segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Reprovar? Que coisa antiga!

Reprovar? Que coisa antiga!
Marco Pucci
Estamos na era do tudo pode. Toda seriedade deve ser abandonada, toda tentativa de aperfeiçoamento, jogada fora. Aprovar os alunos que não estão preparados para passar de ano virou moda, e pior: é lei, e danem-se os professores que se matam para tentar ensinar em escolas decadentes, mal cuidadas e sem estrutura. O governo não é competente para oferecer um ensino de nível, mas quer a todo custo ter números matriculados para que sua propaganda futura possa contabilizar milhões de alunos freqüentando as escolas. Escolas? Aí começa o problema: frequentar não é o mesmo que aprender, aproveitar e evoluir. O que acontece com um aluno que entra numa escola, não estuda, não tem nível para acompanhar o currículo escolar e nem que reze para um santo forte conseguirá ter condições de aprender? Passando de ano de mentirinha é a solução?
Evidente que mais esse tapa-buraco para não  encarar a real situação intelectual desgraçada da infância e juventude principalmente carente do país vai ocasionar mais decepções e enganos no futuro para todos esses "aprovados". Coitados dos professores, deve ser um horror começar um ano letivo tentando suar a camisa em prol da educação, ganhando misérias e ainda saber que sua soberania em decidir através da avaliação, quem passa de ano, está, vejam bem: cancelada. O professor passa a ser apenas um elemento de vitrine. Vai ensinar e sabe que seu poder, seu comprometimento com a situação direta a qual é colocado vira apenas um enfeite, algo tipo: faça o que tem que fazer e esqueça o resto, pois o resto é por nossa conta. Pergunto: conta de quem realmente?
E o que falar do Enem? Democratizar as oportunidades de acesso às vagas federais de ensino superior é maravilhoso, mas isso não se faz do dia para a noite, enfiando goela abaixo  alunos que são avaliados de formas distintas e acabam se matriculando em vagas, as quais, devido a disparidade de ensino, não estão aptos para frequentar e esse movimento está desestruturando cursos de referência no país. Infelizmente alguns reitores, ávidos por verbas federais, abrem mão da excelência no ensino em prol da "ajuda" governamental e mesmo contra a orientação de professores com valores e currículos impecáveis, acabam entupindo as faculdades de cursos em prédios sem estrutura, inclusive engolindo centros acadêmicos apenas para se curvar a interesses que diferem do principal: continuar com um nível de educação invejável. Resultado: muitos aprovados no ensino básico e muitos "enenzados" no ensino superior. Dá medo do que será precisar de um médico no futuro se investimentos sérios e pesados não forem efetuados na educação. O resto é só para inglês ver.

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