terça-feira, 19 de maio de 2015

PRECISA-SE DE LOUCOS

"De loucos uns pelos outros! Que em seus surtos de loucura tenham habilidades
 suficientes para agir como treinadores de um mundo melhor. Que olhem a ética, 
o respeito às pessoas e a responsabilidade social, não apenas como princípios 
organizacionais, mas como verdadeiros compromissos com o Universo.

Precisa-se de loucos de paixão. Não só pelo trabalho, mas principalmente por gente,
 que vejam em cada ser humano o reflexo de si mesmo, trabalhando para que velhas 
competências deem lugar ao brilho no olhar e a comportamentos humanizados.

Precisa-se de loucos de coragem para aplicar a diversidade em suas fileiras de trabalho, 
promovendo igualdade de condições sem reservas, onde as minorias possam ter seu lugar,
 em um ambiente de satisfação e crescimento pessoal, independente do tamanho do 
negócio, segmento ou origem do capital.


Precisa-se de loucos visionários que, além da prospecção de cenários futuros,
 possam assegurar um novo amanhã, criando estratégias de negócios que estejam
 intrinsecamente ligadas à felicidade das pessoas.


Primeiro a gente é feliz, depois a gente faz sucesso, não se pode inverter esta ordem.


Precisa-se de loucos pelo desconhecido que caminhem na contramão da história,
 ouvindo menos o que os gurus têm a dizer sobre mobilidade de capitais, tecnologia
 ou eficiência gerencial e ouvindo mais seus próprios corações.


Precisa-se de loucos poliglotas que não falem inglês, espanhol, francês ou italiano,
 mas que falem a língua universal do amor, do amor que transforma, modifica e melhora.


Palavras não transformam empresas e, sim, atitudes.


Precisa-se simplesmente de loucos de amor. De amor que transcende toda a hierarquia,
 que quebra paradigmas; amor que cada ser humano deve despertar e desenvolver 
dentro de si e pôr a serviço da vida própria e alheia;


Amor cheio de energia, amor do diálogo e da compreensão, amor partilhado e divino,
 do jeito que Deus gosta.


As organizações precisam urgentemente de loucos, capazes de implantar novos modelos 
de gestão, essencialmente focados no SER, sem receios de serem chamados de
 insanos, que saibam que a felicidade consiste em realizar as grandes verdades e 
não somente em ouvi-las.


Ou resgatamos a Inocência perdida ou teremos que desistir de vez da condição de
 HUMANOS."
Madalena Carvalho
fonte: http://diariodeumadiretora.blogspot.com.br/search/label/Gest%C3%A3o%20Escolar 

Rubem Alves: Os saberes de cada um


RUBEM ALVES
colunista da Folha de S.Paulo

Marcelo Zocchio
O galinheiro estava em polvorosa. Cocorocós de galos, cacarejos de galinhas, tofracos de angolinhas, pios de pintinhos —tudo se misturava num barulho infernal. Todos haviam sido convocados a uma assembléia pelo Chantecler, o galo prefeito do galinheiro, para tratar de um assunto de grande importância: o fato de vários ovos chocados pela Cocota terem sido comidos por um ladrão, num breve momento em que ela abandonara o ninho para comer milho e beber água. 

As pegadas eram inconfundíveis: o ladrão era uma raposa. Raposas são animais muito perigosos. Comem não somente ovos como também pintinhos e mesmo galinhas mais crescidas. Com um sonoro cocoricocó, Chantecler pediu silêncio, expôs o problema e franqueou a palavra.

Encarapitado no galho de uma goiabeira, um galinho garnizé cantou estridente. Era o Mundico. Ele adorava discursar. "Companheiros", ele começou, "peço a atenção de vocês para as ponderações que vou fazer acerca da crise conjuntural em que nos encontramos. Charles Darwin foi o primeiro a mostrar que a história dos bichos é marcada pela luta em que os mais fortes devoram os mais fracos. Os leões comem os veados, os lobos comem os cordeiros, os gaviões comem as pombas, as raposas comem as galinhas. Os mais aptos sobrevivem, os outros morrem".

"Assim, a crise conjuntural em que nos encontramos nada mais é que uma manifestação da realidade estrutural que rege a história dos bichos. E o que é que faz com que as raposas sejam mais aptas do que nós? As raposas são mais aptas e nos devoram porque elas detêm o monopólio de um saber que nós não temos. Somente nos libertaremos do jugo das raposas quando nos apropriarmos dos saberes que elas têm."

"Como se transmitem os saberes? Por meio da educação. Sugiro então que empreendamos uma reforma em nossos currículos e programas. Se, até hoje, nossos currículos e programas ensinavam aos nossos filhos saberes galináceos, de hoje em diante eles ensinarão saberes de raposa."

