sábado, 30 de julho de 2011

MATANDO UM LEÃO POR DIA


Pierre Schurmann
Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.
Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoria das pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida.
Depois de um almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios. Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele:
-"Pois é. Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia".
Sua resposta, rápida e afiada, foi:
-"Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele".
Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse:
- "Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você".
Segue, mais ou menos, o que consegui lembrar da conversa:
"Existe um ditado popular antigo que diz que temos de "matar um leão por dia". E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão.
A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase.
Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?
Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado! A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente. Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar alguém, que hoje é nosso diretor-geral.
Este "fracasso" me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão? Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão”.
Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história? Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse:
- "É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci de dar um leão para cada, que era o mais importante. Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser. Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão, em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele.”
Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades para crescer, ser mais forte, e "me virar" nesta selva em que vivemos.
             A capacidade de luta que há em você,
            precisa de adversidades para revelar-se.
(Pierre Schurmann)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Parecer Jurídico

Parecer jurídico da CNTE sobre julgamento da ADI 4167PDFImprimirE-mail
A CNTE disponibiliza o parecer jurídico da assessoria da Entidade sobre a aplicação da Lei 11.738, após o julgamento de mérito da ADIn 4.167, que trata do piso salarial profissional nacional do magistério público da educação básica.
O presente parecer é mais uma contribuição à mobilização do Sindicato pela implantação imediata e integral da Lei do Piso.

Cumprimento da Lei do PISO

Programa 205: CNTE disponibiliza publicações sobre cumprimento da Lei do PisoPDFImprimirE-mail
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Programa 205:
CNTE disponibiliza publicações sobre cumprimento da Lei do Piso
Data: 15/07/2011
Clique aqui para baixar o arquivo de áudio.

10 dúvidas sobre o relacionamento entre coordenador pedagógico e professor

Quando o coordenador pedagógico assume o posto, logo percebe que é difícil lidar com as pessoas, respeitar as diferentes opiniões e sugerir mudanças sem ser autoritário. Pedimos aos internautas que enviassem suas questões sobre a parceria de coordenadores e, para ajudar a resolvê-las, ouvimos consultores especialistas no assunto

Verônica Fraidenraich (veronica.fraidenraich@abril.com.br)







1 Como posso legitimar meu papel de formador junto aos professores? Afinal, até há pouco tempo, eu estava em sala de aula como eles.




Durante anos, você cuidou somente da sua sala de aula, tentando resolver os problemas de aprendizagem da turma e procurando a melhor maneira de ensinar. Mas aí surgiram um concurso, uma seleção interna da Secretaria de Educação para o cargo de coordenador pedagógico ou você foi convidado para liderar a equipe docente. Você, claro, aceitou o convite ou se inscreveu no processo de seleção.


Em uma posição hierarquicamente superior, logo percebe como é complicado lidar com a equipe, aprender a ouvir para compreender os problemas, respeitar os pontos de vista diferentes nas reuniões, usar as diversas opiniões para chegar a um consenso, mediar conflitos sem ferir suscetibilidades, liderar sem ser arrogante e sugerir mudanças sem ser autoritário.


A pesquisa O Coordenador Pedagógico e A Formação de Professores: Intenções, Tensões e Contradições mostra que dúvidas sobre como lidar com a equipe são comuns e 20% dos entrevistados apontam questões de gestão como um dos principais problemas enfrentados no dia a dia.


No entanto, são os seus conhecimentos didáticos que vão fazer com que a equipe o aceite como o parceiro mais experiente, do qual vai receber orientações e no qual pode confiar. Para isso, é urgente ir atrás desses saberes e se preparar para o cargo. É possível requisitar formação específica junto à Secretaria de Educação e procurar leituras que ampliem o seu universo nas didáticas de todas as áreas do conhecimento.

PRÓXIMA >
1Como posso legitimar meu papel de formador junto aos professores?

2Como fazer para receber bem o professor novato e integrá-lo ao grupo?

3De que maneira posso ajudar o professor que tem dificuldade em comunicar um conteúdo?

4Como lidar com a resistência de alguns professores às mudanças propostas?

5Um professor vive encaminhando os alunos indisciplinados para mim. O que fazer?

6Como integrar um professor que não tem um bom relacionamento com os colegas?

7Como evitar a alta rotatividade dos professores?

8O que fazer com docentes que faltam muito?

