e o que é relevante começar por nós mesmos é a intenção. A intenção deve ser a de compreendermos a nós mesmos e não de esperarmos que outros se transformem.” (KRISHNAMURTI,1998).

Devemos buscar saber quem somos o que queremos e onde queremos chegar, para depois podermos ajudar ao próximo. Para Hunter (2004), O desafio para o líder é escolher os traços de caráter que precisam ser trabalhados. Desafiar-nos para mudar nossos hábitos, nosso caráter, nossa natureza. Isso requer uma escolha e muito esforço.
Dentro do grande universo de mudanças que podem ser
trabalhadas para melhoria da IE da liderança, enumeramos quatro tópicos que
achamos primordiais:


4.1.1. Aprendendo a controlar nossas
emoções  Para Hunter (2004), o líder deve ser exemplo de bom comportamento para os jogadores, as crianças, os empregados, ou quem quer que esteja liderando. Se o líder gritar ou perder o controle, podem estar certos de que o time também perderá o controle e tenderá a agir de forma irresponsável.

Segundo Goleman (2002), em um levantamento realizado junto a mais de mil trabalhadores americanos, 42% relataram a incidência de gritos ou outros tipos de agressão verbal em seus locais de trabalho, e quase 30% reconheceram que haviam gritado, eles mesmos, com algum
colega.

"Quando você se atrasa para as nossas reuniões,
desperdiça o nosso tempo – todos seríamos mais eficazes se você aparecesse na hora”, o queixoso parte para um ataque pessoal, rosnando algo como: “Até que enfim Sua Alteza dignou-se a juntar-se a nós. Fico feliz por saber que você
encontrou lugar para nós na sua agenda apertada. Vamos tentar não perder muito do seu precioso tempo.” (GOLEMAN, 2002, p.21).

Para Weisinger (1997), a maneira emocionalmente
inteligente de lidar com essa situação é que primeiro você toma consciência de que está sentindo raiva; depois atenta para os seus pensamentos. Os primeiros talvez não sejam tão nobres: “Ele é um idiota. Tenho vontade de matá-lo.” Mas em seguida você desenvolve um diálogo interno construtivo: “Ele deve ter motivos. Não vou deixar transparecer minha raiva.” Então você poderia atentar para todas as alterações fisiológicas – respiração acelerada, coração batendo forte. Você olharia para as suas atitudes de raiva – mandíbula tensa, punhos cerrados – e as interromperia. Então poderia dar a si mesmo alguns minutos de trégua saindo da sala para beber um copo d’água. Finalmente, depois da reunião você buscaria uma solução para o fato de seu subordinado ter chegado atrasado.

Hunter (2004) destaca que é importante que criar um
ambiente seguro, em que as pessoas possam cometer erros sem terem medo de ser advertidas de forma grosseira, aos berros. Não será jamais um bom líder aquele que não tiver um eficaz processo de autocontrole, pois, no exercício da
liderança há sempre situações que desafiam o líder a perder a paciência e o controle sobre suas emoções. (BOTELHO, 2005).


Atualmente, o fator mais evidenciado nas empresas
eu diria que é a questão de condenar as idéias dos outros através das críticas. Muitos dizem que são críticas construtivas. Ora, críticas são críticas e nada mais. Também não estou dizendo que devemos a partir de agora sermos todos zen e não criticarmos mais nada. A forma com que abordamos as diferenças é que leva às divergências, conflitos e falta de cooperação entre as pessoas. Ficam ressentimentos muitas vezes insuperáveis. Nós temos o hábito de criticar mais ou de elogiar mais? Criticar é muito fácil e não custa nada. Elogiar exige, no mínimo, observação, autoconfiança e o desejo verdadeiro de contribuir para o crescimento da pessoa. (MENDES, 2005).



Para Goleman (1995), as críticas na sua grande maioria são expressas como ataques pessoais e não como reclamações específicas a partir das quais alguma medida possa ser tomada; há agressões emocionais com forte carga de repugnância, sarcasmo e descaso; esse tipo de atitude provoca uma reação defensiva, fuga à responsabilidade e o retraimento total ou a acirrada resistência passiva que vem do sentimento de ter sido injustamente tratado e que gera principalmente queda na produtividade do funcionário.

