quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Aumento do ano letivo requer debate social


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As recentes declarações do ministro da Educação, Fernando Haddad, sobre o possível aumento nos dias e/ou horas do calendário escolar da educação básica, do ponto de vista da CNTE, requerem um amplo debate com os atores educacionais (gestores, trabalhadores, estudantes, pais, acadêmicos e representantes sociais) e com o parlamento, a fim de verificar as condições pertinentes à elevação do aprendizado, objetivo primordial da proposta.
De antemão, reiteramos que a CNTE é a favor da escola integral, bem como da jornada integral dos/as educadores/as (professores/as e funcionários/as) numa só escola e em tempo e condições (profissionais e laborais) compatíveis para o bom aprendizado dos alunos.
Contudo, ao contrário do que tem sido veiculado na mídia, a CNTE não foi convidada, até o momento, pelo MEC, para debater a expansão do calendário escolar. A Confederação tomou conhecimento do assunto pela imprensa, que divulgou pesquisa encomendada pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com o Todos Pela Educação, cujo conteúdo teria motivado o MEC a abrir a discussão sobre a ampliação do ano letivo.
Sobre a referida pesquisa, a CNTE considera o seguinte:
  1. Pauta-se na lógica da fragmentação dos conteúdos e das políticas pedagógicas, contrapondo a recente orientação do MEC de conceber a política educacional numa lógica sistêmica. Ou seja: imprudentemente, propõe a alteração do ano letivo sem agregar a discussão sobre tempos e espaços escolares, currículo, inovações tecnológicas, financiamento público, formação, salário e jornada de trabalho dos educadores. O principal argumento é o baixo custo em comparação com outras variáveis e insumos pedagógicos.
  2. Há determinismos nas relações de tempo na escola com a proficiência dos estudantes que não possuem nenhuma base teórica, como destacou o próprio coordenador do estudo (as análises baseiam-se em eventos isolados). Um exemplo refere-se à pretensa situação em que dez dias a mais de aula no ano, mantidas as estruturas das escolas, aumentam em 44% o aprendizado dos estudantes e em sete pontos a nota no SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica).
  3. Também na linha da ausência de cientificidade e base social, o isolamento da variável “dias letivos” - técnica adotada pela pesquisa - não explica como a Finlândia, com 190 dias de aulas no ano, consegue manter-se à frente de vários outros países com calendário mais amplos - inclusive os demais da OCDE, que a mais de década não conseguem melhorar a qualidade da educação básica. Outra fonte questionável de comparação é o Chile, que, à luz da revolta estudantil espalhada pelo país, alcançou melhores resultados de desempenho através do elitismo educacional, ou seja, restringindo o acesso e dificultando a permanência das classes populares na escola.
  4. O simplismo teórico aliado à indicação de menor custo financeiro enfraquece o debate sobre a importância de uma maior presença dos estudantes na escola. Além do que a pesquisa considera, erroneamente, apenas o tempo de exposição dos alunos ao conteúdo ministrado pelo/a professor/a - desconsiderando as interfaces com o ambiente e a comunidade escolar.
  5. Sobre a questão profissional, o conceito de “bom” e “mal” professor/a, enfatizado no estudo, inclusive por resultados na proficiência dos estudantes, não é explicado sob nenhum aspecto científico. Além de não manter relação com as condições de trabalho e de valorização da carreira, essa visão (re)alimenta a crença de que a solução-chave do aprendizado estudantil reside exclusivamente na figura do/a professor/a, que sabemos ser importante. Contudo, a Conae 2010 apontou elementos estruturais intrínsecos à qualidade, como a instituição do Sistema Nacional de Educação e a implantação do Custo Aluno Qualidade, que precisam ser considerados no debate governamental da equidade e da qualidade educacional.
Embora crítica à pesquisa orientadora do MEC sobre a ampliação do ano letivo, a CNTE considera o debate de extrema importância, razão pela qual se mantém aberta ao diálogo sobre a melhoria do aprendizado escolar, seja em fóruns sociais, de governo ou do parlamento. De igual forma, a CNTE espera que esse debate seja conduzido com responsabilidade e ampla participação social, e que mantenha relação com os outros temas pendentes e afetos à qualidade da educação, como o cumprimento integral e imediato do piso salarial do magistério, a efetiva implementação da política nacional de formação dos profissionais da educação e a instituição do CAQ, que requer, necessariamente, o investimento de 10% do PIB na educação.


