sábado, 31 de março de 2012

Os livros de Willian Shakespeare

Tudo Bem Quando Termina Bem
Livro Gratis Tudo Bem Quando Termina Bem de William Shakespeare
Bem está o que bem acaba ou Tudo está bem quando termina bem (no original All's Well That Ends Well) é uma peça de teatro de William Shakespeare, inicalmente classificada como uma comédia, embora alguns estudiosos prefirem vê-la como uma tragédia. Provavelmente foi escrita em meados dos anos posteriores ao início da carreira de Shakespeare, entre 1601 e 1608, e foi publicada pela primeira vez no First Folio, em 1623. É uma das peças menos encenadas de Shakespeare.
AutorWilliam Shakespeare
SiteNão Informado
FormatoLivro Grátis em PDF com 372 KB

Confira todos  no link  abaixo:

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Complexidade da formação de professores. Saberes teóricos e saberes práticos.




SILVA, Marilda da. 
São Paulo: Cultura Academica, 2009. 
Resenha 
Este livro de Marilda da Silva dá conta de apresentar os resultados das pesquisas e reflexões realizadas, ao longo da decada de 1990, referentes a formação de professores e a construção de seus saberes profissionais; e a especificidade da conjunção teoria/ prática que ocorre durante a formação docente1. Privilegiando, como aporte teórico, os estudos realizados sobre e a partir das vozes e memórias de professores, diz que
“Ao reconstruir uma nova concepção sobre tais relações [teoria e prática], eles [os professores] percebem que não se trata de denunciar ou de se autopunir por essas pseudoincoerencias; antes, trata-se de compreender como é que elas, professoras, no decurso de sua formação intelectual e profissional, tem incorporado e traduzido em sua prática pedagogica os elementos que compoem as teorias por elas estudadas, e de que modo tais elementos são relativizados, tematizados e reconceitualizados ao se cruzarem com aqueles que procedem da experiência individual e coletiva, e que passa igualmente por um processo de reelaboração.” (Catani, 2007, p.31 apud Silva, p.11)
Sendo diversas as abordagens que se originam da pesquisa e reflexão sobre a elaboração do saber docente, convém ressaltar que embora a pesquisa bibliográfica realizada pela autora seja bastante extensa, optamos, tendo em vista a brevidade e o objetivo desta resenha, por destacar apenas alguns destes autores.
Ainda na introdução, considera relevante diferenciar os conceitos utilizados para definir habitus professoral e habitus do estudante, sendo o primeiro aquele relativo a prática do professor no ensino de conteúdos em sala de aula, e o segundo a prática deste mesmo professor enquanto aluno nos cursos de formação docente.2
Silva inicia seu trabalho, com base nos estudos de Nóvoa e Tardif, intitulados Os professores e a sua formaçãoSaberes docentes e formação profissional, respectivamente, apontando dois aspectos fundamentais a constituição de uma epistemologia da pratica docente: um primeiro que diz respeito a diferenciação fundamental entre conhecimentos teóricos e conhecimentos práticos, e um segundo que refere-se a (re) construção cotidiana dos saberes práticos nos quais estão atrelados experiências individuais e coletivas, assim como as teorias apreendidas durante os cursos de formação. “Em tal perspectiva, o olhar sistematizado, reconhece a complexidade da epistemologia da prática docente à luz do sujeito que a constrói – conscientemente ou não, querendo ou não – quando ensina conteúdos curriculares na sala de aula de nossas escolas.” (p.24) Acrescentando que
“(...) é fundamental o domínio do corpus teórico da sua área de conhecimento e das ciências da educação, mas, por outro lado, ao professor também é indispensável a sensibilidade sobre as suas experiências e sobre sua interação com os demais sujeitos desse processo de aprendizagem.” 3(p.25)
De modo mais específico, Tardif e Pérez Goméz, consideram fundamental a aproximação do futuro professor da prática escolar, assim como a necessidade de se estabelecer parcerias entre as instituições formativas e as escolares. Para melhor elucidar os conceitos destes autores, referindo-se a fundamentação teórica de ambos, a autora distingue três conceitos sugeridos por Schön (1983): o “conhecimento-na-ação”, inerente ao homem acontece de modo intrinseco à ação; a “reflexão-na-ação”, considerando que durante a própria ação o homem está refletindo, testando hipóteses e remodelando sua prática; e a “reflexão sobre a ação”, que ocorrendo após a ação, também tem como objetivos: avaliar, questionar e remodelar esta atuação.
Entendendo então, o produto do trabalho docente, como algo que se constrói no cotidiano, a partir das relações que os indivíduos estabelecem entre si dentro do espaço escolar; torna-se importante que o professor seja capaz de “realizar” estas três formas de ação. Aquela, do “conhecimento-na-ação”, que ocorre naturalmente aos indivíduos; a “reflexão-na-ação” que ocorre ao longo do cotidiano prático de professores e demais membros da comunidade escolar; e aquela “reflexão sobre a ação”, pós ação que diz respeito a capacidade do professor de refletir sobre sua prática, de modo a planejá-la, experimentá-la e auterá-la caso considere necessário.