9Como acompanhar o trabalho em sala de aula sem parecer um fiscal?

10O que fazer com docentes que só reclamam do trabalho?







Novidades Nova escola


Conheça as novidades do site de NOVA ESCOLA

Site está maior, melhor e mais simples de usar. Conheça as novidades

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Desde 28 de julho, está no ar a nova versão do site novaescola.org.br. Visual renovado, conteúdo mais organizado e simples de encontrar, mais interação, atualização constante e uma grande novidade: os roteiros didáticos, guias completos sobre o ensino de temas específicos. Internautas e leitores de NOVA ESCOLA deram uma enorme contribuição a essa mudança. Além das sugestões via site e redes sociais, convidamos um grupo de professores a sentar na frente do computador, explorar o site e sugerir melhorias. Confira e aguarde: vem muito mais por aí!

A seguir, você confere as principais novidades de nossa página inicial e dos roteiros didáticos:











Tutorial site Nova Escola
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Inscrições abertas para o 5º Prêmio

Professores do Brasil

Estão abertas, até o dia 15 de setembro, as inscrições para a quinta edição do Prêmio Professores do Brasil. O concurso premia as melhores experiências pedagógicas desenvolvidas por professores de escolas públicas do país, em todas as etapas da educação básica, que tenham comprovado êxito no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem no ambiente escolar.


A iniciativa do Ministério da Educação (MEC) busca reconhecer e valorizar os educadores brasileiros e conta com a parceria da Fundação SM, da Intel, do Instituto Votorantim, da Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares), do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Serão premiados até 40 professores de todas as etapas da educação básica: educação infantil, ensino fundamental 1 (do 1º ao 5º ano), ensino fundamental 2 (do 6º ao 9º ano) e ensino médio.

Mais informações
26.07.2011
Source : UNESCO Office in Brasilia UNESCO Office in Brasilia

Inscrições abertas para o 5º Prêmio

Professores do Brasil

Estão abertas, até o dia 15 de setembro, as inscrições para a quinta edição do Prêmio Professores do Brasil. O concurso premia as melhores experiências pedagógicas desenvolvidas por professores de escolas públicas do país, em todas as etapas da educação básica, que tenham comprovado êxito no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem no ambiente escolar.


A iniciativa do Ministério da Educação (MEC) busca reconhecer e valorizar os educadores brasileiros e conta com a parceria da Fundação SM, da Intel, do Instituto Votorantim, da Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares), do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Serão premiados até 40 professores de todas as etapas da educação básica: educação infantil, ensino fundamental 1 (do 1º ao 5º ano), ensino fundamental 2 (do 6º ao 9º ano) e ensino médio.

Mais informações
26.07.2011
Source : UNESCO Office in Brasilia UNESCO Office in Brasilia

quarta-feira, 27 de julho de 2011

EDUCAÇÃO NA MÍDIA


 
27 de julho de 2011

OPINIÃO: EDUCAÇÃO NO BRASIL - TRAGÉDIA OU DESAFIO?

''Há projetos e discursos, mas pouca praticidade.O país não leva a Educação a sério, considerando ser política de segundo plano, embora nas campanhas eleitorais seja alardeada como prioridade'', diz artigo

Fonte: A Gazeta (AC)


A Educação para o bem-estar de uma nação é a chave de ouro. No Brasil, embora a política educacional tenha mudado nas últimas décadas, ainda está longe de ser satisfatória. Há planos, projetos e discursos, mas pouca praticidade. O país não leva a Educação a sério, considerando ser política de segundo plano, embora nas campanhas eleitorais seja alardeada como prioridade.

É um país que paga mal os professores, oferece ensino de má qualidade (Segundo o MEC, 91% dos estudantes terminam o ensino fundamental sem saberem ler, compreender e interpretar um texto básico. Isto é triste), não cumpre metas e, com isso, fica estagnado, com elevado índice de violência e desemprego.

O Brasil se atrasou, historicamente, em relação a outros países que haviam feito seu dever de casa há muito tempo - como os EUA - ou se dedicaram intensamente à Educação nas últimas décadas - com destaque para alguns países asiáticos. Estudos apontam que no começo da década o número médio de Escolaridade da população economicamente ativa dos países de língua inglesa, por exemplo, com destaque para os EUA, era o dobro em relação ao Brasil.

Há, no mundo, outros exemplos de países que venceram o atraso, a derrocada, com a implantação segura de eficiente política educacional.