fonte: CNTE

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Para o dia da Criança



 Colaboração Professora Daniela Carvalho ( minha amiga)

Cronograma para a semana da criança / 2011

PREFEITURA MUNICIPAL DE TROMBUDO CENTRAL
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO CULTURA E ESPORTE

Cronograma para a semana da criança / 2011

Parceiros: Pastor Christian(a confirmar) e ou Professor Ruy Sandrini/ Homero Hubes (música com violão) para entrega de brinquedos comprados pela Secretaria Municipal de Educação.
 Projeto Gota D’Água (Corn Products: Brinquedos infláveis na Associação de Moradores D. Manduca). Nos dia 03/04 e 05 de outubro.
Lanche:  Por conta de cada Centro de Educação Infantil.
Refrigerante: Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte.
Transporte: Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte. Saída do Cei 13h e 30 min para os que precisarem.


Sugestão: Levar tapete e propor outras brincadeiras: Pecinhas, animais, massinha, tapete de formas e cores,  cantinho do desenho e pintura, boca do palhaço, livros,  etc.



Cronograma para brinquedos infláveis e entrega de brinquedos adquiridos pela Secretaria Municipal de Educação
Centro de Educação Infantil
Período
Data
Arthur Kroenke
Matutino / vespertino
Entrega dos brinquedos da SME
03/10
Cinderela
Matutino/ vespertino
Entrega dos brinquedos da SME
03/10
Gente miúda
vespertino
03/10 – No CEI Entrega de brinquedos.
Charlotte I Schindler
Vespertino
Entrega dos brinquedos da SME
05/10
Johanne Schutte
Vespertino
Entrega dos brinquedos da SME
04/10
Menino Jesus
Vespertino
Entrega dos brinquedos da SME
04/10
Pinguinho de Gente
Cantinho do Amor
Vespertino
Entrega dos brinquedos da SME
05/10

Obs – De acordo com a Nutricionista, o lanche diferenciado está liberado desde que não tenha fritura.

“O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis." José de Alencar.
Com toda certeza teremos uma excelente semana.
Para lembrar: 10/10 formação no período vespertino – Ciências sociais e Naturais.
Estou a disposição para qualquer esclarecimento
Abraços Glaucia

Formação de Gestores

O grupo de Gestores de Educação de Trombudo Central está realizando nos anos de 2010 e 2011 uma proposta de formação continuada na perspectiva democrática. Os encontros são mensais, as temáticas pertinentes as múltiplas  dimensões de gestão e a legislação educacional. Neste dia 22.09.11 esteve em pauta, os Conselhos Nacional Estadual e Municipal de Educação, bem como a organização de um evento com as comunidades escolares para socialização da legislação Educacional vigente. Desta forma será possível transcender os conceitos de teoria  e aplicá-los na prática.
Em Trombudo Central Caracterizamos a Gestão nas palavras de Saviani:

 Gestão significa tomada de decisões, organização, direção. Relaciona-se com a atividade de impulsionar uma organização a atingir seus objetivos, cumprir suas responsabilidades. Gestão da educação significa ser responsável por garantir a qualidade de uma “mediação no seio da prática social global” (Saviani, 1980, p. 120)




A Secretaria Municipal de Educação parabeniza a participação na formação e principalmente o trabalho diário e incansável de cada gestora que tem contribuindo significativamente para que os objetivos traçados em conjunto sejam atingidos, em prol de uma educação de qualidade onde o foco tem sido constantemente a construção de conhecimento e  conceitos das  crianças e alu



nos.