De modo geral os autores, propõem (re) pensar os atuais modelos de formação, de modo que estes reflitam, o mais possível, um equilibrio na transmissão e incorporação dos conhecimentos teóricos e dos conhecimentos práticos ao longo do curso; afirmando que “Tal tarefa se constitui atualmente num desafio, pois hoje a realidade constata o esgotamento do modelo tradicional de formação de professor, que não consegue mais dar respostas aos problemas do cotidiano escolar.” (Mendonça, 2003, p.15-16 apud Silva, p.86)
Referindo-se a elaboração e a especificidade do habitus professoral Pérez Gómes diz que
“O profissional competente atua refletindo na ação, criando uma nova realidade, experimentando e corrigindo e inventando através do diálogo que estabelece com essa mesma realidade. (…) o conhecimento que o novo professor deve adquirir vai mais longe do que as regras, fatos, procedimentos e teorias estabelecidas pela investigação.” (1992, p. 102 apud Silva, p.31)
Ou como afirma Tardif, não se trata de
“(...) um saber sobre um objeto de conhecimento nem um saber sobre uma prática e destinado principalmente a objetivá-la, mas a capacidade de se comportarem como sujeitos, como atores e de serem pessoas em interação com outras pessoas. (...) é esse tempo vivido, cheio de sentido e de experiências concretas, e não o tempo cronológico que permite a estruturação '(...)e a memorização de experiências educativas marcantes para a construção do Eu profissional'” (2002, apud Silva p.25-26) 4
Com base nos relatos colhidos junto às professoras, Catani et al5 diz que “(...) os conhecimentos que dizem respeito a prática pedagógica não se acham contidos exclusivamente na teoria educacional, mas procedem também da experiência pessoal e social que tem lugar dentro e fora da escola.” (1997, p.34 apud Silva, p.32)
Em referência a Marcelo Garcia (1999), a autora diz que
“Reconhecendo que a formação humana é um fenômeno altamente complexo e diverso, o conceito de “desenvolvimento profissional é apresentado” pelo autor como “[...] o conjunto de processos e estratégias que facilitam a reflexão dos professores sobre a sua prática, que contribui para que os professores gerem conhecimento prático, estratégicos e sejam capazes de aprender com a sua experiência.” (p.144 apud Silva p. 38)
Ressaltando o espaço escolar como locus privilegiado onde ocorre a interação entre professores e alunos, e entre professores e seus pares; entende-se que é somente na prática cotidiana, através da ação e da reflexão, que o professor vai tornando-se capaz de apreender, criar e (re )construir seus próprios saberes; como salienta “(...) aprender a ser professor é um processo de aprendizagem profissional que ocorre quando efetivamente atua-se em sala de aula, uma vez que cada dia é diferente do anterior, cada turma é diferente de outra (…)” (p. 72) e ainda, considerando ser o conhecimento teórico advindo dos cursos de formação ponto de partida para atuação, “(...) a importância de reconhecer-se a formação do professor em seu sentido mais amplo, compreendendo toda a sua trajetória de vida e educacional.” (p.77)
Dito isto, com base na inferência dos conhecimentos veiculados pela citação de uma série de autores e seus trabalhos, pode-se dizer que a questão da formação de professores é, como sugere o título, complexa e deve extrapolar as discussões originadas exclusivamente nos cursos de formação profissional.
“(...) isso mostra que há dois tipos de formação na formação docente como um todo. Essa feliz separação entre formação profissional e formação docente foi operacionalizado por Tardif (2002), o qual mostra que a profissional é aquela que se processa por meio da inicial do aluno, no âmbito da universidade, e a formação docente é concretizada no exercício da profissão propriamente dita, isto é, durante o exercício/ prática docente.” (p.93-94)
De modo central a autora se questiona quanto ao saberes necessários à prática docente e seus locais de aquisição concluindo que a prática pedagógica desdobra-se em saberes científicos, saberes técnicos e saberes experienciais que vão sendo adquiridos de modo initerrupto ao longo da trajetória profissional, não se resumem aos cursos de formação inicial e estendem-se ao longo da vida.
Notas
1 (NÓVOA, 2000; TARDIF, 2002; GÓMEZ, 1992; CATANI et al., 1997; NUNES, 2001; ALMEIDA, 1998; SILVA, 1997; THERRIEN, 1995; LIBÂNEO, 2001; MONTEIRO, 2001; GÁRCIA, 1999; PIMENTA, 1998; VEIRA, 2002)
2Tais concepções foram construídas com base no conceito de Habitus elaborado por Pierre Bourdieu.
3“Neste sentido, cabe-nos a citação de Tardif (2002, p.54), o qual nos revela que “os saberes experienciais não são saberes como os demais, são, ao contrário, formados de todos os demais, mas retraduzidos, 'polidos' e submetidos às certezas construídas na prática e na experiência. (…) Desse modo, as experiencias vivenciadas no ambiente escolar são estruturantes para a formação, atuação e aprendizagem docente.” (p.26-27)
4Citando Nunes, sobre a potencialidade dos saberes profissionais do professor, diz que “Essa pluralidade de saberes que envolve os sabres da experiencia é tida como central na competência profissional e é oriunda do cotidiano e do meio vivenciado pelo professor” (2001, p.31 apud Silva p. 35)
5In livro Docência, Memória e Gênero: estudos sobre a formação. 1997 e no artigo “História, memória e autobiografia na pesquisa educacional e na formação.” 1997.