"Primeiro, teremos de educar os nossos olhos para que eles passem a ver como vêem as raposas. Onde é que as raposas têm os seus olhos? Na frente do focinho. E nós? Onde estão os nossos olhos? Do lado. Educaremos os nossos olhos para que eles olhem para frente, como as raposas."

"Segundo: teremos de reeducar o nosso andar. Raposas andam com quatro patas. Por isso valem o dobro que nós, que só temos duas. Como transformar duas patas em quatro? Nós, galinhas e galos, bípedes, passaremos a andar aos pares, um na frente, outro atrás, o de trás segurando o traseiro do que vai à frente, e assim seremos quadrúpedes."

"Terceiro: as raposas têm pêlos, enquanto nós temos penas. Teremos de nos livrar de nossas penas para que no seu lugar cresçam pêlos. E os nossos rabos, ridículos uropígios, estimulados pelos pêlos, se alongarão para trás e se transformarão em rabos de raposa." 

"Quarto: as raposas têm focinhos e nós temos bicos. Mas o que é um focinho? Focinho é uma coisa sem bico. Ora, bastará que extraiamos os nossos bicos para termos focinhos, como as raposas. Assim, pela educação, nos apropriaremos dos saberes das raposas, espécie que por tantos milênios nos tem dominado. Será, então, o advento da liberdade!"

Mundico se calou. Todos estavam "biquiabertos" com a sua eloquência. E todos concordaram com o seu projeto educacional. Galos e galinhas arrancaram umas às outras as suas penas e, peladas, aguardavam o crescimento dos pêlos. Por meio de exercícios apropriados, movimentavam seus olhos para que eles aprendessem a olhar para a frente. Desbicaram-se, lixando seus bicos em pedras ásperas. E andavam, como Mundico dissera, aos pares, um na frente e outro agarrado atrás...

Mas parece que o currículo de raposa não deu resultado. A raposa continuou a comer ovos dos ninhos e chegou mesmo a devorar um pintinho distraído. Acharam que ela tivesse também devorado o Sesfredo, um galo velho de pescoço pelado, vermelho, e que cantava com sotaque caipira.

Convocou-se outra assembléia. Toda a população do galinheiro compareceu. Para surpresa de todos, até mesmo o Sesfredo, que tomou lugar num galho de uma árvore muito alta, onde nenhum galo ou galinha jamais fora. "A gente pensou que você tinha sido devorado pela raposa", cantou o Godofredo, forte galo índio. "Que nada", disse Sesfredo. "É que me internei no spa do Urubuzão para fazer uma reciclagem de vôo. Urubu é ave como nós. Mas raposa não come urubu. Raposa não come urubu porque urubu sabe voar. Raposa come galos e galinhas porque desaprendemos o uso de nossas asas..."

Nesse momento uma angolinha que ficara de sentinela deu o alarme: "Aí vem a raposa, aí vem a raposa, aí vem a raposa...". Foi uma correria, cada um correndo para um lado. Mas ninguém sabia voar. A raposa, valendo-se da confusão, abocanhou uma galinha garnizé, já depenada e desbicada...

Todo mundo entrou em pânico. Menos o Sesfredo. Lá de cima, ele abriu as asas e voou alto, muito alto, até parecia um urubu... Assim é: ave que sabe voar, raposa não consegue pegar.

Alguns há que justificam os currículos de nossas escolas dizendo que é preciso que as classes dominadas se apropriem dos saberes das classes dominantes. Há muitos Mundicos por aí...

Rubem Alves, 65, é educador, psicanalista e escritor. Sua avó dizia todo ano, a cada 1º de janeiro: "Ano novo, vida nova!" . Ele gostaria que as coisas mudassem, pois "tempus fugit" —a vida é breve. Quer dedicar-se às coisas essenciais: poesia, música, amizade. Escrever. Vadiar.
Site: www.rubemalves.com.br

Leia colunas anteriores: 
É brincando que se aprende
Aprendo porque amo
A arte de produzir fome
Perguntas de criança
Não é próprio falar sobre os alunos...
Curiosidade é uma coceira nas idéias