Em Trombudo Central


 No último sábado  dia 24.09.2011, participaram a grande maioria dos pais que compõe a  comunidade escolar do CEI Menino Jesus em Trombudo Central de um  evento, onde   puderam brincar com seus filhos,observar os trabalhos realizados pelas crianças, refletir sobre temas de educação e saborear um delicioso café oferecido pelos pais. Esta ação tinha como objetivo integrar família e escola e resgatar brincadeiras da infância, para que houvesse as trocas e interações entre as várias gerações. As atividades obtiveram sucesso na sua realização e conseguiu superar aos objetivos propostos.
A educação perpassa tanto o ambiente escolar quanto o familiar. A interação entre ambos é muito importante para o sucesso do processo ensino-aprendizagem. Este CEI deu mostras de que ações desta natureza são possíveis  e proveitosas, sendo necessário organização e empenho por parte de todos os envolvidos no processo.
2° SEMES 245
A Secretaria Municipal de Educação de Trombudo Central parabeniza as Professoras do CEI Menino Jesus e também a toda a comunidade escolar pelo entrosamento e por mais esta ação realizada, com a certeza de que os grandes beneficiados foram  as crianças.

domingo, 25 de setembro de 2011

MP requer à Justiça que Estado pague o piso nacional do magistério



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O Ministério Público Estadual (MP) entrou com uma ação civil pública na Justiça para que o governo do Rio Grande do Sul pague o piso nacional do magistério. A ação foi ajuizada nesta manhã na Vara da Fazenda Pública em Porto Alegre.
Com isso, os dois mil processos de professores que tramitam no sistema judiciário devem ser substituídos por uma ação coletiva. Sem a ação, esse número poderia chegar a 200 mil, conforme o MP. O Estado fica obrigado a pagar R$ 1.187 aos educadores.
O subprocurador-geral de Justiça para assuntos institucionais do Ministério Público Estadual, Marcelo Dornelles, afirmou que esta não é uma ação contra alguém, mas sim a favor de todos: “É a favor dos professores porque eles têm interesse na remuneração e da sociedade porque queremos que o salário do professor implique na qualidade da educação. Também beneficia o judiciário porque evitaremos que milhares de ações pela mesma causa emperre o poder judiciário e isso também representa uma economia em valor de processo para o Estado”.
A expectativa é de que entre hoje e amanhã saia a decisão judicial de suspender ou não as ações. Após o resultado é que o MP poderá dar sequência no projeto.
“O Estado vai ser citado para apresentar suas razões pelas quais não está cumprindo, o que mais ou menos sabemos que são motivos financeiros”, afirmou Dornelles. (Zero Hora)

Maior tempo do aluno na escola tem que ter projeto pedagógico, diz CNTE



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Para o presidente da CNTE, Roberto Leão, a proposta anunciada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, de ampliar o tempo de permanência da criança na escola precisava ser acompanhada de um projeto pedagógico sólido. Na avaliação dele, o mais adequado seria ampliar a jornada diária em vez de aumentar o número de dias letivos.
"Nós somos a favor da escola em tempo integral. Mas é preciso que você aumente esse tempo e a criança tenha efetivamente o que fazer na escola. Já tivemos experiências que não foram exitosas porque se ampliou o tempo sem uma proposta pedagógica de escola integral", defendeu.
Caso a proposta seja por esticar o calendário, Leão disse que será necessário levar em conta alguns aspectos da vida prática do professor como o período de férias.
"Em um primeiro momento, acho que o passo importante é a ampliação da jornada. Temos que saber [com o Ministério da Educação] como serão trabalhadas questões importantes para a nossa vida como o período de férias. No nosso entendimento, o período de férias pode ser de acordo com o calendário escolar, mas tem que ser contínuo e no mínimo de 30 dias". (Correio Braziliense)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Manualidades 3






4º FNEx

Apresentação completa de Marta Vanelli, secretária-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - CNTE