Resenha: Cap. 2. Ver com olhos livres: Arte e educação na primeira infância¹.

http://www.brinquedofeitoamao.blogspot.com.br/2012/02/resenha-cap-2-ver-com-olhos-livres-arte.html



GOBBI, Marcia Aparecida.
paul klee1  klee 
Resenha
Redescobrir a própria infância seria um movimento interessante o qual os adultos poderiam compor. (…) A irreverência abre caminhos e apresenta elementos para pensarmos no rompimento com determinados padrões.
Assinala-se uma ruptura com a cultura normativa e aproxima-se a arte da vida social (...)” (p.40.)
Como o próprio título sugere, neste capítulo Gobbi pretende discutir as aproximações da produção artística das crianças e dos adultos, com a educação; refletindo sobre a necessidade de se construir, neste campo, novas ideias e práticas elaboradas a partir da liberdade de olhar propiciada pela criação estética. Para tanto, inicia este capítulo referindo-se ao período modernista no Brasil e seus fundadores como prenunciadores de uma visão que concebe a infância como co-construtora, ao lado de adultos, de uma cultura ativa e criativa; elaborada com ideias próprias também das crianças (Moss, 2003, Apud Gobbi, 2007)
“Artistas e críticos modernistas no Brasil, tais como Mario de Andrade, Mario Pedrosa, Flávio de Carvalho, Anita Malfatti, e outros artistas seus contemporâneos como Paul Klee e o arquiteto Bruno Munari, compõem um cenário que indica a ruptura nos modos de ver as criações infantis.
(…) Compondo uma rede de significados, meninas e meninos são tidos como capazes de, não somente receber influências de diferentes contextos nos quais estão inseridas, como também contrui-los e marcá-los com suas ideias e realizações.” (p.31)
Parte-se do princípio que artistas e crianças, arte moderna e arte infantil experimentam momentos de coexistência. Momentos estes elaborados a partir do surgimento das propostas modernistas de rompimento com modelos e inovação da experimentação nos campos estéticos e sociais. Gobbi cita o crítico Mario Pedrosa e sua empolgação com as ideias de Cizek² sobre a diferenciação da arte construída e experenciada em espaços livres, externos as escolas e àquela realizada em seu interior. Destaca a potencia criativa, a complexidade dos trabalhos realizados pelas crianças e sua capacidade de aprender com elas. “A criança é percebida como criadora (…) como fontes inspiradoras nas quais adultos artistas deverão se fartar provocando seus processos de criação.” (p.38)
Também para Flavio de Carvalho “(...) somente verdadeiros artistas nutrem-se de produções das crianças” e a instituição escolar tem estado voltada “ (…) quase sempre a [de] abafar e matar qualquer surto de originalidade que aparece na fantasia das crianças.” (1933/1993: 161 apud Gobbi, p.38) Citando ainda Paul Klee, interessado nas produções infantis de seu filho, colecionava desenhos, referindo-se a potencialidade de aprendizado que estes sugestionavam ao propor construções estéticas ainda livres de concepções sociais.
Entendida como aquela que faz, produz e cria; a criança e suas produções, passam a ser vistas e valorizadas através de conceitos que possibilitam a discussão de uma cultura adultocentrada, cujo objetivo seja desconstruir as ideias e práticas que visam a imposição da produção artística adulta como modelo, ou mesmo o doutrinamento da mão e dos corpos na aprendizagem de técnicas que realizem possíveis gênios “descobertos” por pais e professores.
Desta forma “(...) centra-se o trabalho de professoras com as crianças nos conteúdos que passam a ser desenvolvidos, tendo como base o desejo, ou mesmo, a ansiedade pela chegada no estágio posterior...” (p.33). Ao longo dos anos e constantemente, especialmente dentro dos espaços de educação, as crianças acabam por ser destituídas de suas múltiplas capacidades expressivas, de sua criatividade e da capacidade de formular ideias e hipóteses, em favor de uma única linguagem [a saber o verbo] dita racional. Dito de outra forma:
“(...) a escola separa a cabeça do corpo e todas as suas partes, extirpando sua capacidade criadora. Não há nos espaços escolares (…), a pesquisa da multiplicidade de expressões, ou, mesmo, a apreciação estética do mundo, o encontro com o fantástico, com o imprevisto, as reações contra a monotonia constituindo uma cultura minuscula presente nos grupos escolares dos quais falava Mário de Andrade e que reflete a ausência da pluralidade, da imaginação, da curiosidade. Neles, os muros e as portas fecham-se para as diferenças, para a cidade, para o que é vital.” (p.37)
É pois, com base na ideia de que a Arte constitui uma “realização quotidiana de vida” que Mario de Andrade cria os Parques Infantis compreendendo a arte e o lúdico como fundamentos das práticas de educadores e das crianças suas frequentadoras. Em um movimento para além das questões puramente estéticas, o Modernismo no Brasil também esteve alicerçado na crítica e na discussão política. Mario e Anita Malfatti, ao refletir sobre os espaços destinados a educação de crianças conceberam a importância da arte como veículo de expressão, criatividade, pensamento e crítica.
Eis que se faz necessário a revisão e a reformulação das propostas de formação de professores, especialmente àqueles que irão trabalhar com as crianças pequenas. Neste sentido, Gobbi (Malaguzzi apud Rabitti, 1999:86; Sacchetto, 2001; Staccioli, 2000; Dallari 2002) reafirmam a Arte enquanto fundamento deste nível de ensino, onde a aproximação entre professores e artistas deve ser estimulada uma vez que
“ (…) a presença dos artistas (…) que provocam, com suas propostas e práticas, nosso olhar, nossas ações nas pedagogias voltadas para a primeira infância, reforçam sempre a ideia de que as crianças criam e expressam a realidade de inúmeras formas e que lhe são próprias.” (p.46)
E ainda, “A postura estética serve sim para olhar a obra de arte, mas seria bom conservá-la para olhar muitas outras coisas: para olhar com olhos diferentes, mais ativos, menos convencionais o mundo circundante.” (Dallari, 2002: 45 apud Gobbi, p.48)
Como conclusão, Gobbi reitera uma necessidade, deixando o convite ás professoras e professores de crianças pequenas para que olhem com olhos livres as produções infantis, valorizando não só a criança como ser ativo que constrói cultura, mas também suas produções expressivas como documentos capazes de ensinar mais sobre elas, ou sobre nossas próprias vidas. Que a Arte seja fundamento e, não didatizada, esteja diluída nos contextos escolares em seus “exercícios quotidianos de vida.”
 
Antes de mais nada e sempre, fica o convite para que nos pertimitamos olhar a vida com mais encantamentos e belezas. Em segundo fica aberto o espaço para a discussão.
Abraços de coisas boas,
Lorena Oliveira
____________________________________________________________
Fontes de Imagem: AQUI e The Metropolitan Museum of Art
Bibliografia:
¹ IN FARIA, Ana Lúcia Goulart. (org). O coletivo Infantil em creches e pré-escolas: falares e saberes. - São Paulo: Cortez, 2007.
Notas
² Viena, final do século XIX.

