segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Depois de fazer 44 anos!

O Tempo e as Jabuticabas, Rubem Alves


Contei meus anos e
Descobri que terei menos tempo para viver
Daqui para a frente do que já vivi até agora…
Tenho mais passado do que futuro…
Sinto-me como aquele menino
Que recebeu uma bacia de jabuticabas…
As primeiras, ele chupou displicente…
Mas percebendo que faltam poucas,
Rói o caroço…
Já não tenho tempo
Para lidar com mediocridades…
Não quero estar em reuniões
Onde desfilam egos inflados…
Inquieto-me com invejosos
Tentando destruir quem eles admiram,
Cobiçando seus lugares, talentos e sorte….
Já não tenho tempo
Para conversas intemináveis…
Para discutir assuntos sobre vidas alheias
Que nem fazem parte da minha…
Já não tenho tempo para administrar
Melindres de pessoas que,
Apesar da idade cronológica,
São imaturas…
Detesto fazer acareação de desafetos
Qua brigaram pelo majestoso
Cargo de secretário geral do coral…
"As pessoas não debatem conteúdos…
Apenas rótulos…"
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos…
Quero a essência…
Minha alma tem pressa…
Sem muitas jabuticabas na bacia
Quero viver ao lado de gente humana, muito humana…
Que sabe rir de seus tropeços…
Não se considera eleita antes da hora…
Não foge de sua mortalidade…
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade…
O essencial faz a vida valer a pena…
E para mim
Basta o essencial!

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