Marta Vanelli

Palestra sobre Piso Nacional foi o mais concorrido do segundo dia de FNEx


Autor: Undime
Data: 1/9/2011



Na conferência sobre Piso Nacional dos Professores o debate esquentou. Vários dirigentes manifestaram dúvidas quanto à legalidade da lei e quanto ao não cumprimento do pagamento do piso.
O Diretor de Valorização dos Profissionais da Educação da Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino, Antonio Lambertucci, coordenou a mesa de debate. Participaram da discussão: o secretário de educação da Bahia, Osvaldo Barreto; secretária-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e o ex-presidente da Undime, Carlos Eduardo Sanches.
Sanches reforçou que  a instituição nunca foi contra o piso salarial e um terço por hora atividade. E fez uma retrospectiva do Plano Salarial. Lembrou que governadores dos estados do Rio Gande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará impetraram uma Ação de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal pedido a anulação da lei 11.738. 08 que estipula a obrigatoriedade do pagamento de um piso salarial para o professor. Mas em abril deste ano, o Supremo decidiu que a lei é constitucional e que o valor do piso é o valor inicial da carreira de professor. As gratificações não são incorporadas ao piso. Ou seja, piso é salário, sem nenhum tipo de gratificação.
Entretanto, um novo projeto de lei surgiu no Congresso Nacional. Desta vez para estipular como será a atualização anual do piso. Na Câmara dos Deputados, os parlamentares estipularam que será corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Mas quando o texto chegou ao Senado Federal, sofreu novas modificações. Os senadores vincularam ao valor gasto com aluno por ano do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb), desde que o percentual não seja inferior ao INPC.
Agora o projeto de lei voltou para a Câmara, em regime de urgência. Pode ser votado ainda este ano. Se aprovado, dependerá apenas de sanção da presidenta Dilma Rousseff para entrar em vigor. Depois que for aprovado, o Ministério da Educação terá o dever de publicar anualmente o novo valor do piso salarial.

O problema não é a escola

Globo, 23/09/2011 - Rio de Janeiro RJ

VERA RUDGE WERNECK
O que mais interessa para o aperfeiçoamento da educação? Simples medidas quantitativas ou a avaliação do significado desses procedimentos? A educação como ação que visa a transformar o educando e a sociedade inicia-se pela definição de seus objetivos: o aprimoramento integral do homem, do seu físico, da sua racionalidade pela instrução, da sua liberdade psicológica, da sua sensibilidade e da sua responsabilidade social. Medir não é o mesmo que avaliar. Embora as medidas possam servir de base para avaliações, não constituem o único referencial, nem o mais válido. A avaliação supõe um referencial pautado pelos valores e não por índices tecnicistas. Instrumentos de medida variam com os critérios escolhidos. Em si mesmos nada significam. Assim como altera-se completamente a avaliação de um país conforme o referencial utilizado, também o valor das escolas muda de acordo com o critério de julgamento adotado. 

Pode-se tomar como referência o êxito obtido em integração social, em desenvolvimento humano, em consciência de cidadania, em competências e habilidades práticas. O resultado do Enem pouco serve como ferramenta para avaliação, especialmente se não se considerar a proporcionalidade. O Inep separou este ano os estabelecimentos por grupos conforme o percentual de alunos que fizeram as provas, oferecendo assim outro parâmetro de aferição: o grupo I reúne estabelecimentos em que 75% ou mais dos estudantes fizeram as provas; no II estão os que tenham participação de 74,99% a 50%; no III, de 49,99% a 25%; e no IV de 25% a 2% de participação dos alunos nas provas. As escolas com índice de participação menor que 2% ficaram sem nota, assim como aquelas com menos de dez alunos participantes do exame. 

Diante dessa classificação estipulada pelo Inep, o MEC recomenda que se analise o desempenho de cada instituição não só pela pontuação, mas principalmente levando em conta o grau de participação no exame de cada uma, diminuindo assim a disparidade entre elas. O critério apontado pelo instituto, além de melhor expressar a realidade da classificação feita de modo global, visa a minimizar distorções. Não se nega a importância das medidas, quer-se apenas registrar a sua relatividade. Os colégios não valem ou deixam de valer só por conta desses resultados. Eles valem pelo muito que promovem o crescimento, a reflexão, o aprimoramento pessoal. A avaliação que se tem feito da escola pública, por exemplo, é injusta e revoltante. Não se pode menosprezar um esforço e uma labuta tão difícil de um modo tão simplista. Nada menos científico do que uma avaliação fundamentada em apenas um instrumento de medida. 