Cai nº de leitores no País e metade não lê

O Estado de São Paulo, 28/03/2012 - São Paulo SP

Parcela da população que se diz leitora passou de 55% em 2007 para 50% em 2011 
Maria Fernanda Rodrigues
A terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a ser apresentada hoje na Câmara, revelou que a população leitora diminuiu no País. Enquanto em 2007 55% dos brasileiros se diziam leitores, hoje esse porcentual caiu para 50%. São considerados leitores aqueles que leram pelo menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa. Diminuiu também, de 4,7 para 4, o número de livros lidos por ano. Entraram nessa estatística os livros iniciados, mas não acabados. Na conta final, o brasileiro leu 2,1 livros inteiros e desistiu da leitura de 2. A pesquisa foi feita pelo Ibope Inteligência por encomenda do Instituto Pró-Livro (IPL), entidade criada em 2006 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), Sindicato Nacional de Editores e Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares. "É no mínimo triste a gente não poder comemorar um crescimento", disse Karine Pansa, que acumula a direção do IPL e da CBL. Ontem, o Estado mostrou que 75% dos brasileiros nunca pisaram em uma biblioteca. 

Participaram da apresentação representantes de entidades livreiras e do poder público, entre eles a ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Ela destacou a importância do estudo para o direcionamento das políticas públicas do Minc e do Ministério da Educação. "Temos de ter um olhar da cultura que vai além do ensino e que abra os olhos para outras dimensões. O livro é que vai permitir a formação da cidadania", disse a ministra. O levantamento foi realizado entre junho e julho de 2011, com 5.012 pessoas de 315 municípios, com 5 anos ou mais, em suas próprias casas. Todas as regiões do País foram incluídas e a margem de erro é de 1,4%. Questões diversas. Para compor o mapa da leitura, questões diversas foram analisadas. Os principais motivos que mantêm leitores longe de livros são falta de tempo (53%) e desinteresse (30%). O livro digital, novidade deste ano, já é de conhecimento de 30% dos brasileiros e 18% deles já os usaram. A metade disse que voltaria a ler nesse formato. 

A mãe não é mais a maior incentivadora da leitura, como aparecia na pesquisa passada. Para 45% dos entrevistados, o lugar é ocupado agora pelo professor. A biblioteca é o lugar escolhido para a leitura de um livro por apenas 12% dos brasileiros - 93% dos que leem o fazem em casa. Ter mais opções de livros novos foi apontado por 20% dos entrevistados como motivo para frequentar uma biblioteca. Porém, para 33% dos brasileiros, nada os convenceria a entrar em uma. Entre o passatempo preferido, ler livros, periódicos e textos na internet ocupa a sexta posição (28%). Na pesquisa anterior, o índice era de 36%. Assistir à televisão segue na primeira posição (85%) - em 2007, era a distração de 77% dos entrevistados. Dos 197 escritores citados, os mais lembrados foram Monteiro Lobato, Machado de Assis, Paulo Coelho, Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade. Já os títulos mais mencionados foram a Bíblia, A Cabana, Ágape, O Sítio do Picapau Amarelo - que não é exatamente título de nenhum livro de Lobato - e O Pequeno Príncipe. Best-sellers como Crepúsculo, Harry Potter e O Monge e o Executivo também aparecem.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Cursos de Pós Graduação

Você gostaria de estudar, formar grupo de estudo ou reciclar seu conhecimento? Conheça os Cursos de pós graduação, da Instituição AUPEX/FACEL. 
Existem várias metodologias disponíveis, on line, semipresencial e presencial

A Aupex, com sede em Joinville e filiais em Itajaí - SC e Bento Gonçalves - RS, tem 12 anos no ramo de Pós-graduação, tendo certificado mais de 15 mil alunos nos Estados do RS e  SC.

 No sistema Semipresencial, é possível ter alunos dos mais diferentes cursos em uma mesma turma, facilitando assim, a montagem de turmas.

No modelo On-line, haverá dois encontros, sendo possível os encontros serem em local definidos pelo Coordenador local.
O número de alunos em cada curso é de no mínimo 20 alunos.


Objetivamos convidar professoras e demais profissionais e formar polos, para que possamos definir  locais  para a  realização  dos cursos.

Havendo interesse  por favor se manifestar por e-mail, marcaremos uma reunião, onde todas as informações e dúvidas poderão ser solucionadas.

verifique no link , alguns dos cursos disponíveis 



Aguardamos  contato por e-mail ou telefone!


Cátia Regina Marangoni Geremias
88411782


Daniela  Carvalho
88152040

Estamos na era do conhecimento e nunca foi tão importante  e necessário manter-se informado!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Você sabe duvidar?

ou um baú cheinho de livros...

muito triste!

A maior deficiência

Mestre dos mestres

Mestre dos Mestres


Um texto de Augusto Cury  que merece ser lido por vocês!

Recebi por e-mail!

Oi
 
Entrem nesse site do Itaú, façam um cadastro e recebam em casa uma coleção de livros infantis gratuitamente.
Não é propaganda do banco não, nem tenho conta no itaú kkk, 
é que gosto de passar o que é bom!!! Pra quem tem criança, trabalha com, ou mesmo pra sua diversão, ler é sempre bom!!!!! e receber os livros em casa de grátis melhor ainda hehehe!!!
Ah, ainda da pra ouvir as histórias no site!
 