Da perspectiva da IE, essa crítica demonstra ignorância acerca dos sentimentos que serão provocados naqueles que a recebem e do efeito devastador que esses sentimentos terão em sua motivação, energia e segurança na execução do trabalho.

Goleman, (1995) conta a seguinte historia em um dos
seus livros:

O que de fato pode ocorrer é um problema de ausência de habilidade em criticar. Na verdade, a maneira como são feitas e como são recebidas as críticas diz muito sobre até onde as pessoas estão satisfeitas com seu trabalho, com os que trabalham com elas e como elas foram
ou ainda ao chefiadas.

Para Goleman (1995), uma crítica hábil pode ser uma das mais proveitosas mensagens que um líder envia. Por exemplo, o vice-presidente citado no exemplo, poderia ter dito – mas não disse – ao engenheiro de programas de computador era: “O principal problema nesta etapa é
que seu plano vai demorar muito e com isso elevar os custos. Eu gostaria que você pensasse mais sobre sua proposta, para ver se descobre uma maneira de
reduzir o tempo de execução do serviço.” Essa mensagem causa uma reação oposta à da crítica destrutiva: em vez de criar impotência, raiva e revolta, oferece a possibilidade de um melhor desempenho e sugere o início de um plano para isso.


A crítica feita de forma hábil concentra-se no que a pessoa fez e no que pode fazer, em vez de identificar um traço do caráter da pessoa num trabalho malfeito. É desmoralizante simplesmente ouvir que estamos fazendo “alguma coisa errada” ou que não temos competência suficiente para
realizarmos a tarefa, sem saber que coisas são essas para que possamos corrigi-las. Deve-se concentrar nos detalhes, dizendo o que a pessoa fez bem, o que fez mal, dando-lhe a oportunidade de mudar e explicando ou mostrando onde
está o erro.

A crítica pode abrir portas para alternativas de que a pessoa não se dera conta ou simplesmente sensibilizar para  deficiências que exigem atenção. Mas deve incluir sugestões sobre como cuidar desses problemas. (GOLEMAN, 1995).


O segredo para fazer e receber uma crítica eficaz é reconhecer que se trata de um modo de ajudar outra pessoa a melhorar. Tendo isso em mente, sabemos que existe um propósito positivo em algo que pode ser bastante desagradável para todos os envolvidos, essa certeza ajuda a reduzir tanto a vulnerabilidade criada em quem recebe a crítica quanto a ansiedade provocada em quem faz, além disso, ela confere um propósito positivo ao
processo e induz os envolvidos a irem até o fim.

fonte: http://www.rhportal.com.br/artigos-rh/a-importncia-da-inteligncia-emocional-na-liderana/ 

Como uma gestão escolar eficiente pode otimizar os processos da sua escola


Uma boa e eficiente gestão escolar reflete seus resultados na aprendizagem dos alunos e na alta qualidade de ensino da instituição. Oferecer uma educação com excelência, com um diferencial, é o grande objetivo das escolas, mas os percalços durante o caminho até chegar a essa meta atrapalham, ocupam tempo e pessoas. Por esse motivo é essencial que as escolas tenham uma boa gestão escolar, com processos integrados e com uma visão do todo.

Por que a gestão escolar é tão importante?

Falar em gestão escolar inicialmente nos remete à ideia de ter alguém que tome conta da parte burocrática, administrativa e financeira, e não raro, isso acontece, e é o que acaba levando muitas escolas a um estado crítico de queda na qualidade de ensino à perda acentuada de alunos. O que se precisa saber é que gestão escolar é bem mais que isso, é um processo mais amplo e que visa permitir uma melhora permanente nos resultados da escola.
A gestão escolar precisa de gestores que consigam integrar todas as áreas de atuação: gestão pedagógica e de aprendizagem, administrativa, financeira, relacionamento interpessoal na escola, resultados escolares, infraestrutura, relacionamento com a comunidade.
Parece complicado um gestor ter uma visão integrada de tudo, são muitos dados, papéis, planilhas, relatórios e afins. Mas para o bem da escola e para que tudo ande certinho como deve ser, uma forma para que isso aconteça deve ser encontrada – como uma gestão escolar eficiente.