A escola pública tem tido no Brasil um papel primordial fomentando, muitas vezes, praticamente sozinha, com pouco apoio das famílias e das autoridades e parcos recursos, materiais, a integração humana e social de crianças e adolescentes e a sua inserção no país como cidadãos produtivos e conscientes. O Enem atualmente funciona como um instrumento similar do antigo vestibular, determinando o currículo do Ensino Médio. Desse modo, está-se constituindo em um obstáculo para o aprimoramento desse nível de ensino, já que impede, de certo modo, o conhecimento livre, aprofundado e crítico para promover apenas o treinamento para um modelo único de prova. O problema talvez não esteja na escola pública, mas na utilização de um instrumento único, de validade discutível, para avaliá-la.

De corrupção e faxina




“A política não é a arte do que é possível fazer, mas sim de tornar possível o que é necessário fazer”. (Augusto Boal, dramaturgo brasileiro)

Nem a faxina e nem a corrupção são invenções femininas. A corrupção é um evento de natureza essencialmente humana, que decorre como fruto das oportunidades, elaboradas ou fortuitas, do caráter dos oportunistas ou dos interesses escusos ou mal intencionados. Jamais acabaremos com a tão disseminada “praga” da corrupção que corrompe os espaços da esfera pública e privada. O que podemos fazer é “torná-la cada vez mais difícil de ser praticada”, como pensa a nossa presidenta da República Dilma Rousseff.
Quem cunhou o termo “faxina” para denominar os esforços que governo, parlamentares e organizações da sociedade estão empenhando pelo controle da corrupção o fez sem considerar o significado do próprio conceito e sem pensar nas conseqüências nele implicadas. A verdadeira faxina é praticada todos os dias, nas nossas ruas e casas, por milhares de mulheres e homens no Brasil que, de forma digna, fazem deste ofício o sustento e alento de suas vidas. Estes, sim, “faxinam” os nossos lixos e restos.
É difícil falar de faxina sem recorrermos a uma casa. Ocorre que existem implícitas em toda faxina diferentes modos de conceber a arrumação como a limpeza de uma casa. Há quem prefira casas esterilizadas, semelhantes a um centro cirúrgico ou cenário de novela. Há outros, no entanto, que preferem casas que promovam a vida e a festa, muito antes da arrumação. Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “A casa arrumada” afirma que “casa com vida é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa em festa”. Faxinar pressupõe, por isso mesmo, “limpar o ambiente” com a certeza de que o mesmo logo mais estará sujo. E não é isto que se deve fazer para combater a corrupção.
O fato é que, no nosso jeito brasileiro, em cada momento histórico, vamos fabricando expressões lingüísticas para deixar tudo como está ou para zombar de quem está fazendo alguma coisa. Sempre arrumamos formas de não assumir nossa responsabilidade individual diante dos problemas enfrentados por todos. Fica muito mais fácil e cômodo ignorarmos a “corrupção nossa de cada dia”, aquela que enxergamos e da qual temos conhecimento, focando como se a mesma se concentrasse na Capital Federal, Brasília. É sempre menos comprometedor faxinar do que combater.
 No Brasil, não vivemos a cultura da radicalidade. Pela radicalidade, buscaríamos as soluções para nossos problemas a partir da raiz de sua existência.  Radicalidade é a nossa predisposição para a mudança efetiva e comprometida das realidades. Mas será que temos alguma predisposição para mudar o curso das coisas que movem a nossa vida social? A quem interessa combater a corrupção?
A corrupção gera-se em contextos circunstanciais, quando há oportunidades reais para que alguém, a partir de sua posição ou poder, apodere-se injustamente de algo que não lhe pertence. Não há como deter controle absoluto sobre as condutas pessoais e nem sobre a corrupção, mas há muito para fazer para resgatarmos valores como a ética, a justiça, a responsabilidade social, o zelo e a consideração pelas coisas públicas, a dignidade humana, o valor da política. Estes, sim, podem constituir uma nação mais cidadã e mais livre. São o verdadeiro antídoto para combater a corrupção.
Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.

Manualidades 2













Fonte: Manualidades - Prô Dani!