Beijos Zeli
 
www.itau.com.br/itaucrianca/ 

domingo, 18 de março de 2012

Da cegueira colectiva à aprendizagem da insensibilidade


14.03.2012
Quero, antes de mais saudar os professores.
Da cegueira colectiva à aprendizagem da insensibilidade. 16605.jpegDurante anos, fui professor. E quando digo isto há uma emoção fortíssima que me atravessa. Eu não sei se há profissão mais nobre do que a de ensinar. E digo ensinar porque existe uma diferença sensível entre ensinar e dar aulas. O professor no sentido de mestre é aquele que dá lições.
Os professores que mais me marcaram na vida foram os que me ensinaram coisas que estavam bem para além da matéria escolar. Não esqueço nunca um professor da escola primária que um dia leu, comovido, um texto escrito por ele mesmo. Logo na declaração da sua intenção nasceu o primeiro espanto: nós, os alunos, é que fazíamos redações, nós é que as líamos em voz alta para ele nos corrigir. Como é que aquele homem grande se sujeitava àquela inversão de papéis? Como é que aceitava fazer algo que só faz quem ainda está a aprender?
Lembro-me como se fosse hoje: o professor era um homem muito alto e seco e, nesse dia, ele subiu ao estrado da sala segurando, nos dedos trémulos, um caderno escolar. E era como se ele se transfigurasse num menino frágil, em flagrante prestação de provas. Parecia um mastro, solitário e desprotegido. Só a sua alma o podia salvar.
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Depois, quando anunciou o título da redação veio a surpresa do tema que parecia quase infantil: o professor iria falar das mãos da sua mãe. Éramos crianças e estranhámos que um adulto (e ainda por cima com o estatuto dele) partilhasse connosco esse tipo de sentimento. Mas o que a seguir escutei foi bem mais do que um espanto: ele falava da sua progenitora como eu podia falar da minha própria mãe. Também eu conhecera essas mesmas mãos marcadas pelo trabalho, enrugadas pela dureza da vida, sem nunca conhecerem o bálsamo de nenhum cosmético. No final, o texto acabava sem nenhum artifício, sem nenhuma construção literária. Simplesmente, terminava assim, e eu cito de cor: "é isto que te quero dizer, mãe, dizer-te que me orgulho tanto das tuas mãos calejadas, dizer-te isso agora que não posso senão lembrar o carinho do teu eterno gesto."

Havia qualquer coisa de profundamente verdadeiro, qualquer coisa diversa naquele texto que o demarcava dos outros textos do manual escolar. É que não surgia ali, em destacado, uma conclusão moral afixada como uma grande proclamação, uma espécie de bandeira hasteada. Aquele momento não foi uma aula. Foi uma lição que sucedeu do mesmo modo como vivemos as coisas mais profundas: aprendemos, sem saber que estamos aprendendo. Lembro este episódio como uma homenagem a todos os professores, a esses abnegados trabalhadores que todos os dias entregam tanto ao futuro deste país.
Comecei por saudar os professores. Parece que me esqueci dos estudantes. Ou que os coloquei em segundo plano. Mas não.
Todos somos professores, mesmo que não o saibamos. Perante os outros, perante os nossos pais, perante os amigos, perante nós mesmos, com bons ou maus exemplos, com tristes ou gratificantes lições, todos somos professores. Um dos maiores professores do nosso tempo é um homem que nunca deu aulas. É um homem que ensinou a sermos mais humanos. Mais do que isso, é um homem que ensinou a ter esperança num mundo tão desesperançado. Esse professor de toda a humanidade, de todas as raças e credos, é um africano. Chama-se Nelson Mandela. A sua vida foi uma interminável lição. Mandela é hoje uma bandeira mundial não apenas porque foi um político que dignificou a política, mas porque nos dignificou a todos nós, seres humanos. 
Deixem-me falar de Mandela. Este homem, que agora está doente e cansado, viveu encarcerado durante vinte e sete anos. Vinte e sete anos são mais do que o tempo de vida da maior parte dos presentes nesta sala. Vinte e sete anos de prisão é tempo suficiente para criar raiva, ódio e insuperáveis ressentimentos. Contudo, este homem converteu esse potencial negativo em força construtiva e reconciliadora. Um dos motivos de inspiração de Mandela foi ter encontrado num poema que se chama "Invictus". Vou ler esse poema.
Do ventre da noite que tudo cobre
Negra como o fundo da cova escura
Agradeço aos deuses de todos os céus
Por quanto a minha invencível alma perdura

Ante as garras do cruel acaso
Nem eu tremi, nem o medo me turvou
Sob o peso da ameaça e da desumana violência
Eu sangrei mas a minha alma nunca se curvou

Não importa se a passagem é estreita
Não importa quantos castigos devo penar
Eu sou o dono do meu destino
Eu sou o capitão da minha alma.

Estes versos, meus amigos, foram uma espécie de suporte moral que deram força a Nelson Mandela. Vezes infinitas o prisioneiro 46664 da Ilha de Robin regressou a estes versos para não sucumbir. Como escritor e poeta, dá-me grande alegria saber deste poder da poesia. Neste caso, há qualquer coisa que deve ser acrescentada.

Na verdade, este poema foi escrito em 1875. O seu autor não foi um poeta sul-africano, não foi sequer um poeta africano. Quem escreveu estes versos foi um britânico chamado William Ernest Henley. Estes versos viajaram para além de séculos e continentes e iluminaram a esperança de um homem que, em vez de se vitimizar e procurar a vingança, nos deu uma eterna lição da crença nos outros. 
Eu venho falar para a Escola de Comunicação e Artes. Por isso me demorei nestes episódios. Porque acredito que a comunicação e a arte são ferramentas de mudança tão importantes como a política. Mandela fez da política um instrumento de comunicação da verdade. Ele fez da política uma obra na arte da reconciliação, numa nação dividida pelo preconceito. Talvez a cultura seja o mais poderoso e duradouro instrumento de intervenção social. No nosso continente isso é bem claro. Vejamos um exemplo:
Desde há 50 anos, quando começaram a acontecer as independências, o nosso continente conheceu mais de 210 presidentes. O desafio que vos faço é o seguinte: digam o nome de 10 (apenas 10) destes dirigentes que se tenham notabilizado como figuras humanas de referência. Terão dificuldade. Será muito mais fácil enumerarmos artistas e intelectuais dignos de serem lembrados. E é aqui que a figura de Mandela é tão importante para nós, africanos. Podemos não nos lembrar de muitos políticos africanos que nos dignifiquem. Mas o nome de Mandela basta para compensar toda essa ausência e devolver o orgulho de sermos quem somos.