Um exemplo é a China, antes considerada uma das nações mais atrasadas do mundo, com imensa população e o ensino de baixa qualidade, o país sofria um caos.

Hoje, entre os 65 participantes do Pisa (exame interna-cional de avaliação de alunos de 15 anos de idade), a China alcançou o primeiro lugar com 556 pontos, nos testes de conhecimentos em leitura, matemática e ciências. Isso não é milagre, mas o esforço consciente de um país que deseja avançar no mundo, em termos de desenvolvimento e qualidade de vida.

O Brasil, nessa mesma pesquisa, aparece em 53º lugar entre os 65 participantes, atrás de países como Chile, Colômbia e Trinidad e Tobago. Isso representa, no cenário nacional, para os governantes, uma tragédia ou um desafio? Sabe-se que crescendo devagar, sem política sólida no campo educacional, será difícil chegar perto das nações mais desenvolvidas. É urgente priorizar a Educação.

Então, o Brasil precisa avançar. E o avanço depende, também, do aumento dos recursos para a área e da boa gestão dessas verbas. Até 2014, uma meta possível é a ampliação do investimento para 7% do Produto Interno Bruto (PIB).

O Brasil investe na Educação básica cerca de US$ 1.500 por aluno/ano. Países vizinhos como Chile e México, investem US$ 2 mil; já a Comunidade Europeia, US$ 6 mil. A gestão da Educação, que vai do secretário de Estado aos profissio-nais das instituições de ensino, precisa ser aprimorada.

Recentemente, pesquisa realizada pela Consultoria Mc Kinsey & Company, que assessora empresas e governos, concluiu que todos os países, ricos ou pobres, localizados em qualquer canto do mundo, podem conquistar uma Educação de excelência. Para tanto, eficientes políticas devem ser adotadas, em prol do crescimento e desenvolvimento nacional.

A história do Brasil tem sido demarcada pela injustiça social e pela concentração de renda, fatores que distanciam a maioria da população do acesso à Educação básica e superior e, portanto, levam à desvantagem na busca do emprego e de condições melhores de vida, elementos básicos para o exercício da cidadania.

Agora, é preciso dizer se o país deseja continuar patinando com o baixíssimo nível educacional ou se decide a ingressar de vez na economia do conhecimento que se desenha há séculos e da qual optou ficar fora.

Para se tornar uma sociedade avançada é fundamental garantir recursos orçamentários e financeiros crescentes para a Educação, bem como manter e ampliar as políticas de uni-versalização da Educação básica, com programas como o Piso Salarial Nacional digno para os profissionais da esfera pública que nela trabalham. Inconcebível um país pagar mal a seusprofessores.

De igual modo é preciso incentivar e consolidar o ensino profissional, aumentando significativamente a oferta de técnicos e tecnólogos, assim como manter e ampliar as políticas de incentivo às universidades públicas, centros de pesquisa e de produção de conhecimento. Para isso, é imperativo expandir as redes dessas instituições, garantindo-se a democratização do acesso, a melhoria das condições de permanência dos estudantes e a assistência estudantil.

Nesse contexto, é essencial valorizar os professores e técnico-administrativos que trabalham na Educação, devidamente qualificados e, no caso de instituições públicas, contratados por concurso público.

No Brasil, as soluções caseiras ou de pouca densidade não irão modificar o melancólico quadro educacional. Convém à nação brasileira se espelhar nas soluções encontradas pelos países que se encontram à frente. Seguramente os exemplos darão novo direcio-namento àEducação, com políticas capazes de elevar o nível educacional da população. Crescer é preciso. Educar, uma prioridade.

Assim, espera-se que o novo Plano Nacional de Educação 2011-2020, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), em dezembro passado, agora em avaliação no Congresso, possa ser mais efetivo do que o anterior, que teve apenas um terço de suas metas cumpridas, promovendo, assim, uma aceleração no enfren-tamento dos atuais desafios.

Por fim, entende-se ser imprescindível que os recursos para a Educação não sejam submetidos a restrições, cortes ou contingen-ciamentos, ao sabor da conjuntura e de eventuais desequilíbrios tributários decorrentes da apropriação crescente da renda nacional por interesses particulares.

É, portanto, dever do Governo e do Congresso Nacional garantir os recursos necessá-rios à Educação. Conclama-se, por meio desse artigo, toda a sociedade a se engajar nesta luta importante para o país. Educação É PRIORIDADE Nº 1.

