quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A força do magistério

Diário Catarinense, 12/01/2011 - Florianópolis SC
Editorial


Ao apresentar cinco subtemas aos seus vestibulandos, como ponto de partida da prova de redação sobre a valorização do magistério, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul relacionou as grandes questões para quem exerce ou pretende exercer a atividade de professor. E todas são de interesse não só de quem leciona. Remuneração, plano de carreira, formação, condições de trabalho e autoestima não são pontos decisivos apenas para os docentes. Com um magistério degradado por deficiências em todas as questões propostas, não é uma categoria profissional que se fragiliza e perde importância. O país é o grande perdedor pela incapacidade de reagir a um diagnóstico conhecido, que foi agravado nas últimas décadas pela inoperância do setor público e pela cumplicidade de toda a sociedade. Todas essas questões já foram abordadas, à exaustão, por especialistas. Têm relação de causa e efeito. O Brasil forma mal seus professores e os remunera, muitas vezes, de forma indigna porque a educação não é prioridade de governantes de todas as esferas do poder. E também porque muitos dos próprios educadores são refratários a uma abordagem mais crítica de seus desempenhos.
O resultado dessa combinação de imobilismo dos governos com resistências corporativas é a perda de prestígio de uma profissão pouco sedutora para a grande maioria dos jovens. A esse descaso soma-se a negligência, especialmente dos pais, que contribuem, pela omissão, com pouca participação na vida escolar, ou pelo excesso, com interferências indevidas nas atividades dos professores. Colaboram com a indisciplina, o desrespeito aos docentes e até com o aumento da violência em sala de aula. Essa é, na essência, a realidade no ensino básico. É vergonhoso que o país ainda seja retardatário no ensino básico. O desafio da superação do atraso depende de educadores preparados, dignamente remunerados e respeitados. É uma tarefa para governos, para os próprios mestres, para os pais e para a sociedade.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo novo blog! Para contribuir:

    "Os Educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes, mesmo que não germinem no tempo certo... Mesmo que pareçam frágeisl frente às intempéries... Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas. O espírito de um mestre nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis como desafios a serem vencidos." Gabriel Chalita

    Beijos, Vânia.

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Eu aguardo as sementes que você possa vir a lançar. Depois selecioná-las e plantar.