Benefícios de uma gestão escolar eficiente

Um trabalho de gestão bem feito, pensado, planejado e organizado, trará muitos benefícios à escola, equipe, pais, alunos e comunidade. Mas o que envolve e como se alcança uma gestão escolar eficiente?
  • Um gestor ser preocupado e ocupado em orientar ações para melhorias nos resultados em todas as áreas da escola. Deve saber que seu papel é o de integrar além de ações, pessoas, pois o processo de melhorias deve ser de integrado entre os setores.
  • Implementar uma gestão tendo em mente que a escola é mais do que uma organização burocrática. Atualmente os desafios são maiores e o gestor deve estar preparado para encará-los e passar por eles. Nesse ângulo, espera-se um gestor que, além de identificar e resolver os problemas da escola, tenha habilidade e capacidade para ir além disso e fazer a ligação entre escola, pais, alunos, comunidade e estado.
  • Mediante a identificação de problemas, do que precisa ser solucionado, do que se espera da escola e do que a gestão pretende, é preciso fazer um planejamento estratégico para chegar a ações que possam ser direcionadas às soluções dos problemas levantados e realização dos encaminhamentos propostos. Esse planejamento deve ser a curto, médio e longo prazo e deve envolver toda a equipe.
  • O gestor deve estar ligado às mudanças que acontecem diariamente, e isso não se restringe apenas às tecnologias, mas também à sociedade e nos próprios processos – administrativos, contábeis. O gestor deve estar atualizado e aberto às novidades, e disposto a implementá-las na escola, atualizando métodos e processos e otimizando tempo.
Lembre-se: menos tempo envolvido com processos burocráticos ou tentando resolver problemas como inadimplência significa mais tempo para articular projetos de melhorias para a qualidade de ensino da instituição.
Como a gestão escolar é feita na sua instituição? 

fonte: https://blog.wpensar.com.br/gestao-escolar/como-uma-gestao-escolar-eficiente-pode-otimizar-os-processos-da-sua-escola/

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Eloisa Luck

Conferência da Drª. Heloisa Desafios da Gestão Escolar






5 pontos sobre o replanejamento bimestral


Acompanhar as metas programadas para curto, médio e longo prazo ajuda a detectar os problemas de aprendizado e repensar os planos de ação
Salvar
Por: Aurélio Amaral