Acompanhante de aluno do ensino infantil poderá ter passe livre

26/07/2011 16:05


Leonardo Prado
Roberto Lucena
Lucena: muitas famílias não contam com escolas próximas de casa.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 608/11, do deputado Roberto de Lucena (PV-SP), que concede passe livre em transporte público ao acompanhante de criança matriculada no ensino infantil. O benefício vale para percurso local ou interurbano. A proposta é semelhante ao PL 2943/04, da ex-deputada Maninha, que foi arquivado em 2008.
Lucena ressalta que muitas famílias não contam com escolas de educação infantil próximas de casa, obrigando os pais a utilizar o transporte público para levar e buscar os filhos nas unidades de ensino. “Isso traz uma despesa adicional no orçamento familiar, que muitas vezes prejudica a frequência desses alunos nas escolas”, destaca.
Pela proposta, os governos municipais e estaduais terão 30 dias para definir os critérios para a implementação do benefício.
Tramitação 
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Marcelo Oliveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara de Notícias'

Alunos preparados para o século 21

Gazeta do Povo, 27/07/2011 - Curitiba PR

Aprender conteúdos de Matemática, Português ou Biologia não é suficiente para encarar os desafios do mundo ao redor da sala de aula. Saiba quais são as habilidades necessárias para o estudante do século 21 e como algumas escolas têm desenvolvido essas competências
Marcela Campos
Nem tudo continua igual na escola de ontem e de hoje: nos últimos anos, por exemplo, a tabela periódica ficou maior, com o reconhecimento de novos elementos químicos. Da mesma forma, o currículo de Português foi atualizado depois que a língua ganhou outras regras de ortografia. A necessidade de mu­­danças, no entanto, não se limita aos conteúdos específicos das disciplinas. Se­­gundo estudiosos da educação, os estudantes do século 21 precisam desenvolver competências e habilidades que não eram tão importantes há 50 anos, mas que hoje são essenciais. “Essa noção de que a escola tem o dever de transmitir um conjunto organizado de informações e conhecimentos que vão durar para o resto da vida não se sustenta mais. O que os estudantes precisam em termos de educação é mais do que sentar e ouvir o professor discorrer sobre Matemática, Física ou Biologia. Hoje nós temos na ponta dos dedos qualquer informação que desejamos e há outras competências que os estudantes precisam absorver”, afirma Eduardo Chaves, que durante mais de 30 anos foi professor de Filosofia da Educação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atual­­mente trabalha como consultor do Instituto Ayrton Senna e da Microsoft.

Além do conhecimento formal de Matemática, Português e Bio­logia, os estudantes devem ter capacidade de: questionamento, comunicação oral e escrita, empreendedorismo, trabalho em equipe e controle emocional. Alguém poderia perguntar “o que há de novo em tudo isso? Essas habilidades também não eram desejadas para o século 20 ou para épocas ainda mais distantes?” Para Chaves, a resposta é “não”. “Ficamos com a impressão de que essas competências sempre foram necessárias, mas não é verdade. Num passado um pouco mais recente pode ser que sim, mas não com a centralidade que elas têm hoje”, afirma.

Empreendedorismo - Um bom exemplo é a importância do empreendedorismo, aqui entendido tanto como a capacidade de abrir o próprio negócio quanto de inovar, de “fazer diferente”. O estudante do século 21 precisa chegar ao mercado de trabalho consciente de que ter um diploma não é garantia de colocação com carteira assinada. “Cada vez mais as pessoas têm de encontrar um jeito de sobreviver sem contar com um emprego fixo, com registro em carteira, que garanta o seu sustento ao longo de 35 ou 40 anos. Mesmo que o indivíduo esteja empregado, muitas vezes ele precisa complementar a renda. As pessoas precisam se virar e muitas vezes criar negócios para suplementar a renda de um emprego ou da aposentadoria”, afirma. “Por causa dessas características o empreendedorismo se tornou importante”, explica Chaves. Segundo Pedro Demo, Ph.D. em Sociologia e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), estudos mostram que os trabalhadores nos Estados Unidos trocam dez vezes de emprego, em média, até a aposentadoria. Mesmo dentro da mesma empresa, a mudança é cada vez mais comum. “Na Finlândia, o trabalhador da Nokia fica só dois anos em uma ocupação e depois muda, para que volte a estudar. É preciso ter capacidade de se renovar constantemente”, ressalta. Segundo os pesquisadores, a disposição para questionar e se reinventar deve começar no processo educativo.