Caros amigos, vou entrar agora no tema central desta alocução.
Todos os dias centenas de chapas de caixa aberta transitam por esta cidade que parece afastar-se do seu próprio lema "Maputo, cidade bela, próspera, limpa, segura e solidária". Cada um destes "chapas" circula superlotado com dezenas de pessoas que se entrelaçam apinhadas num equilíbrio inseguro e frágil. Aquilo parece um meio de transporte. Mas não é. É um crime ambulante. É um atentado contra a dignidade, uma bomba relógio contra a vida humana. Em nenhum lado do mundo essa forma de transporte é aceitável. Quem se transporta assim são animais. Não são pessoas. Quem se transporta assim é gado. Para muitos de nós esse atentado contra o respeito e a dignidade passou a ser vulgar. Achamos que é um erro. Mas aceitamos que se trata de um mal necessário dada a falta de alternativas. De tanto convivermos com o intolerável, existe um risco: aos poucos aquilo que era errado acaba por ser "normal". O que era uma resignação temporária passou a ser uma aceitação definitiva. Não tarda que digamos: "nós somos assim, esta é a maneira moçambicana." Desse modo nos aceitamos pequenos, incapazes e pouco dignos de ser respeitados.
O caso dos chapas é apenas um exemplo, uma ilustração de um processo que eu chamaria de "construção do inevitável". E é simples: aos poucos, os passageiros do "chapa" deixam de ser visíveis. Na nossa sociedade essas pessoas já contavam pouco. É gente pobre, gente sem rosto, gente que não aparece na TV nem no jornal. Essa gente surgirá no jornal quando o "chapa" se acidentar. Mas aparecerá sem voz e sem nome. Um simples número para se contabilizar feridos e mortos. Em contrapartida, outras coisas ganharam brilho na nossa sociedade. Por exemplo, adquiriram toda a visibilidade os carros de luxo de uma pequena minoria. Deixamos de ver os "chapas" mortais, mas estamos atentos aos sinais de ostentação dessa minoria.
O assunto que quero abordar convosco hoje é esta operação que banaliza a injustiça e torna invisível a miséria material e moral. Esta vulgarização faz perpetuar a pobreza e faz paralisar a história. Saímos todos os dias para a rua para produzir riqueza mas regressamos mais pobres, mais exaustos, sem brilho, nem esperança. De tanto sermos banalizados pelos outros, acabamos banalizando a nossa própria vida.

Estamos perante uma espécie de formatação mental e moral. A mensagem é a seguinte: querem dizer-nos as nossas doenças sociais são incuráveis. Resta-nos viver de remendos e expedientes.