1.Promover a retomada das metas
Fazer uma revisão do projeto político-pedagógico (PPP) e observar quais são os objetivos que a escola quer atingir é o primeiro passo do replanejamento. Também é interessante reunir todos os indicadores de desempenho escolar, externos e internos, como os números de aprovação, evasão e reprovação e os resultados da Prova Brasil, do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e ainda, se houver, de avaliações estaduais. Lembrando que o registro desses índices no PPP por meio de planilhas ou gráficos facilita a visualização e o acompanhamento dos mesmos. De toda forma, fazer um comparativo das parciais do ano anterior e do atual, analisando se houve avanços no período, assim como se um mesmo dado aparece de forma diferente em duas avaliações, ajuda a traçar um panorama da situação da escola.
2.Acompanhar a evolução do aprendizado
Acompanhar bimestralmente as propostas previstas para cada segmento de ensino pode ser tornar uma tarefa difícil se não houver metas estabelecidas para serem atingidas a curto, médio e longo prazos. Com períodos definidos, fica mais fácil verificar quais ações serão implementadas. Com base nisso, fica mais fácil definir que áreas do conhecimento precisarão de mais atenção de forma a assegurar as condições de ensino e a aprendizagem dos alunos. Na EE Bueno Brandão, em Belo Horizonte, por exemplo, a análise frequente dos resultados das avaliações internas e externas ajuda a acompanhar melhor o desenvolvimento da turma. Para garantir que os alunos do 1º ano do Ensino Fundamental sejam alfabetizados, a meta prevê que, primeiro, eles devem chegar à hipótese de escrita silábica para, na sequência, serem capazes de compreender o sistema de escrita. "Assim, o progresso se torna mais mensurável", explica Marilda Govira, diretora da escola. Vale o mesmo método para os demais conteúdos, de todas as disciplinas, e para todos os anos.
3.Levantar as condições de ensino
É interessante fazer uma sondagem da situação dos diversos espaços da escola, como a sala de aula, o pátio, a quadra esportiva e mesmo os banheiros, atentando para a necessidade de reformas ou manutenção dos equipamentos disponíveis - o funcionamento das torneiras, o estado dos móveis da sala de aula e até mesmo as condições do piso. Além da questão da segurança, ter esses ambientes limpos, organizados e em bom estado é uma forma de favorecer o aprendizado. A baixa frequência de visitas à biblioteca, por exemplo, pode estar relacionada à dificuldade de leitura apontada em um diagnóstico ou até à má disposição dos livros nesse ambiente. Catalogar todo o material didático e de apoio permite, ainda, avaliar melhor o uso dos recursos existentes. Se a escola possui vários livros que não são utilizados, vale investigar o motivo disso - se o educador não está familiarizado o suficiente com eles, se ele não teve tempo de incluí-los nos planos de aula ou ainda se os conteúdos não são condizentes com as propostas de trabalho da escola.
4.Separar o que compete ao conselho
Traçado um panorama geral do aprendizado e da estrutura escolar, é fundamental identificar quais dificuldades são comuns à maior parte da turma e quais são restritas a alguns alunos. Problemas individuais devem ser levados ao conselho de classe. Nesse fórum, a equipe pode debatê-los e analisar as possíveis variáveis que estão prejudicando o bom desempenho: se são assuntos relacionados às questões didáticas - e, portanto, devem ser discutidos nos encontros de formação docente -, se são aspectos como o comportamento e a situação familiar do estudante ou ainda tudo isso junto. Em seguida, é preciso planejar ações para resolver essas questões e não dar o caso como perdido. "Fazemos um exercício de reflexão para identificar a origem do problema, visto que a culpa pelos maus resultados não pode recair sobre o aluno", explica Fátima Scherer, formadora de gestores e diretora da EMEF Basílio Miguel dos Santos, em Marabá, a 504 quilômetros de Belém.
5.Definir um plano de ação
Para combater as deficiências que foram detectadas na revisão do planejamento, vale enumerar os pontos que merecem mais atenção. Só assim será possível evitar o gasto de tempo e energia em atividades de pouca relevância e deixar claras as atividades que terão de ser executadas para melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Se o diagnóstico de ciências, por exemplo, foi o que mais destoou dos objetivos estabelecidos e as avaliações apontaram notas preocupantes de muitos alunos, o coordenador pedagógico deve reforçar a formação dos docentes nessa disciplina. A equipe pode se reunir para repensar formas de trabalhar os recursos disponíveis na escola. Baseado nisso, um projeto de aulas de reforço no contraturno pode ser uma boa forma de trabalhar esse problema. Outra alternativa é pensar na criação de um grupo de apoio para auxiliar os alunos com dificuldades. Definidos o horário, o espaço e os materiais necessários para o encontro dessa turma, os professores, juntamente com os estudantes, podem estabelecer um acordo de estudo e de sucesso e o prazo para alcançá-lo. Seja qual for o plano de ação, o gestor precisa estar atento a sua execução e seu cumprimento, que tem como único objetivo ensinar.
Se o ano terminasse hoje, qual seria a situação da escola?
Imagine que o calendário letivo está chegando ao fim e procure responder a duas perguntas: se o ano chegasse ao fim agora, como estaria a escola em relação à aprendizagem? E: os objetivos discutidos no início do ano e previstos no projeto político-pedagógico (PPP) estão sendo atingidos?

Questões como essas podem ajudar vocês, gestor e coordenador pedagógico, a acompanhar o cronograma das metas propostas e trabalhar as dificuldades à medida que elas forem detectadas - evitando, assim, que todos levem um susto em dezembro ao perceber que apenas parte dos conteúdos programados foi vista ou que alguns deles não atenderam às expectativas de conhecimento que eram esperadas dos alunos.

Para tanto, é importante organizar reuniões periódicas com a equipe gestora e os docentes que permitam avaliar a evolução do aprendizado e rever os planos de ação. Em muitas instituições, porém, é comum que esse momento se dilua no conselho de classe - o que não é indicado. "No conselho, devem ser discutidos os problemas individuais dos estudantes, enquanto essas reuniões servem para avaliar globalmente a escola", explica Maura Barbosa, consultora de GESTÃO ESCOLAR.
Quer saber mais?
CONTATOS 
EE Bueno Brandão, tel. (31) 3261-3544
EMEF Basílio Miguel dos Santos, tel. (94) 3324-4063

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Impor limites é essencial para a criança ser segura e feliz