Trabalho em equipe - Com a globalização, as pessoas lidam com pessoas de culturas variadas e se confrontam com diferenças muito mais expressivas do que há 50 anos. Por isso, desde a escola, é necessário aprender a conviver de perto com opiniões diversas. “O estudante não deve ver as diferenças como desvantagem ou como inferioridade, mas como riqueza do mundo. É importante conviver, sobretudo diante da diversidade”, afirma Pedro Demo. Na convivência com o outro, também é importante ter inteligência emocional, ou seja, capacidade de se relacionar bem com as outras pessoas e controlar os próprios sentimentos para não explodir nos momentos mais difíceis. Segundo Emerson Barreto, gerente de atendimento pedagógico para o segmento de escolas particulares da Aymará Educação, é na sala de aula que o estudante aprenderá a trabalhar e conviver em equipe. Por outro lado, ele ressalta que a escola gasta muito tempo com o ensino de conteúdos conceituais e, por isso, muitas vezes não tem tempo para trabalhar outras competências.

Comunicação - Para trabalhar com outras pessoas, o estudante deve saber se expressar bem. É essencial que ele consiga argumentar e se expor publicamente. “Quantas vezes não precisamos fazer uma comunicação oral no nosso trabalho?”, questiona Emerson Barreto, da Aymará Educação. Em sua avaliação, porém, somente colocar os alunos para apresentar trabalhos diante da turma não é suficiente para desenvolver essa habilidade. Uma saída interessante, de acordo com ele, seria oferecer aulas específicas de oratória, a exemplo do que ocorre na high school, o ensino médio dos Estados Unidos, nos cursos de speech (“discurso”). Para Barreto, consumo consciente, educação financeira, preservação ambiental e administração do tempo também são temas importantes que deveriam ser trabalhados em sala. Com esse objetivo, ele afirma que a Aymará lançou neste ano o Programa Escola Inovadora, voltado para alunos da primeira etapa do ensino fundamental de colégios particulares. O programa traz um conjunto de recursos didáticos, para alunos e professores, além de serviços de apoio para as escolas.

Atitude investigativa - O padrão autoritário de ensino já não tem espaço na escola do século 21. Como o conhecimento hoje é extremamente mutante, pelo próprio avanço da ciência e pela facilidade de trocar informações, o professor precisa desenvolver no aluno a capacidade de pensar por conta própria e de pesquisar. “O que importa é produzir conhecimento e não transmitir informações, pois para isso basta a internet. O papel do professor é manter o aluno pesquisando”, diz Pedro Demo. Além de incluir a pesquisa como parte do método de aprendizagem, a escola deve respeitar o conhecimento do aluno, permitindo (e incentivando) o questionamento.

Mídias e desenvolvimento humano: mística e dialogicidade

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Escrito por Nilton Bruno Tomelin   
Qua, 20 de Julho de 2011 00:00
Tecnologias midiáticas, instrumentos e estratégias para comunicação, divulgação e interação de saberes e seres humanos é uma realidade inegável e tem produzido um novo formato de relação entre as pessoas. Tornam o tempo mais “útil” reduzindo o seu “desperdício”, efervecendo a mobilidade de dados, informações e conhecimentos. Por estas características a tecnologia da informação, expressa através das mídias, estabelece uma verdadeira mística, onde ambientes virtuais, substituem o mundo físico, acessos ecliks substituem o convívio e o diálogo entre as pessoas e o anonimato e a atitude solitária tomam o lugar do diálogo e da solidariedade cooperativa.


Os mitos que fazem do fascínio por este novo universo de possibilidade de “ser gente”, podem representar uma forma de consolidar ainda mais a desumanização das relações humanas e a coisificação das próprias pessoas. Considerando que este universo tende a penetrar no contexto da educação, que é essencialmente de relações, necessitamos estabelecer um compromisso em favor da liberdade e da possibilidade de fazer da educação uma relação essencialmente dialógica.

Ao se supor que as tecnologias assumam um papel educativo, e não informativo, o compromisso com a liberdade e o diálogo cede espaço a uma mística que confunde treinamento com aprendizagem. Qualquer mídia, por si só, representa apenas uma forma de divulgar informações e dados, os quais somente se transformarão em conhecimento e formação humana, pela relação entre estas informações e dados e os seres humanos. as relações aqui referidas não são as que comumente chamamos relações de troca, mas de interação e de constante discussão dialógica e dialética.