Visitou-me um escritor amigo da Nigéria. Ele percorreu as cidades de Moçambique e ligou-me de Pemba. A primeira coisa que ele disse: Estou maravilhado! Vocês têm estações de gasolina a funcionar! O seu espanto espantou-me a mim. Principalmente porque esse assombro provinha de um cidadão da Nigéria, o maior produtor de petróleo de África. Só depois entendi. O que passa na Nigéria - depois de 50 anos de exportação de petróleo - é que as cidades nigerianas não possuem aquilo que para nós é comum: estações de gasolina vendendo gasolina. As bombas de combustível naquele país estão quase todas fechadas e a gasolina é vendida em garrafas e jerricans nos passeios públicos. Para alguns esse é um processo natural em África. Mas não é. O que sucedeu foi o seguinte: o governo subsidiou os preços dos combustíveis mas não foram os mais desfavorecidos que lucraram mais. Foi uma parte da elite nigeriana que se apoderou dos circuitos formais e desviou para os mecanismos informais a distribuição e venda do combustível. Uma vez mais, os ricos tornaram-se ainda mais ricos. Mas não é a questão politica que eu quero trazer aqui. A questão é que, para o cidadão da Nigéria, aquele sistema de venda, à maneira do dumba-nengue, se tornou normal. Ver bombas de gasolina a funcionar numa nação bem mais pobre como é Moçambique foi, para ele, um motivo de surpresa. Eu vejo muito africanos proclamarem que os mercados informais são a única maneira que África sabe fazer comércio. Que apenas nas barracas sabemos comer e beber. É mentira. A dumba-nenguização da economia é uma estratégia escolhida para fugir dos impostos, para escapar das obrigações para com o património público. Quando o meu amigo nigeriano voltou a Maputo ele disse-me o seguinte:
- A minha surpresa não foi tanto o que eu vi em Moçambique. Foi sim o que já não sabia ver na Nigéria.
O principal aliado dos tiranos é a cultura da aceitação. Talvez alguns de vocês sabem que sou um dos autores do Hino Nacional. Quando entregamos o Hino para aprovação na Assembleia da Republica nós não podíamos imaginar que alguns deputados se sentissem incomodados com a passagem da letra que diz: Nenhum tirano nos irá escravizar. É claro que a letra não fala do presente. Mas um hino é feito para durar. E quem pode garantir que um candidato a tirano não assaltará a nossa futura história? O melhor modo de prevenir esse risco não é apenas consolidar a democracia política. É investir numa cultura viva, numa cidadania de construção do futuro. O que me interessa falar aqui, numa Escola de Arte e Cultura é a dimensão cultural das nossas pequenas e grandes misérias.
A invocação da chamada "africanidade" é uma das armadilhas mais usadas pelos tiranos. No Malawi atacaram e rasgaram a roupa de mulheres pelo simples facto de andarem de calças. Mulheres de calças não é uma coisa africana - foi o que invocaram os agressores. Em nome de África se agrediram e mataram pessoas apenas porque eram homossexuais. Em nome da pureza africana se continua a impedir que, apenas por serem do sexo feminino, milhares de crianças não prossigam os seus estudos. Em nome de África se cometem os maiores crimes contra África. O nosso continente é feito de passado e tradição, sim. Mas é feito de modernidade. É feito de mudança. Como todos os outros continentes.
As dinâmicas de mudança confrontam-se com uma identidade feita de passado e tradição. Tudo isto tem a ver com o processo da construção do inevitável. Esse processo envolve o mecanismo da acomodação e o mecanismo da invisibilidade. A acomodação tem várias facetas. Sabemos que está errado, mas nada fazemos. Porque temos medo. Porque achamos que não tem a ver connosco. Ou porque fazemos cálculos. É melhor calar e ser promovido. É melhor recolher uns magros favores em troca do nosso silêncio e da nossa cumplicidade.
O mecanismo da invisibilidade foi tratado por José Saramago no livro O ensaio sobre a cegueira. Nós estamos doentes, não porque os olhos tenham alguma deficiência, mas porque deixamos de saber olhar. Deixamos de querer ver. E deixamos de nos ver a nós mesmos. No fundo, este é o desfecho desse processo de alienação. Tornamo-nos cegos. Quem não vê, aceita que outros lhe digam como é o mundo.
Eu rabisquei uma lista de fenómenos sociais que se tornaram invisíveis em Moçambique. A lista é bem extensa. Mencionarei apenas de alguns.
A violência contra os mais fracos
O primeiro desses fenómenos é a violência. Dizemos com frequência que somos um povo pacífico. Isso é verdade. Mas os povos todos, do mundo, são pacíficos por natureza. O que muda é a sua história. Assim, é verdade que somos um povo pacífico, mas também é verdade que foi esse povo pacífico que fez uma guerra civil que matou cerca de um milhão de pessoas. A guerra terminou em 1992, e essa data é talvez a mais importante da nossa história recente, depois da Independência Nacional. Terminou o conflito militar, mas não terminaram outras guerras silenciosas, invisíveis e perversas.
Hoje somos uma sociedade em guerra consigo mesma. Os alvos dessa guerra são sempre os mais fracos. Estamos em conflito com as mulheres, com as crianças, com os velhos, estamos em guerra com os pobres, com aqueles que não têm poder. Somos uma sociedade obcecada pelo Poder. Quem não tem poder é como quem circula na traseira do chapa: não existe. Tudo tem uma leitura política, o mais pequeno detalhe é um recado, uma definição de hierarquias. Quem chega primeiro à reunião, onde se senta, quem não comparece à cerimónia, com que carro chegou, de quem se faz acompanhar, tudo isso são sinais de poder. Nas ruas sou chamado de patrão, sou chamado de "boss", porque a minha cor da pele é tida como um sinal de Poder. O vendedor de viaturas insurgiu-se com a escolha de um carro que eu queria comprar. Deixe que escolho um carro compatível com o seu estatuto.  
Estamos em guerra connosco mesmos e o primeiro desses alvos é curiosamente uma maioria: as mulheres. Em Moçambique há mais um milhão de mulheres que homens. Mas ao nível das percepções, os homens dão pouca importância a essa verdade. Eles são chefes, os donos, e olham as mulheres como uma pertença privada. As mulheres, por outro lado, ainda pedem licença para existir. A maioria das mulheres que são objecto de violência dos maridos acha que isso não é um crime. Acham normal, acham natural. Ser agredida faz parte do seu destino, da sua imutável natureza.
E conto-vos três episódios reais, que retirei da nossa imprensa apenas nas últimas semanas:
Em Cabo Delgado 17 homens violaram uma mulher que se atreveu a atravessar o acampamento onde se praticavam os rituais de iniciação. Da parte das autoridades locais houve uma inaceitável passividade. Foi necessária insistência da família e de ONGs para que houvesse uma insuficiente resposta.
Em Manica dois jovens violam sexualmente uma mulher no sétimo mês da gravidez.
Em Tete um homem mata a criança de dois meses e esfaqueia gravemente a mulher porque a meio do dia ele chegou a casa e a mulher recusou fazer sexo com ele. O jornalista da televisão que entrevista o confesso culpado sugere uma quase legitimidade do ato ao perguntar: "o senhor devia estava necessitado não é verdade?".
Reclamamos a violência da rua, mas é mais provável uma mulher ser agredida dentro de casa do que fora de casa. É mais provável uma criança ser agredida e violentada no espaço da sua família. Esta tendência não sucede apenas em Moçambique, mas no mundo. As estatísticas são reveladoras e assustadoras: cerca de 70 por cento dos actos de violência contra a mulher acontecem dentro da casa. Mais de 60 por cento dos assassinatos de mulheres são cometidos pelos seus companheiros ou ex-companheiros. Em todo o mundo, uma em cada três mulheres ou já foi ou irá ser agredida ou violentada. Não é pois Moçambique que é afectado de modo particular. O que sucede é que para nós essa violência é legitimada por razões que se dizem culturais. Nós ainda banalizamos muito facilmente. É ainda prevalecente a ideia de que a mulher é que é culpada, porque ela é quem provoca a violência. Ainda achamos que este assunto não tem a ver connosco, que é para ser denunciado pelas ONGs. Isto é, desresponsabilizamo-nos. Mesmo sendo mulheres, achamos que este assunto tem a ver com os outros. Mesmo sendo homens, que têm mães, irmãs e filhas, achamos que isto não tem nada a ver connosco.  

OUTRA GUERRA - AS VIUVAS
Sugiro que leiam o livro de Fabrício Sabat, chamado As viúvas da minha terra, para ficarem com uma ideia do crime generalizado que é cometido contra mulheres que vivem um momento dramático da sua vida. E nesse exacto momento de fragilidade, são assaltadas pelos próprios parentes. Levam-lhes os bens, os filhos, o sossego.

CASO DAS VELHAS
Acusadas de feitiçaria, roubaram-nas durante a vida, fizeram sumir a sua infância e juventude e, no final, roubaram a possibilidade de uma velhice tranquila, usufruída com os netos e as lembranças. Está longínqua a imagem de África como um lugar especial porque os velhos são respeitados.

GUERRA CONTRA OS GAYS E AS LÉSBICAS
Moçambique nem é dos países menos tolerantes. Há países que consideram formal e legalmente um crime o simples facto de ser ter uma orientação sexual diferente. Mesmo assim, há entre nós, uma enorme intolerância.

CASO DOS DOENTES MENTAIS
Nós estamos tão ocupados com outras doenças que esquecemos que não é apenas o HIV SIDA que tem implicações do ponto de vista do estigma social. As doenças mentais são outro mal não visível. Não creio que existam estatísticas da prevalência de doenças mentais em Moçambique. Mas a média em África é de 14 por cento da população.