A INDISCIPLINA EM SALA DE AULA


A indisciplina costuma tirar o sono e muitas vezes a saúde de muitos professores. Saiba como lidar com ela.
A indisciplina em sala de aula é um grande gerador de strees em sua vida? Os alunos não param sentado nem um minuto? Não terminam ou nem começam as tarefas? Chegam ao cúmulo de brigarem em plena sala de aula? A disciplina também é um conteúdo e deve faz parte do planejamento.
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Não sou perita no assunto. Nas turmas que lecionei com certeza encontrei e ainda encontro problemas de indisciplina, mas nunca nunca tive casos sérios e que não pudesse resolver sem muito alarde.
Acho crucial a conversa, com pais e alunos, no primeiro dia de aula. É interessante discutir com os alunos os direitos e deveres que eles possuem e porque quando um dever é transgredido, o professor precisa tomar uma medida quanto a isso. Deixar bem claro este ponto é importante. As crianças precisam perceber que o "chamar atenção" é algo necessário para manter a ordem em sala e não um ataque pessoal ao aluno. Muitos alunos são indisciplinados por acreditarem que o professor nutre um sentimento negativo por ele.
Quando for chamar a atenção, caso seja possível vá até o aluno. Eu confesso que não consigo fazer isso, mas é o indicado pelos nossos "amados" psicólogos educacionais (rs). Então um dia, uma amiga pedagoga ensinou que quando não conseguir ir até o aluno, e precisar dar um "presta atenção" na criança, não a chame pelo nome mas por garoto/ garota, menino/ menina, pelo amor de Deus não deem apelido. A explicação para isso é que muitas vezes a criança quer chamar a sua atenção ou a dos colegas e chamá-la pelo nome reforça a atenção, mesmo que não seja com uma atitude boa. Deixa para chamá-la pelo nome para tecer elogios.

Palavra de colega: FUNCIONA! Tive uma aluna que insistia em xingar, pegar material alheio, beliscar e por aí ia... Eu sempre chamava a atenção, logicamente a chamando pelo nome. Qual foi a minha surpresa quando troquei o nome por "menina", e usava o nome dela somente para os elogios. Não deu um mês as coisas foram melhorando visivelmente. Claro que longas conversas em particular também ajudaram.

As regras da sala devem ser elaboradas e discutidas em grupo, não chegue com as regras prontas. Principalmente com os maiores, isso é fatal para que eles não se sintam na obrigação de obedecê-las. Não seja autoritária (o), tenha autoridade. Escute, dialogue.

Seja companheira (o) das crianças, mas saiba impor limites. Acho o cúmulo o professor permitir que durante a execução de exercícios os alunos andem pela sala contando sobre a briga dos vizinhos ou algo do gênero. Claro que você deve planejar momentos em sala para este tipo de conversa, para isso servem as rodas de conversa. Neste momento eles são livre para falar, claro que respeitando os colegas ou o tema que você propôs. Na hora dos exercícios o único assunto será sobre a atividade em questão. Eu dou a atenção e demonstro que tenho carinho por eles em vários momentos sem deixar que isso gere indisciplina.

Importante: não fique o tempo todo sentada (o) em sala de aula, circule e passe pelas carteiras. Isso ajudará com que eles permaneçam sentados. Ficar a aula inteira sentada (o), somente chamando a atenção da sua carteira não funciona, acredite!

Mude diariamente os alunos de lugares. Antes de iniciar a aula coloco os crachás nas carteiras, então raramente eles sentam no mesmo lugar. Isso evita a correria na entrada e brigas por disputa de lugares.

Coleguinhas, espero que não tenha parecido arrogante neste post. Mas a intenção é ajudar, principalmente os novos. Este é o primeiro de uma série de post sobre Indisciplina e caso tenham alguma dúvida, observação ou dica por favor sintam-se a vontade!

Aprenda mais:
Reportagem: A Indisciplina como Aliada 
Entrevista com psicólogo: "A Disciplina é um conteúdo como qualquer outro"Livro: Disciplina - Limite na Medida Certa (Içami Tiba)

A INDISCIPLINA EM SALA DE AULA (PARTE II)


Aprendendo a ser um superprofessor a indisciplina deixará de ser um problema.
Para Içami Tiba (1998) existem muitos professores hoje em dia, mas mestres são poucos. Vou substituir a palavra mestre por superprofessor (para mim Mestre só há Um). Ser superprofessor não é fácil, pois é necessário entrar no cotidiano do aluno, se colocar no lugar dele na hora da aprendizagem. Tem que cativar, é ter o domínio da turma sem se valer da sua posição de autoridade.