Ao contrário se associarmos as tecnologias midiáticas às chamadas técnicas de relações humanas convencionais, corre-se o risco de fortalecer a prática da alienação e dominação humanas. Estas supõem os seres humanos como extensão de máquinas, aumentando a proporção da produção, gerando maior lucratividade com menor custo possível. trata-se portanto de uma mistificação pouco ingênua, absolutamente ligada ao interesse elitista com o propósito de forma “bons e competentes” trabalhadores.

Percebe-se uma evidente condução das pessoas convertendo a educação numa agência de qualificação profissional. Na contracorrente desta tendência, torna-se eminente, a necessidade de educadores éticos, adeptos à prática dialógica e dialética. A medida em que o mito que converteu as mídias em instrumentos de formação humana se estende pelas práticas educativas, é preciso fazer ampliar a discussão dialógica em torno do real compromisso do educador ao fazer uso desta tecnologia.

Caberá ao educador e a educadora dialógica garantir a liberdade das pessoas se constituírem agentes de sua própria formação rejeitando qualquer tentativa ou ameaça de se coisificar as relações essencialmente humanas. Numa atitude sábia, utilizar as mídias e as tecnologias para executar tarefas mecânicas e repetitivas, para que as pessoas tenham mais possibilidade e tempo de fazer que máquina alguma pode fazer: ser gente. A grande mística a ser aceita e enaltecida deverá ser a da criação pelo diálogo, interação, respeito e solidariedade entre os diferentes, que somente se encontram quando estes diferentes se tocam física e afetivamente.
 
Autor deste artigo: Nilton Bruno Tomelin - participante desde Sex, 04 de Julho de 2008.

Curso online gratuito sobre uso das mídias educacionais em sala de aula


23/07/2011
Com o objetivo de melhorar o uso dos meios de comunicação em sala de aula, a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, em parceria com o projeto Planeta Ponto Com, está oferecendo o curso gratuito de 40 horas Por Dentro dos Meios. São 500 vagas disponíveis. As inscrições estão abertas para professores da rede estadual de ensino até 25 de agosto. As aulas vão aproximar escola e alunos das ferramentas das mídias educacionais e qualificar o educador técnica e conceitualmente para uma prática pedagógica voltada para a formação de alunos críticos e criativos diante da informação. As aulas são totalmente online e serão ministradas no período de nove semanas, a distância. Serão acompanhadas por um tutor e utilizam ferramentas de relacionamento como fórum, e-mail e mensagens individuais. Entre as atividades programadas estão pesquisas temáticas e de campo, leitura orientada e elaboração de tarefas. No final do curso, os participantes vão receber um projeto midiaeducativo elaborado especificamente para eles. Para fazer inscrição, acesse o site http://pdm.planetapontocom.org.br. Fonte: Aprendiz 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Boas-vindas bem planejadas

Como garantir a acolhida dos alunos nos primeiros dias de aula para estabelecer o vínculo com a escola
Cinthia Rodrigues (gestao@atleitor.com.br)
Depois de planejar com a equipe gestora, os docentes e os funcionários como será o ano na sua escola, reserve um período da semana pedagógica para organizar a recepção dos alunos na primeira semana de aula. Os professores já terão informações sobre as turmas para as quais darão aulas e isso certamente ajudará nas relações que se estabelecerão no início do ano letivo. Com todo o grupo, pense nos detalhes que farão com que os alunos se sintam acolhidos e formem (ou fortaleçam) os laços afetivos com a escola – condição importante para que a aprendizagem aconteça. A seguir, uma pauta para você discutir com a equipe:

1. Organização das salas
Antes de os alunos chegarem, combine com professores e funcionários a maneira como a sala de aula deve estar organizada. No primeiro dia, as formações circulares facilitam a integração e por isso são mais indicadas do que fileiras (que não favorecem a socialização). Nas salas da Educação Infantil, aconselha-se a organizar cantos de brincadeiras (veja exemplos no vídeo Ateliê de Entrada) - para ajudar a entreter as crianças antes que a turma esteja completa e também já iniciando um processo de socialização e aprendizagem. A coordenação pedagógica, junto com os professores de cada turma, poderá decidir quais cantos são mais interessantes para as diversas faixas etárias.