Impor limites é essencial para a criança ser segura e feliz

Estabelecer regras e definir limites é uma das grandes dificuldades para os pais de hoje, mas é também uma das atitudes mais importantes para criar uma criança segura e feliz

“Limite é necessário em todas as fases. Está presente no desenvolvimento de questões morais e de aprender o certo e o errado”, diz a terapeuta ocupacional, especializada em desenvolvimento da criança, Teresa Ruas, de São Paulo.
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Desde cedo

Segundo ela, a infância é o primeiro contato da criança com as noções de que nem tudo é permitido a ela. A partir desta noção, ela aprende que deve respeitar esses limites da mesma maneira como deve ser respeitada também.
Para Teresa, quando os pais lidam com o limite com tranquilidade e segurança, constroem para seus filhos um ambiente funcional e que permite a eles entender que há coisas que não poderão fazer.
“Até os 3 anos, a criança tem uma estrutura emocional egocêntrica. Ela, literalmente, não entende o outro. Age de acordo com as sensações dela. Por isso, precisa ser ensinada, treinada mesmo a entender.”

Limite é para…

Psicóloga clínica do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, Ana Lucia Gomes diz que, antes de estabelecer limites, os pais devem entendê-los também. As funções dos limites são:
1. Ensinar a criança a lidar com a frustração. É na infância que esse treino deve ser feito, para evitar que esse processo se torne doloroso na adolescência e na vida adulta”, afirma.
2. Ajudar os pais a entenderem e agirem de maneira eficiente em ataques de birra. Ao estabelecer limites, não cedem às crises de birra da criança e não reforçam esse comportamento como sendo eficiente.
3. Estimular a independência no desenvolvimento da criança. “Uma criança que tem noção de que não pode tudo vai, com certeza, crescer mais independente e emocionalmente mais madura. Em compensação, atitudes de superproteção são desaconselháveis, porque não ajudam a criança a ultrapassar a frustração”, alerta Ana Lucia.

A importância

O limite não é, necessariamente, uma restrição, explica Teresa, mas estabelece regras e uma rotina, que vão ajudar a criança a navegar pelo mundo com mais segurança. “É muito importante ela conhecer a rotina do dia, saber o que vai acontecer: que será alimentada, que vai ter a hora do banho e que vai chegar o momento da sonequinha. Isso a ajuda a desenvolver os conceitos de começo, meio e fim”, diz Teresa.
Para a psicóloga Rosely Sayão, ensinar limites é ensinar a viver. Apenas os pais precisam fazer isso com bom senso, pois a criança adquire segurança correndo riscos. “Claro, ninguém vai permitir que corra riscos desnecessários. Mas é na ação, no experimentar, que ela aprende. Não adianta falar, a criança não entende, não consegue se controlar. É muito mais eficiente ensinar limites na prática”, avisa Rosely.
Teresa reforça essa tese ao usar como exemplo a fase em que a criança começa a andar. “Eles se sentem tão donos do mundo quando conquistam essa etapa! E ela só pode acontecer com o treino de limites. Os pais não podem, realmente, ensinar o filho a andar. Esse é um treino da criança. Ela deve aprender sozinha a controlar o corpo. O papel dos pais é incentivar e ajudar, oferecer um apoio, por exemplo. Mas a criança vai cair. Ela precisa cair para testar suas habilidades e aprimorá-las. Precisa cair para entender seus limites, para passar por cima da frustração inicial e conseguir, finalmente, caminhar sozinha.”

Cuidado com o “não”

Entender a importância do limite ajuda a criar maneiras mais eficientes de ensiná-los. Muitas vezes, uma afirmação é mais eficiente do que o bom e velho “não”. “A criança até entende que ‘não’ é ‘não’, mas não vai desistir por isso. Ela não consegue. O ideal é ensinar no ato, com assertivas”, diz Rosely.
Para a neurolinguística, o ‘não’ cria uma imagem mental na cabeça da criança que a estimula a fazer exatamente o que se pede para que ela não faça. “Um exemplo bem prático é o clássico dedinho na tomada. Na hora em que o pai diz ‘não ponha o dedo na tomada’, o que fica na cabecinha da criança é ‘tomada’. E ela vai insistir. O ideal é desviar o foco da tomada, oferecendo uma alternativa – por exemplo, ‘venha para perto da mamãe’ ou qualquer outra sugestão de atividade que mude o foco da criança”, diz Alexandre Bortoletto, psicólogo e instrutor da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística.
Segundo ele, a assertiva é sempre melhor do que a negativa. O especialista explica que uma negativa, em vez de educar, pode acabar incentivando a criança a ir em frente no comportamento inadequado. Dizer o que quer que a criança faça, de forma clara e sempre oferecendo opções, é um bom caminho para ajudá-la a entender que ela tem uma gama de ações em que pode agir.