ALBINOS 
Vou contar-vos um episódio real. Conheci um pedreiro que chamarei apenas por Fabião, que certa vez executou uma obra para minha casa. Um dia, uma moça albina veio à minha porta pedir água. O pedreiro desceu do escadote onde trabalhava para me dar conselhos: "é melhor não dar, ou usar um copo que depois deita fora". Quando lhe perguntei porquê, ele respondeu: "aquela tjidajna é alguém que tem muitos problemas". E reproduziu os habituais mitos e preconceitos sobre os albinos. No final confessou: "ainda bem que na minha família nós não temos disso».
Passaram-se anos e a semana passada o mesmo Fabião ligou para mim a perguntar se era possível entrar sem convite na exposição "Filhos da Lua", na Fortaleza de Maputo. Ele ouviu na rádio que a exposição tinha por tema "os albinos" e estava muito interessado em levar a sua filha a esse evento. "É que a minha filha nasceu albina." Fabião não podia nunca imaginar ser pai de uma tjidjana. Mas foi. E ele agora, por amor a essa menina, queria enfrentar junto com ela os preconceitos que ele mesmo guardava dentro de si. Chamei Fabião e ofereci-lhe que levasse para a sua filha dois discos. Um de Salif Keita, outro do nosso Aly Fake. E disse "esses são os melhores copos de água. Refrescam a alma".
Muitas vezes pensamos que essas diferenças vivem fora de nós. A diferença está dentro de nós. Um em cada 35 moçambicanos é portador do gene do albinismo. Um em cada 35 pessoas é portador dessa gente. Nenhum de nós sabe à partida se poderá ser pai ou mãe de uma criança albina.

GUERRA COM OS MORTOS
Até aqui falei de conflitos com mulheres, crianças, velhos. Mas todos esses segmentos sociais são compostos por gente viva. O mais triste é que a nossa sociedade entrou em guerra com os seus próprios mortos. Este é o sintoma mais grave da nossa patologia social: passamos a maltratar até os nossos mortos. O que acontece nos nossos cemitérios é um atentado contra os mais básicos princípios morais. As famílias enterram os seus entes queridos e são obrigadas a retirar o mais ínfimo valor que acompanhe o falecido. Sabem que no dia seguinte, o caixão foi assaltado, o morto foi despido. As próprias jarras de flores são quebradas antes de serem colocadas para prevenir que sejam roubadas e vendidas. Não contentes em assaltarem os vivos, há gangs que se especializaram em roubar os mortos. Nem depois do último suspiro estaremos a salvo dos ladrões.

Meus amigos

Eu disse que estávamos em guerra connosco mesmos. Esta guerra doméstica compõe-se de duas violências. A violência daqueles que agridem. E a violência dos que se calam. Marthin Luther King disse O que me entristece não é apenas o clamor dos homens maus. É o silêncio dos homens bons.
A lista das nossas guerras domésticas estende-se por mais domínios. Os exemplos que escolhi ilustram o facto de que não somos a sociedade pacificada que pretendíamos ser. Há um percurso enorme a percorrer e esse caminho é sobretudo uma viagem interior. Essa viagem só acontecerá se vocês souberem ver, souberem não aceitar. Tudo o que aqui disse pode ser resumido em dois textos pequenos de autores alemães. Peço-vos que escutem. O primeiro é uma parábola e diz o seguinte:
"Um dia, vieram e levaram o meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram o meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram o meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e levaram-me mim. Nessa altura, já não havia mais ninguém para reclamar."
O segundo texto é um apelo na forma de verso, escrito pelo dramaturgo Bertolt Brecht:

"Nós pedimos-vos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural.
Diante das barbaridades de cada dia,
Numa época em que corre sangue
Num tempo em que a arbitrariedade tem força de lei,
Num momento em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural
Se aceitamos as coisas como naturais
este nosso mundo torna-se imutável

Caros amigos

O nosso tempo também está em guerra contra os jovens. À nossa frente, e não falo apenas de Moçambique, se anunciam tempos difíceis. À nossa frente está um futuro magro em que parece que apenas alguns podem caber. O que nos sugerem é que briguemos uns com outros para ver quem cabe nessa estreita porta. Mas talvez seja possível criar um outro futuro mais amplo.

Vão ser assediados. Por forças políticas que estão mais preocupadas com o Poder do que com a resolução efectiva dos problemas. Por forças que se lembram dos jovens quando se trata de colher votos. Por forças que falam aos jovens, não falam com os jovens.
Vocês são jovens. Ser jovens é uma condição inerente, que se exerce sem esforço. Mais do que jovens, sejam diferentes. Tragam para o nosso tempo o inesperado, o que é novo, o que é historicamente produtivo.
Uma nova classe está povoando o poder político em Moçambique. São os papagaios. Reproduzem o discurso dos chefes. A maior parte deles são jovens. Mas são jovens de alma envelhecida. Os papagaios podem pensar que o seu futuro está assegurado porque olham o país como se fosse um aviário. Mas o nosso futuro como nação não se constrói senão com ousadia, com vitalidade e um infinito respeito pelos outros.
Ficamos muitas vezes à espera, ficamos à espera que o governo faça. Temos medo de tomar iniciativa. Achamos arriscado. Não agimos porque dizemos que faltam recursos, falta orçamento, falta autorização do chefe. Mas existem lições que parecendo pequenas podem tocar alguém para toda a vida.
O professor primário que leu uma redacção sobre as mãos calejadas de sua mãe não imaginava que estaria marcando para sempre um aluno seu. O poeta William Henley não poderia imaginar que versos seus poderiam sustentar, cem anos mais tarde, a vontade de lutar de um africano que iria mudar o destino de milhões de pessoas.
Fazemos o que fazemos não porque sejam grandiosas iniciativas mas porque necessitamos mudar as coisas e melhorar o mundo. Fazemos o que fazemos porque, como diz o poema, nós queremos ser donos do nosso destino e capitães da nossa alma colectiva