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É ter AMOR, nada mais ou menos que isso. É necessário amar as crianças e deixar isto transparecer em suas aulas. É querer que eles aprendam para que tenham um futuro ou uma oportunidade melhor. O superprofessor planeja aulas criativas e com conteúdos que atraíam os alunos. Sabemos que existem conteudos "chatérrimos" mas é aí que sua criatividade deve atingir o ponto máximo.
Acredito que alfabetizadores já são superprofessores, pois trabalham com o lúdico constantemente e isto as crianças adoram. Já não vemos muito disso nas séries seguintes, quanto maior o aluno menos criatividade parece haver no planejamento. Os pré- adolescentes e mesmo os adolescentes adoram aulas bem humoradas, então invista no seu lado cómico, quando o professor passa conteúdo através de uma música ou uma piada, os alunos se sentem estimulados a passar a informação adiante e assim a retem mais facilmente. Quem fez cursinhos com certeza teve professores que mais pareciam comediantes, e lembram que a aulas ficavam mais leves.

Para ser um superprofessor você precisa:
- estar bem consigo mesmo, física e psicologicamente;
- reciclar-se constantemente, fazer cursos e ler muito;
- entender o aluno;
- conhecer e considerar as etapas de desenvolvimento;
- conhecer a realidade que cerca o aluno e empenhar-se em melhorar o seu ambiente de trabalho;

Mesmo que não se acredite na santidade, Jesus foi um verdadeiro Mestre, Ele conseguia ensinar as pessoas de maneira extraordinária. As pessoas tinham sede de saber mais, de seguí-lo.
Para mim nas faculdades deveriam haver testes de "cativar", neles deveriam ser analisado a capacidade da pessoa cativar o próximo, só assim o diploma seria entregue.

Referência Bibliográfica:TIBA, Içami. Ensinar Aprendendo. São Paulo: Editora Gente, 1998.

A INDISCIPLINA EM SALA DE AULA (PARTE III)

 fonte


Não espere pelos outros, tome coragem e siga em frente.
A família não ajuda com a indisciplina do aluno? Não faz nada para ajudar a escola? A política social só atrapalha... Ficar se lamuriando e culpando o Governo e a família, infelizmente, não irá adiantar...
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Sabemos que a estrutura familiar foi modificada ao longo dos anos, alguns pais já não impõem os mesmos limites que eram impostos antigamente. Há famílias que deixam, exclusivamente, para a escola a incubência de ensinar limites e valores aos seus filhos. Isto acarreta mais "trabalho" para o professor, mas não fazê-lo só irá prejudicar ainda mais o cotidiano em sala de aula.

Não é raro presenciar alunos que desrespeitam seus pais em público, nem por isso deve-se tolerar o desrespeito ao professor. Por mais que a criança não tenha regras e limites perante a família, deve ser orientada que o mesmo não será tolerado no ambiente escolar. Nos primeiros anos das séries iniciais as crianças incorporam facilmente os limites e regras, mesmo que em família isto não ocorra. Há o relato de Caio, um aluno do 2º ano do fundamental que em casa não colabora com a mãe e evita a execução de qualquer ordem imposta por ela, além de respondê-la com total falta de educação. Quando não é atendida opta pela famosa "surra". Já em sala o mesmo aluno, mantêm o material organizado e sempre executa suas atividades escolares e com raras exceções é necessário chamar sua atenção mais que uma vez. Pode-se analisar que o erro esta na conduta da mãe, pois esta não deixa claro ao filho os limites e regras que deve seguir, além de não ser um modelo a ser seguido, pois já o abandou inúmeras vezes devido a depressão.

Ser um exemplo auxilia na construção do caráter da criança, mesmo que ela não tenha grandes exemplos em casa, nada a impede de se espelhar no professor e surpreender ao longo do seu desenvolvimento. Insira em seu planejamento aulas de boas maneiras, de motivação, de carinho... Não custa nada e fará muita diferença. Principalmente, dê o exemplo. Seja e transpareça honestidade, bom humor, criatividade, justiça, amor.

Não há uma fórmula mágica a ser seguida pelo professor, o conselho é: "enxergar o aluno" e aprender a "amá-lo" como indivíduo. Caso você leia isto e dê risadas, sinceramente abandone o cargo. Porque o que faz o professor ser um excelente educador é isto: AMOR. Caso contrário corre-se o risco de ter uma aposentadoria precoce ou passar pela vida de crianças sem ser notado.

É fácil e cômodo "gritar aos quatro ventos" que fulano não tem jeito e nunca irá melhorar pois a família não coopera. A cooperação familiar faz falta sim, mas nem por isso pode-se assinar um atestado de "fracasso" a criança. Há tantos relatos de pessoas que superaram as expectativas. Um exemplo que está na mídia é o de Roberto Carlos Ramos, contador de história de fama mundial, foi considerado um caso irrecuperável. Você queria ter assinado este atestado?

Por Ana Paula Ruggini Zarpelon, professora atuante em escola de periféria no município de Curitiba.