Em “casos de emergência”

“Eu sou pai de uma criança de 3 anos e vivencio essa questão do limite diariamente. Vamos acabar escorregando uma vez ou outra no ‘não'”, conta Alexandre. “Mas é normal, fomos criados assim, com este condicionamento. Eu mesmo me pego falando ‘não’! O importante é acrescentar um ‘sim’ imediatamente. No caso da tomada, claro que nenhum pai vai deixar o filho levar um choque! Se ele disse o `não¿, deve acrescentar uma escolha. Por exemplo: ‘Não! Não ponha o dedo na tomada! Olha que bonito este livro que o papai pegou para você. Vamos ler esta história juntos’? ou qualquer outra proposta, um jogo, um brinquedo. É importante sempre oferecer escolhas.”

Limite do bem

Para Teresa, os pais andam com medo e com culpa de estabelecer limites e isso é prejudicial para todos os envolvidos, em especial para a criança. “A mãe fica o dia inteiro fora, trabalhando; quando chega em casa e tem alguns momentos com as crianças, não quer ser a chata que diz ‘não’. Mas ela não está sendo chata, e a criança não vai deixar de gostar da mãe por isso. Ao contrário, vai encontrar nesse limite o suporte que precisa para se sentir amada.”
Para Ana Lúcia, a experiência em clínica mostra que pais que cresceram sem muitos limites têm mais dificuldades em estabelecê-los com o próprio filho. Já os que foram educados com regras mais claras podem ser um pouco mais rígidos. “Aí é que está a beleza de se criar uma criança: no equilíbrio. O excesso de limite é tão ruim quanto sua ausência. Pais superprotetores criam crianças mais imaturas e menos preparadas para encarar a vida de maneira segura.”
Alexandre oferece uma dica para ajudar pais a ensinarem limites, sem usar o “não” e reforçando o sentido de independência e responsabilidade da criança: “O `ou¿ é uma falsa escolha e um artifício excelente para ser usado pelos pais. Você pode perguntar a seu filho se ele prefere tomar banho antes do almoço OU na hora de dormir. O banho, seu objetivo, está garantido, mas você evita que a criança reaja mal à ideia. A única coisa é que você tem de manter o combinado. Isso é importante, para ele entender que optou e deve cumprir. Essa falsa escolha pode ser aplicada em diversas situações e costuma funcionar bem.”
Para Teresa, o mais importante é que os pais entendam e aceitem a tarefa de ensinar limites a seus filhos como um privilégio e um ato de amor. “Não é fácil, eu sei. Especialmente porque o mundo, as pessoas, os adultos andam muito sem limites. Mas essa é só mais uma razão para criarmos uma geração que lide melhor com as frustrações. Minha orientação é para que os pais nunca se sintam mal por ajudar seus filhos a crescerem como adultos saudáveis, felizes e seguros. Não há maior prova de amor do que essa.”

E a birra?

Para os especialistas, um dos pontos mais importantes é a birra. “Ela é o recurso máximo da criança. Os pais não devem ceder a ela de maneira nenhuma. Seu filho está testando limites. Se ultrapassá-los, vai se tornar um adolescente imaturo e malcriado”, diz Teresa.
Para Ana Lucia, um pai que, diante de uma birra pública, por nervosismo ou vergonha, atende aos desejos da criança, vai reforçar nela a ideia de que sempre conseguirá o que quiser se começar a chorar e espernear. “Meu conselho é simples: se você estiver em casa, simplesmente deixe-a chorar. Ela vai parar. Claro, isso pode ser desgastante, mas ela vai parar e, rapidamente, deixará de lado esse artifício.”
Alexandre recomenda duas saídas para os ataques em locais públicos. “Ou você, fisicamente, retira a criança do local, pega seu filho no colo e encerra o passeio ou consegue resolver a crise sem ceder. Uma ideia é oferecer escolhas. O importante é não estimular esse comportamento.”