2. Recepção
Decidam em conjunto o local em que cada um receberá os alunos. A sugestão é que a equipe gestora fique no portão para cumprimentar não somente as crianças e os jovens mas também os pais que costumam acompanhar os filhos à escola. Os professores podem esperar pelos alunos na porta da sala de aula. Combine com os funcionários de apoio que eles se posicionem nos corredores e em locais em que possam ajudar a informar a localização de cada classe ou ainda orientar sobre o caminho para os banheiros, o bebedouro etc. e outras dúvidas que os estudantes possam ter.

3. Apresentação em sala de aula
Reflita com os professores sobre a importância de apresentar os novos alunos aos demais antes do início dos trabalhos. Peça aos docentes que estimulem a criança a falar um pouco sobre ele mesmo, seu histórico e sua relação com os estudos. Depois, todos podem contar o que fizeram durante as férias. Os professores podem contribuir dando ideias para organizar esse momento e apresentar maneiras de fazer isso. Exemplos: cada aluno pode contar sobre algo que aprendeu nas férias, um lugar que visitou, uma história que leu ou assistiu. Entre os mais velhos, também é interessante falar dos planos que têm para o ano, o que pode incluir um curso ou uma atividade extra ou estudar para o vestibular.

4. Tutoria dos veteranos
É comum que os alunos novos demorem um pouco para se enturmar com um grupo já formado. Para facilitar esse período, adote um sistema de tutoria em que um colega da turma que já estuda na escola há mais tempo mostre ao novato todos os departamentos, o acompanhe e oriente em relação aos procedimentos da escola e tire suas dúvidas. Esse acompanhamento pode variar de uma semana a um mês. Algumas escolas marcam o início das aulas para os novatos um ou dois dias depois do início oficial das aulas. Nesses dias, o professor dá informações sobre o novo colega que vai chegar (nome, de onde ele vem, o que fazem os pais etc.) e escolhe o aluno que fará a tutoria. Em instituições em que há grêmio estudantil, essa recepção pode ser feita por um membro da entidade.

5. Primeiro contato com cada setor
Reforce também a importância dos funcionários de apoio e administrativos serem receptivos com todos e especialmente solícitos com quem ainda não conhece as dependências e rotina da unidade. Estude a hipótese de a classe do primeiro ano - em que todos devem ser novos - fazer uma excursão pela escola com paradas em cada setor para que um responsável da área explique o funcionamento da cantina, da biblioteca, da secretaria, etc. Algumas escolas marcam o início das aulas em dias diferentes para cada três ou quatro turmas para que todos os funcionários deem atenção a chegada de todos.

6. Aulas inaugurais diferenciadas
As primeiras aulas devem apresentar os conteúdos que serão trabalhados durante um período (bimestre, trimestre ou semestre), de acordo com o que foi planejado na semana pedagógica. Uma maneira de apresentar os projetos que serão desenvolvidos é mostrar à turma os trabalhos feitos sobre o tema em anos anteriores. Ao coordenador pedagógico, cabe orientar os professores para que façam uma avaliação inicial antes de introduzir cada conteúdo. As perguntas, quando bem elaboradas, além de dar uma noção precisa do que cada aluno sabe sobre o tema e de que ponto os professores podem avançar, servem para despertar a curiosidade e dar uma prévia do que as crianças aprenderão durante o projeto.

7. Regras bem compreendidas
Decida com a equipe, também no final da semana pedagógica, quem apresentará o estatuto da escola - e como - e em que momentos serão feitos os combinados entre professores e alunos. O próprio diretor pode ter essa função. Para isso, ele precisará ir de sala em sala, se apresentando, dando as boas vindas e explicando algumas regras de convivência já em vigor - que devem ser transmitidas de forma que os alunos entendam porque elas existem. Uma sugestão é partir dos direitos de cada um para os deveres de todos. Por exemplo: todo estudante tem direito a material didático de qualidade, para isso cada um deve cuidar bem dos livros que usará naquele ano para que eles possam ser reutilizados no próximo. É importante gastar alguns minutos com o assunto logo nos primeiros dias de aula, antes que as situações em que caberia o uso de determinadas regras ocorram. Com as regras gerais conhecidas, cada professor pode organizar com a uma turma os combinados internos. Para isso é preciso ouvir os alunos e sistematizar as discussões, chegando a normas internas para cada grupo.